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A Missão – Décimo quinto Domingo do tempo comum

Pe Scaravelli, c.s.

 Domingo passado vimos Jesus em Nazaré, sua terra natal,  falando com autoridade mas sendo  rejeitado pelos seus. Neste domingo Jesus escolhe, chama e envia os apóstolos para continuar sua missão.

No Antigo como no Novo Testamento é Deus quem chama e envia os profetas, os apóstolos, os discípulos, você, eu e todos os batizados. O critério da escolha é misterioso.

 Após a morte do Rei Salomão, o reino por ele deixado dividiu-se em dois: O Reino de Israel ao norte e o Reino de Judá ao Sul.

No Reino do Norte, a prosperidade das classes favorecidas contrastava com a miséria das classes baixas. O Rei, para se firmar no poder, manipulava o povo e a própria religião: Proibiu as peregrinações ao Templo de Jerusalém que estava no Sul, construiu o templo de Betel, pagava bem os sacerdotes e custeava os cultos solenes do templo, tudo em troca do apoio político.

 Nesse ambiente de injustiça e de tentativa de manipular a religião, Amós, um humilde Pastor do Sul, é enviado a profetizar no Norte, para denunciar as injustiças cometidas pelo rei e pelas classes dominantes. Sua palavra incomodava os poderosos e por isso sofreu forte rejeição.

O Papa Francisco também foi escolhido e enviado desde o sul do planeta, do fim do mundo e com  gestos proféticos 

denuncia constantemente as que chamou de vergonhosas situações de injustiças,

Qualquer comparação com o que acontece hoje é mera coincidência. As igrejas e as religiões são facilmente manipuladas pelos detentores do poder e pelas classes dominantes. O Papa Francisco também foi escolhido e enviado desde o sul do planeta, do fim do mundo e com  gestos proféticos  denuncia constantemente as que chamou de vergonhosas situações de injustiças, como quando visitou Lampedusa em sua primeira viagem como papa por ocasião do afogamento de 350 imigrantes ou quando esteve visitando Equador, Bolívia e Paraguai, condenando as ditaduras militares, chamando o capitalismo de ditadura  sutil, e pregando  a unidade entre todos como única forma dos povos  construírem um ambiente de paz e justiça.

 – Amós entra em conflito com Amasias, o sacerdote oficial que administra o santuário de Betel, aliado aos interesses do rei e é expulso: “Sai daqui, vá para Judá…  profetiza por lá…”

– O Papa Francisco entra em conflito com todos aqueles que acham que os pobres são preguiçosos, que os imigrantes e refugiados deviam ficar em seus países ainda que passando fome, entra em conflito com os que acham que ele é de esquerda, comunista porque diz que a Boa Nova é especialmente dirigida aos pobres e que o sistema de exploração e concentração de renda é um pecado abominável.

 – Amós responde que não é profeta de profissão, mas de vocação:

 – Amós responde que não é profeta de profissão, mas de vocação: “Sou vaqueiro e cultivo figos silvestres. Mas o Senhor me tirou do rebanho e me ordenou: Vai profetizar ao meu povo, Israel.” Amós não se compromete com as amarras humanas do poder.

– O Papa Francisco também não.

 No Evangelho, Jesus chama os doze apóstolos e os envia dois a dois a anunciar que o “Reino de Deus está próximo”.

– ” Doze” representam a totalidade do Povo de Deus, os12 apóstolos e as 12 tribos de Israel…

– “Dois a dois” lembra que a evangelização é feita em nome da Comunidade e deve estar em sintonia com a fé da Comunidade. Não deve haver personalismos. Ninguém fala por si mesmo, mas em nome de Jesus e da Comunidade. A Igreja é de Jesus e não dos pregadores.

– A tarefa dos discípulos não é uma tarefa individual, mas comunitária –

pregar em nome da Comunidade para dar testemunho de Jesus.

Quando uma comunidade ou as pastorais servem apenas para promover as pessoas: os coordenadores, ou o padre ou enriquecer o pastor, a Comunidade deixa de ser de Jesus e passa a ser do pastor ou do padre, porque alguém está tomando o lugar de Jesus. Somos discípulos para testemunhar Jesus e não para tirar proveito e nos promover.

Jesus não fundou um partido político, um clube de futebol, um movimento revolucionário, mas uma comunidade de irmãos, de discípulos que na confiança e na simplicidade dão testemunhas dele. O Papa Francisco está indicando esse caminho, pede perdão pelos erros da Igreja, pelos personalismos dos missionários, mas também valoriza o trabalho humilde e serviçal de tantos cristãos.

 – Aos Apóstolos Jesus exige sobriedade e despojamento dos bens e seguranças humanas. Porque a eficácia da missão depende da ação de Deus.

– Aos Destinatários pede hospitalidade e aceitação da Palavra de Deus.

 – E faz um alerta: Nem todos irão acolher a mensagem. Encontrarão resistências, desinteresse e recusas…Basta entrar nas redes sociais para ver e entender.

 Só podemos ser discípulos-missionários com a força e a  graça de Deus carregando  o cajado da fé e as sandálias da humildade e da esperança,  o pão de sua palavra que alimenta e a túnica que cobre o necessitado.

 

Imagens retiradas da internet

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