XXXII DOMINGO DO TEMPO COMUM (Marcos 12,38-44)

As viúvas do Evangelho (padre Scaravelli)

Era uma das pessoas mais pobres da região. Morava em Sarepta, região assolada pela seca e pela fome. Ela era viúva e não havia emprego para as mulheres naquele tempo. Elas pertenciam aos grupos dos marginalizados e sem direitos. Aliás, pouco se falava em direitos e menos ainda em ajuda social. O único direito era adquirido pela pertença ao povo de Israel que tinha Javé como único defensor do pobre e da viúva. Por não ter marido a viúva não tinha como sobreviver a não ser implorando a compaixão das almas caridosas. Para piorar a situação, a seca e a fome assolavam a região de Sarepta. Um profeta de Deus, Elias também quase morrendo de fome chega à casa da viúva e lhe pede água e comida. Ela somente tinha um punhado de farinha e um pouco de azeite, único e último alimento para ela e seu filho.

Mas somente a sua generosidade poderia salvar o profeta da morte. A viúva de Sarepta oferece tudo o que tem e a partir de então, Deus abençoa a sua generosidade e lhe proporciona alimento durante todo o tempo da seca. A generosidade, e a partilha não empobrecem, pelo contrário, são geradoras de vida porque Deus não abandona quem dá com alegria.

Passaram-se quinhentos anos e no templo de Jerusalém encontra-se outra viúva tão pobre quanto a primeira. Esta possuía somente duas moedinhas. E quis fazer a sua oferta ao Senhor no Templo de Jerusalém em sinal de gratidão. As pessoas entravam e saíam do templo e entre elas alguns “adinheirados” que depositam grandes somas no lugar das oferendas.

Jesus que vê o coração das pessoas, vai além das aparências. Ele vê o que está na raiz das decisões que tomamos. Vê a vaidade, o vazio de quem faz as coisas apenas para aparecer. Vê a maldade de quem, usando a religião, explora a fé do povo. Vê o coração dos exploradores e sua esmola e vê o coração da pobre viúva e sua fé.

Há momentos na vida, em que o menos vale mais, e o pouco vale muito. Esse justamente foi um deles. Jesus observa e fica impressionado, talvez, emocionado. Chama os discípulos para desabafar o seu sentimento de admiração, não pelas avultadas somas dos que depositavam muito, mas pelas duas moedas de quem depositava tudo. Jesus não calculou a quantia, não somou e nem multiplicou, somente viu o amor e a generosidade. Porque Deus olha o coração e vê quanto amor há nele. E logo faz um grande elogio.

A total confiança em Deus daquela pobre viúva talvez haja sido a melhor coisa que Jesus encontrou em Jerusalém. Só Jesus para perceber esse detalhe, tão pequeno para nós, tão grandioso aos olhos de Deus. Na bíblia encontramos com frequência que Deus, apesar de ser o Criador do Universo e dono de tudo, exige e aceita com agrado as ofertas de parte do ser humano não porque ele precisa, mas porque são símbolos de amor.

A generosidade das pessoas toca o coração de Deus porque nos faz mais à imagem e semelhança dele que nos ama com amor infinito e gratuito, e que nos deu o seu próprio Filho o qual entregou a sua vida por nós.

Somente quem confia profundamente em Deus é capaz de dar sem medida, dar daquilo que talvez necessita para viver.

Diante das dificuldades da vida, qual é o nosso grau de confiança em Deus que tudo pode?  Seríamos capazes de gestos parecidos aos das viúvas da liturgia deste domingo?

É uma oportunidade para analisar como está o nosso coração diante de Deus, se está cheio de lamentações, de queixas, de murmurações, de descontentamentos ou se é um coração confiante, generoso e agradecido capaz de perceber o quanto Deus nos abençoa e multiplica a farinha e o azeite para que possamos prosseguir a nossa caminhada.

Ninguém é tão pobre que nada tenha para dar. Por isso, partilhe teu amor, teu tempo com a família, com os amigos, com a comunidade. Seja generoso/generosa e Deus multiplicará a farinha e o azeite no teu dia a dia para que nunca falte o alimento mesmo durante a seca. E Deus te abençoará pela tua generosidade porque Deus ama a quem dá com alegria. Amém

imagens da internet

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