Assunção de Nossa Senhora – quem sou eu?

Pe. Scaravelli,c.s.

Há países que tem mais capacidade que outros para assimilar a cultura dos imigrantes e então, no processo de integração, o imigrante é absorvido e acaba perdendo a sua identidade porque perde os seus costumes, seu idioma, sua forma de rezar, sua música, sua cultura. Um migrante brasileiro que se deixa assimilar pela cultura americana, já não será brasileiro e nunca poderá ser americano mesmo obtendo a cidadania. O processo deve ser de integração na sociedade que o acolhe, sem deixar de ser ele mesmo, isto é, conservando a sua identidade.

Há também pessoas que nascem com transtorno de identidade. Não sabem quem elas são, às vezes com   conflito de gênero. Elas sofrem muito. Por outro lado, a identidade de um filho pode ser afetada também pela ausência dos pais.

A falta de identidade gera conflito interior e faz sofrer. Há pessoas que passam a vida toda procurando a sua identidade. Elas precisam da ajuda de um profissional, do nosso carinho e de compreensão.

Na área espiritual ocorre algo parecido. A falta de educação religiosa pode causar confusão na vida de uma pessoa. Se os pais não educam os filhos para Deus desde o nascimento, a fé que eles recebem no batismo murcha e a Palavra de Deus não produz frutos neles. Quem somos, de onde viemos e para onde vamos? Qual é a nossa identidade?

Quantas pessoas há no mundo que não sabem de onde vieram, para que estão aqui e para onde vão? Espiritualmente sem identidade. E então, diante de uma doença grave ou de um grande problema, se desesperam. Quantos adolescentes não encontram sentido para viver. Ficamos assustado com o alto índice de suicídios entre jovens e adolescentes. E perguntamos: Por que? Por falta de dinheiro ou de oportunidades? Certamente essa não será  a causa principal.

Pode ser por falta de amor mas sobretudo por falta de identidade cristã! Se não soubermos de onde viemos, para que estamos neste mundo e para onde vamos, que sentido faz o sofrimento? Que sentido faz a solidão? Que sentido faz a vida? Se a nossa vida termina num túmulo mesmo, para que lutar tanto? A vida se torna um sem sentido.

A fé cristã ajuda a definir a nossa identidade espiritual. Somos seres humanos criados por Deus e predestinados a ressuscitar com Cristo, primícia dos que morreram, escreve São Paulo aos Coríntios na segunda leitura de hoje.

A Festa da Assunção de Nossa Senhora é precisamente um convite para olhar para o céu onde Nossa Senhora é glorificada em corpo e alma junto a Jesus ressuscitado, onde nós também somos esperados. A Assunção é o pré-anúncio da ressurreição final. Viemos de Deus, estamos aqui para amar a Deus e o próximo, e o nosso destino é ser levados ao céu como Nossa Senhora.

Mas o Apocalipse diz que somente ressuscitam em Cristo aqueles que perseverarem até o fim. E para perseverar até o final, é necessário ter uma identidade cristã definida, saber qual é o nosso destino, caso contrário desanimamos pelo caminho.

Como é importante a educação cristã nos nossos lares! Como é importante falar de Deus na família, rezar com os filhos, trazê-los à missa, trazê-los ao catecismo. Isso faz com que eles cresçam com esperança e com valores. No futuro, nos momentos das dúvidas e das dificuldades, essa semente, plantada em terra boa, nos corações das crianças, produzirão bons frutos.

Os jovens e adolescentes acreditam nas mesmas convicções que os pais professam. Mas se os pais não praticam e não falam de Deus, de que semente estamos falando?

Que a celebração da Festividade de Nossa Senhora assunta ao céu sirva para despertar-nos da nossa indiferença espiritual.

Nossa Senhora é Mãe, nos leva a Jesus e nos ensina que Deus é a nossa meta e que Ele pode fazer grandes obras em nós: “Todas as gerações me chamarão bem-aventurada porque o Senhor fez em mim maravilhas”.

Maria arrasta a humanidade para a adoração do seu Filho. Por isso, a devoção a Maria nos leva à Eucaristia, à plenitude da comunhão com seu Filho.

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