No primeiro domingo do advento acendemos a vela da esperança e a liturgia nos convidava a cultivar a esperança cristã: cansados, estressados, mas nunca desanimados porque o Senhor virá a nos salvar. No segundo domingo foi um convite à conversão: Preparai o caminho do Senhor; o domingo da paz. Paz de Jesus que vem nos reconciliar com o Pai. Neste terceiro domingo o tema central é a alegria cristã. Chama-se domingo “gaudete” que significa, alegria: “alegrem-se, regozijem-se”. “Exulto de alegria no Senhor e minha alma se regozija em meu Deus” canta o profeta Isaías. “A minha alma se alegra no meu Deus”, reza o salmo e João Batista no evangelho se apresenta aos enviados dos judeus como a “voz que grita no deserto: “Aplainai o caminho do Senhor”.

A alegria é expressão de felicidade. E é comum a gente pensar que a felicidade depende de coisas externas. Pensar que a alegria neste Natal depende dos presentes, da comida, da festa…Se tudo vai bem, nos sentimos bem, mas na verdade ainda que nos sintamos bem, não somos totalmente felizes mesmo porque sofremos quando as pessoas queridas não estão bem. Quando as coisas vão mal, nos sentimos mal. Mas na verdade é possível sentir certo tipo de alegria ou de regozijo também nas dificuldades. Há pessoas que também em épocas de crise são capazes de levar um sorriso nos lábios. Tenho certeza que vocês conhecem pessoas assim, alegres apesar do sofrimento, tranquilas apesar dos problemas, sorridentes apesar da dor. Há pessoas que enfrentam até a morte com um sorriso. De onde vem esse regozijo?

Toda alegria – e a alegria é um estado de espírito -, tem uma causa que a provoca e a cria. As fontes da alegria podem ser várias, mas a principal é o amor. Aonde existe ódio e egoísmo, a alegria não se sustenta porque a pessoa acaba encontrando o vazio interior. Muitos não encontram alegria porque não amam e tampouco sabem que Deus as ama.

São Paulo na segunda leitura diz, “Estai sempre alegres. Rezai sem cessar, dai graças em toda circunstância”. Ele não diz “estai alegres” quando   se sentem bem”, diz simplesmente “Estai alegres e daí graças em toda circunstância, porque Deus está conosco e nos ama.

Uma segunda fonte é viver e desfrutar do momento presente. As pessoas mais alegres são as que aprenderam a valorizar as coisas mais insignificantes da vida com gratidão em cada momento. Pessoas que sentem que têm mais deveres do que direitos e sempre são agradecidas. E nas dificuldades, surgem do seu interior recursos inesperados porque são pessoas forjadas, cheias de fortaleza de Deus e de vontade de viver. 

Às vezes, muitas vezes ou quase sempre estamos pensando e preocupados com o que virá depois ou com o amanhã ou com os problemas dos outros. Não vivemos o tempo presente em profundidade.  Estás aqui na igreja e deverias disfrutar desses momentos de louvor a Deus e escutar a sua Palavra, no entanto estás pensando no que irás fazer mais tarde, amanhã, ou no natal e com mil e um problemas. E amanhã estarás preocupado com o depois de amanhã e assim nunca disfrutas de cada momento.

 És capaz de sentir-te feliz por ser r um bom pai, uma boa mãe, por ser uma pessoa honesta, por ser útil aos demais?

A liturgia deste domingo nos sugere que a presença de Deus no meio do povo é motivo suficiente para dar graças e estar alegres. Quando uma pessoa cumpre com o seu dever e se abre ao Senhor e permite que Ele seja o motivo de sua existência, encontra paz e a alegria.

Essa alegria do discípulo de Jesus não é algo emocional que nasce apenas da auto realização ou da ausência de dificuldades, pelo contrário, é força do Espírito que enche o coração do cristão e o torna capaz de amar, de ajudar, de perdoar.

A presença de Deus que veio ao nosso encontro e suas obras de amor devem ser motivos de alegria. Por isso, estai sempre alegres, rezai sem cessar e daí graças em toda circunstância”.

“Exulto de alegria no Senhor e a minha alma se regozija em meu Deus”.

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