Resultado de imagem para pegadas na areia

A Lei de Deus, a purificação e o Amor

Pe Scaravelli, c.s.

             As duas coisas mais valiosas que Deus nos deu, é a Vida e a Liberdade. Deus nos deu o livre arbítrio: liberdade de escolher entre o Bem e o Mal. O livre arbítrio é um problema filosófico e teológico. Todos nos perguntamos: Por que Deus permite que haja tanta maldade no mundo? Por que permite que o ser humano cometa grandes erros?  Por que o ser humano ainda sabendo quão horrível é a guerra, faz a guerra?

            Deus nos criou seres livres. O Livro do Deuteronômio diz que Deus coloca diante de nós o Bem e o Mal, a Vida e a Morte e nos deixa escolher porque nos fez livres.  Mas ao mesmo tempo ele quer vida plena para seus filhos e filhas e por isso propõe a sua “Lei”, os seus mandamentos para que os observando tenhamos vida.

            A Lei pode salvar? As leituras de hoje nos ensinam que a Lei deve ser observada; ela nos ajudará a organizar a nossa vida, nossa família e a nossa sociedade; sociedade sem lei, é sociedade anárquica na qual ninguém quer viver.  Mas a lei não nos salva, quem nos salva é o Amor. Deus é Amor.

             A parte do livro do Deuteronômio, que acabamos de ler, foi escrito na Babilônia durante o exílio, quando o povo havia perdido quase tudo: terra, honra, Templo, liberdade. Mas nem tudo estava perdido. Surgiu um homem religioso que amostrou que ainda restava a Santa Lei. E lembra que esta é Palavra de Deus e não pode ser alterada e nem diminuída. Dois perigos que devem ser evitados:  eliminar parte da Palavra de Deus, ou acrescentar novas prescrições inventadas pelos homens e dizer que é Palavra de Deus.

             Com o decorrer da história foi isso que aconteceu. As tradições foram tornando-se   parte da Lei de Deus e sua transgressão era tida como uma infidelidade a Deus.

A Bíblia por exemplo prescreve que antes de comer as carnes dos sacrifícios no Templo, os sacerdotes deviam lavar as mãos e os pés. Alguns grupos de leigos devotos e fanáticos, julgaram que era conveniente adotar esses costumes nas próprias casas.  A prática foi se difundindo de tal maneira até criar-se a convicção que era Lei de Deus. Quem observasse era considerado puro. O povo simples que tinha outras preocupações, era considerado impuro.

             Assim, no tempo de Jesus as purificações tinham tanta importância que tinham o mesmo valor que a Palavra de Deus. Jesus denuncia essa mentalidade, primeiro porque as tradições dos homens não têm o mesmo valor que os mandamentos do Senhor e segundo porque as práticas rituais não podem ser absolutizados. Só Deus é absoluto. Dizia um profeta: “Não há água que purifique se os mandamentos de Deus são desprezados”. 

             Jesus parafraseando os profetas Amós (5,21) e Isaías (1,11) afirma que a Deus não interessa os formalismos, as aparências, a pureza exterior: “Esse povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim”. No evangelho de hoje chama esse povo de hipócrita porque observa essas normas como fossem Palavra de Deus, vestiam máscaras, fingiam ser pessoas piedosas, mas não observavam o que era agradável a Deus: “A verdadeira religião consiste em cuidar dos necessitados, dos órfãos e das viúvas, mais que observar ritos e tradições, diz Tiago na segunda leitura de hoje.”.

             Jesus estabeleceu o critério para ver quando algo não é bom, quando mancha e deixa a pessoa impura; e menciona doze vícios que saem de dentro do coração humano e o torna impuro: oito estão no plural: imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, ambições desmedidas, maldades, fraudes e quatro estão no singular: devassidão, inveja, calúnia, orgulho e falta de juízo.

            Sobre esses pontos é que nós devemos nos julgar se somos religiosos ou não.

             Na parte central da escadaria que conduzia ao Templo de Jerusalém havia piscinas onde os sacerdotes, os trabalhadores do Culto e mesmo os peregrinos que chegavam de longe para rezar, se lavavam para cumprir com as purificações prescritas.

            Jesus aos seus discípulos pede apenas uma única purificação: um exame de consciência: “Se estás para fazer a tua oferta diante do altar e lembrares de que teu irmão tem algo contra ti, deixa a tua oferta e vá primeiro reconciliar-te com teu irmão. Só então venha fazer a tua oferta”.

Share
Write a comment:

*

Your email address will not be published.

© 2014 Apostolado Brasileiro | Unindo Católicos Brasileiros na Grande Boston.
Siga-nos:                   

Facebook