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Segundo domingo da quaresma – A Transfiguração da nossa vida.

Pe Scaravelli, v.s.

Abrahão ( Gen 15,5ss) está velho, sem filhos, sem a terra sonhada e sua vida parece condenada ao fracasso. Deus lhe garante a posse da terra  e uma descendência numerosa. Ele confia em Deus  e continua o caminho. Abrahão é para todos nós um modelo de fé.

São Paulo na segunda leitura (Fl 3,17ss)  mostra sua fé na transfiguração: “Ele transformará nosso corpo humilhado e o tornará semelhante ao seu corpo glorificado”.

Jesus está a caminho de Jerusalém com os apóstolos. A notícia de que está indo ao encontro da Paixão e Morte provoca neles uma crise profunda. Desmoronam as esperanças messiânicas impregnadas de triunfalismo. Para reanimar a fé abalada deles, Jesus recorre à oração, sobe à Montanha, se transfigura mostrando como será um encontro “face to face” com Deus e ali se escuta a confirmação do Pai: “Este é meu Filho amado, escutai-o”. O Tabor onde os discípulos viram a glória de Jesus é contraponto do Getsêmani onde os mesmos se angustiarão diante da agonia de Jesus.

O caminho de Jesus será um caminho vitorioso ou será um fracasso? Teremos sucesso com Jesus ou será um absurdo?

Na nossa vida humana temos que ter ideais.  Que queremos alcançar? Qual o objetivo? O que é que nos anima a prosseguir? Com ideais claros o caminho da quaresma de nossa vida torna-se  mais fácil. Mas sempre nos perguntamos: Vale a pena prosseguir?

Deus chama Abraão e o envia a uma Terra aonde corre leite e mel. O caminho de Abraão também foi muito difícil. Mas o ideal de ser pai de um grande povo abençoado e alcançar a Terra  foi suficiente para ele manter a fé e a esperança.

Começou a quaresma e  Jesus caminha para Jerusalém. É um caminho difícil.  Começou com as Tentações e terminará com a cruz. Nesse segundo domingo, após o anúncio da Paixão, Jesus leva consigo três discípulos para que vejam a glória de Deus.

Aparecem Moisés e Elias, em representação do Antigo Testamento e conversam com Jesus. Logo,  desaparecem. “Jesus ficou sozinho”.. O Antigo Testamento já cumpriu a sua promessa. Agora Jesus convidaos discípulos  a descer do Monte e segui-lo.

A pergunta, vale a pena seguir a Jesus, era feita também pelas primeiras comunidades cristãs. Os seguidores de Jesus esperavam um  Messias poderoso, uma espécie de super-homem, mas esse Jesus anuncia que vai ao encontro do sofrimento, da vergonha da cruz, da morte. Será um caminho vitorioso?

Para as primeiras comunidades cristãs, a resposta é sim vale a pena, porque Jesus é o homem vitorioso – transfigurado, Homem Novo. E nós pelo caminho da cruz também seremos vitoriosos e transfigurados.

O que a transfiguração significou para os três discípulos? Até então haviam conhecido Jesus em sua aparência externa, um homem de quem conheciam a procedência, os costumes, seu tom de voz, sua família. Agora conhecem outro Jesus, o verdadeiro, o que não conseguem ver com os olhos todos os dias à luz do sol, mas que é fruto de uma revelação, de uma mudança, de um dom. Para os discípulos agora a perspectiva mudou.

Para que as coisas mudem também para nós como para os três discípulos, é necessário que aconteça na nossa vida a transfiguração, algo semelhante ao que ocorre com as  pessoas quando se apaixonam.

Quando alguém se apaixona, o outro que antes era um entre muitos, se converte em único, único que interessa no mundo. O apaixonado não  é capaz de pensar em outra coisa senão naquela pessoa. Acontece uma autêntica transfiguração.

A pessoa amada é contemplada como em um raio luminoso e tudo nela parece belo, não há defeitos.  Algo muda concretamente na sua vida, até nos hábitos. Antes a mãe tinha que tirá-lo da cama todas as manhãs para ir ao colégio ou ao trabalho, agora ele pula cedo, fica impaciente para terminar os estudos, cuida do trabalho, colabora na casa.

O que aconteceu?

Simplesmente o que antes fazia por obrigação agora o faz por atração. Agora tem um objetivo.

Mas se a vida do namorado não se transfigurou e não mudou para melhor, deixando-o triste, angustiado,  mal comportado, algo há de podre no reino da Dinamarca. Algo há de errado, ou o amor não é verdadeiro ou está no momento errado.

Algo assim deveria acontecer pelo menos  uma vez na nossa vida para sermos verdadeiros cristãos. Transfigurar-nos por Jesus, assim nos tornaríamos cristãos convencidos, alegres, com objetivo claro. Algo deve mudar na nossa vida.

Você pode argumentar: Mas a Jesus não se pode tocar, é abstrato, é uma ideia.

Não é verdade, a Jesus também se pode tocar com os olhos do coração e os olhos da fé.  A Transfiguração nos mostra um Jesus na sua glória. Ele está ressuscitado, está vivo. Jesus não é uma abstração. Quem teve a experiência profunda de Deus sabe disso.

E com Jesus as coisas podem ser ainda melhores do que com o namorado. No namoro humano com o tempo os defeitos aparecem e então mudamos de opinião a respeito da pessoa amada.

No caso de Jesus, quanto mais se conhece mais se admira, mais se ama, e mais nos sentimos seguros. Quanto mais lemos as cartas de amor de Jesus, que são os evangelhos, mais o conhecemos e por ende, mais o amamos.

Os adormecidos discípulos no Tabor representam a nossa mediocridade, o nosso comodismo e a nossa indiferença.

Quaresma é a oportunidade de entrar em sintonia com Jesus e deixar-se transfigurar. . Precisamos deixar-nos transfigurar por Jesus saindo do nosso comodismo e indiferença e caminhando  com Ele ainda que seja ao encontro da cruz, porque é pela cruz que chagaremos à Ressurreição. Vale a pena!

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