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Natal Feliz é Natal com Cristo!

Pe Scaravelli, c.s.

No início do cristianismo, a data de 25 de dezembro era conhecida como o dia do Sol Invencível na qual se comemorava o Solstício de inverno ou a Festa da luz em honra ao deus sol. Com a cristianização do Império Romano a Igreja optou por usar a Festa da Luz que já era tradição, para celebrar o nascimento daquele que é a Luz do Mundo: Cristo. “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz, e uma luz brilhou para os que habitavam um país tenebroso” Is 9,1.

 Foi no norte da Argentina, fronteira com Bolívia que  participei das melhores celebrações do natal da minha vida. Junto com os líderes comunitários preparávamos a novena adaptada à realidade e no começo do mês de dezembro em cada bairro da cidade – todos eles muito humildes – construía-se o presépio com folhas de palmeiras, galhos de árvores, tudo ao natural. No dia 16 de dezembro iniciávamos a novena. Todos os moradores dos bairros vinham cantando e dançando ao som das “quenas, zamponhas, flautas  e bombos”, trazendo as imagens do menino-Deus para a Missa que se celebrava na praça em frente à igreja. Mais de 400 pequenas imagens do menino Jesus que as criancinhas traziam eram colocadas sobre os bancos para “pasarles la misa”. Aos meus olhos, dezenas de imagens eram idênticas, no entanto, cada criança sabia identificar a sua. Todas as noites, nos bairros, ao redor dos presépios rezava-se a novena com cantos e danças que se prolongavam até a meia noite. Não podia faltar a “chocolatada”, uma bebida feita com chocolate, água e um pouco de leite. E havia um dia especial para as confissões comunitárias.

Na noite de Natal todo o povo novamente na praça da matriz para a celebração do nascimento de Jesus. Ali estavam as criancinhas com “sus niñitos”(imagens do menino-Jesus). Ao retornarem da missa, seguia a festa. Mas essa noite era especial: ademais da chocolatada, havia pão doce, caramelos, empanadas e refrigerantes que  o dono do Engenho de cana de açúcar  –  uma espécie de proprietário feudal – e os políticos da cidade, distribuíam  em todos os presépios com o intuito de  amainar um pouco o peso da consciência pela exploração da mão de obra durante o resto do ano.

Era tanta a participação e alegria do povo, especialmente das crianças que no dia dos Santos Reis, 6 de Janeiro, ao desfazerem os presépios, muitas crianças choravam sabendo que deveriam esperar um ano para novamente celebrar o natal e tomar “chocholatada”.

 

 

 

 

Diferentemente da pobreza de Jujuy onde não havia presentes, nem roupa nova e até faltava o pão em muitas mesas para compartir, a majestosa Buenos Aires resplandecia de luzes natalinas desde a Casa Rosada até o cimo do obelisco. Mas ali não havia “Ninito Jesús”. Nem nos presépios carregados de luzes, de presentes e de cartões de feliz natal e nem nos corações de muitas famílias.  Em muitos corações e em muitas famílias faltava alegria. Nessa sociedade secularizada a maior preocupação era comprar presentes, e preparar   a ceia de natal. Era ali que começava o conflito:  decidir com quem passar a noite de natal, se com os pais ou com os sogros. E por essa e por outras, nessa noite santa, às vezes nasciam discórdias entre alguns familiares. Não poucas vezes o presenciei. O natal de Buenos Aires era triste. Havia muitas luzes e poucos “Niñitos Jesus”.

 

Natal sem Jesus não é natal de Jesus.

As luzes nos arranha-céus e praças das cidades ou dos presépios não são Jesus. Jesus é a Luz. Se essas luzes não te lembram Jesus são apenas um lindo enfeite muito parecido à Festa da luz em honra do deus sol no império pagão. No presépio cristão a peça mais importante deve ser a imagem do menino Deus, e na celebração natalina, o convidado principal deve ser Jesus. Natal feliz é Natal com Cristo.

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