A Família Sagrada e Nossa Família

Pe Scaravelli, c.s.

 Eu gosto de celebrar a festa da Sagrada Família: Jesus, Maria e José.  Mas confesso que tenho dificuldade de entender o evangelho de hoje que narra o episódio do Menino Jesus perdido entre os doutores da Lei no Templo de Jerusalém. Os pais o procuraram durante três dias. Três dias de trevas, de escuridão, de perguntas sem respostas.

Trabalhei vinte anos na Argentina e vi muitas famílias desesperadas procurando as crianças que a Ditadura Militar havia sequestrado das Mães condenadas à tortura e à morte. Apesar do protesto de las Madres de Plaza de Mayo que por mais de vinte anos todas as quintas-feiras   caminharam ao redor da Praça de maio em frente à casa do governo com lenço branco na cabeça procurando os filhos e os netos sem obter respostas: Onde estão os nossos filhos? Se morreram, onde estão enterrados? Se viveram, quem os adotou? 

 O texto do evangelho diz que Maria perguntou: “Filho por que fizeste isso conosco? Teu pai e eu te procuramos desesperadamente”. A resposta de Jesus foi curta e pouco compreensível: “Por que me procuráveis, não sabeis que devo estar na casa do meu Pai?” Eu não entendo e o evangelista diz que os pais tampouco entenderam, mas Maria guardava todas essas coisas em seu coração. Jesus voltou para Nazaré com os pais, e ia crescendo em idade e graça diante de Deus e dos homens.

 A imagem que temos dessa família é de uma família serena, sem problemas, ajoelhados diante de Jesus, trabalhando como carpinteiros em Nazaré. Mas na verdade, os evangelhos descrevem graves conflitos, como fugindo de um ditador assassino para o Egito, o menino perdido no Templo, as críticas dos fariseus e saduceus, as ameaças para prendê-lo, a condenação, a morte injusta.  Uma família que passou por grandes dificuldades.

 Como toda família em algum momento passa por dificuldades, a Igreja nos propõe a de Nazaré como modelo de fortaleza, unidade, confiança e fé.

 Deus semeou em nossos corações o desejo de amar a família e honrar os pais, porque para Deus, a família é o lugar onde aprendemos amar e preparar-nos para a vida. Se não aprendermos amar na família, mais tarde na vida seremos esposos, pais ou seres humanos fracassados.

Amar é abraçar os diferentes. E na família todos são diferentes. Os amigos podem ser escolhidos por interesses comuns, a namorada também, mas a família é aquela que Deus nos deu. E a ela devemos honrar.  A família existe para que seres diferentes aprendam amar.

 A Palavra de Deus nos exorta a honrar pai e mãe. Para alguns é fácil, para outros é muito difícil. No entanto Deus não diz, honra os teus pais se forem bons contigo, ou enquanto eles te ajudam ou, honra somente a tua mãe, ou honra o teu pai até que ele for lúcido, mas diz: “Mesmo que esteja perdendo a lucidez, procura ser compreensivo com ele. Honra teus pais e terás uma longa vida”.

 A Palavra nos dá alguns motivos fortes para honrar os pais. “Quem honra o seu pai alcança o perdão dos pecados e será ouvido na oração”. E também diz: terá a alegria dos filhos e muitas bênçãos.

 Tenho certeza que tu estás pensando em tua família. Essa é a família que Deus te deu para que possas amá-la e honrá-la. Mesmo que não seja a ideal; mesmo que seja complicada.

Que Jesus, Maria e José nos ajudem a melhorar as nossas relações familiares, a perdoar-nos mutuamente, a enfrentar as provas da vida e que protejam os casais para que permaneçam unidos no amor apesar das dificuldades.

 Abençoa Senhor a família, amém; abençoa Senhor, a minha também.

fotos: internet

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