margarethCATOLICO, BRASILEIRO, IMIGRANTE E O EXERCICIO DA CIDADANIA

Meu neto Jakob tem 10 anos, me fez a seguinte pergunta:

“Porque vocês brasileiros são tão religiosos?”

Me pegou de surpresa porque eu nunca tinha relacionado “ser brasileira” com “ser religiosa”, pensei um pouco e disse: porque no Brasil a Igreja e parte da nossa família, nos encontramos na Igreja, fazemos festa na Igreja, quando estamos alegres vamos a Igreja, quando estamos chateados reclamos na Igreja, quando as coisas ficam difíceis vamos chorar na Igreja, quando fazemos algo errado corremos para pedir perdão na Igreja.  A religião faz parte do nosso dia a dia, temos um relacionamento íntimo com nossa Igreja, nela nos sentimos “em casa”.

Meu neto, nos seus dez anos, ficou satisfeito com a resposta, mas eu não parei mais de pensar no assunto. O que somos e o que o outro pensa que somos. Como família trabalhamos para nos mantermos financeiramente, educarmos nossos filhos e esperamos que  tenham  um futuro melhor . Nesta caminhada em busca de “sucesso” as vezes nos mesmos, o outro, e o hoje, nos escapa entre os dedos. Como brasileiros a religião e parte do nosso dia a dia, herança histórica resultado da incrível mixigenacão da raça branca, índia e negra, com raízes profundas em várias crenças e cultos, mas com uma marca forte e singular da colonização por um país católico. Assim não percebemos que nossos filhos e netos nascendo em um outro pais, sendo educados em uma outra sociedade, na maioria das vezes não tem oportunidade de vivenciar a vida religiosa comunitária da mesma forma que nós tivemos, dado ao fato de termos nascido em um pais de maioria católica como no Brasil.

Como imigrantes avaliamos   e somos avaliados o tempo todo,  como nos vestimos …o que comemos …  Como vivemos … como nos abraçamos  …  Como celebramos… como dançamos …nossas crenças …   Nosso sentimento pelo pais onde nascemos  … a saudade que sentimos … como criamos nossos filhos  .. A nossa história individual e coletiva .

Como católicos temos a benção de termos nascido e de vivermos , em um período histórico , e em países   onde somos livres  para exercermos nossa religião , do nosso jeito,  no nosso grupo pastoral , com as celebrações, as festas,  na nossa língua nativa.  Este privilegio não deve nos  separar dos demais membros da nossa família, da nossa Igreja, da nossa comunidade, da nossa sociedade.   E importante que, como católicos, participemos da Igreja como um todo, assim como da nossa sociedade  como um todo, abraçando a diversidade cultural como fator de enriquecimento da nova família e da nova comunidade, resultante do casamento das diferentes culturas,  sem perder a característica que nos define que é a nossa FÉ.

Um dos principais mandamentos do Católico e “AMAR AO PRÓXIMO COMO A SI MESMO” a forma mais plena do exercício deste amor e   contribuindo para construção de uma sociedade cada vez mais justa, cada vez mais igualitária. Para isto precisamos nos abrir, precisamos sair do conforto da nossa família, do nosso grupo e nos encontramos com os “outros”, nossos próximos, aqueles que não são da mesma pastoral aqueles que não são do mesmo grupo de oração, aqueles que não falam a mesma língua , pessoas e grupos com quem dividimos o mesmo espaço, com horários e manifestações religiosas diferentes, em línguas diferentes mas com o mesmo objetivo “VIVER COMO CRISTAO”.

A violência, o alcoolismo, o trafego de pessoas, a situação do imigrante indocumentado, a exploração financeira, os menores que estão atravessando sozinhos a fronteira fugindo da violência na América Central, são problemas sociais concretos e nos como Brasileiros Católicos e imigrantes não podemos fechar nossos olhos a eles.   Levantarmos nossas vozes e somando as outras vozes, defendo o direito a um futuro melhor para TODOS, independente da nacionalidade e viver em comunidade, e exercer o DIREITO E A OBRIGACÃO DO CIDADÃO.

Vamos juntos como Católicos, com ações, deixarmos nossa herança para nossos filhos e netos.

Margareth Basílio Shepard

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