Como administrar a nossa vida?

Pe. Volmar Scaravelli, c.s.

parabola-do-administrador-infielA conclusão do evangelho deste 25º. domingo ensina-nos como devemos administrar a nossa vida.  “Ninguém pode servir a dois senhores, porque odiará a um e amará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro”. Nesta sociedade globalizada em que o dinheiro é o fundamento de quase todas as grandes decisões, money talks, qual deve ser a atitude cristã? Como administrar o dinheiro e como administrar a vida?

O profeta Amós na primeira leitura denuncia os ricos que roubavam os pobres sem piedade; roubavam na medida, no peso e na qualidade da mercadoria; roubavam em dia de semana e até em dias santos. “Nunca mais esquecerei o que eles fizeram” diz o Senhor.

No evangelho Jesus conta a parábola do Administrador infiel e desonesto e o coloca como exemplo de esperteza e de ensinamento de como administrar a nossa vida. Ao saber que ia ser despedido o mordomo chamou aqueles que deviam ao patrão e condenou uma parte da dívida deles pensando que no futuro poderia precisar da sua recíproca gentileza.  Jesus não está elogiando a desonestidade tanto que chama de dinheiro injusto e ao administrador de desonesto. Jesus está dizendo que os filhos das trevas são mais espertos que os filhos da luz. Que é preciso ter sabedoria e rapidez de raciocínio como os filhos das trevas, mas para fazer o bem em função da vida futura.

Do ponto de vista negativo aquele administrador esbanjou o dinheiro que não lhe pertencia, roubou em proveito próprio se acaso fosse despedido e usou da esperteza para fazer novos amigos. Na Argentina chama-se “viveza criolla”, no Brasil “jeitinho brasileiro”, mas na verdade é corrupção. E sabemos o que significa corrupção porque está enraizada em todos os estamentos (segmentos) da sociedade. Há pessoas que enriquecem roubando, enganando e matando. Traficantes de drogas, deputados, senadores, gente de igrejas, de todas as classes sociais, nos Estados Unidos, no Brasil e em todo lugar, uns mais e outros menos, mas todos com alguma responsabilidade. A corrupção é obra do demônio e não de Deus. Outro dia o Papa Francisco disse que o Demônio usa de duas coisas para destruir a Igreja: as divisões internas e o dinheiro.

Jesus coloca o exemplo do administrador desonesto para ensinar como administrar a nossa vida em função do futuro, da vida eterna. Em palavras simples, devemos usar da nossa inteligência e da nossa criatividade para fazer o bem em função da vida.

Ele nos lembra que existe a possibilidade de esquecer de Deus e servir a outros senhores como seja o dinheiro. Esse processo nós chamamos de idolatria. Trata-se da idolatria das coisas materiais que às vezes de maneira bem dissimulada ocupam o lugar de Deus. Por exemplo, o dia domingo que foi criado por Deus para o descanso e para louvar a Deus desapareceu do programa da maioria das famílias na nossa sociedade ocidental, atitude sempre justificada pelo cansaço da semana ou pela necessidade ir ao mercado aos domingos por falta de tempo ou porque precisa trabalhar sete dias da semana.

Por dinheiro há quem vende a sua dignidade, a sua consciência e os seus princípios. Por dinheiro há quem não tem escrúpulos em sacrificar a vida dos demais. Por dinheiro esquece-se de Deus, da família e dos amigos.

O dinheiro é necessário para uma vida com qualidade e dignidade, mas o dinheiro passa a ser um ídolo quando nos escraviza e nos torna insensíveis a Deus e às necessidades dos outros. As riquezas, portanto, devem ser um meio para fazer amigos para a vida eterna, deve servir de instrumento de comunhão entre as pessoas e comunhão com Deus.

Aprendamos a usar a nossa criatividade para anunciar a mensagem de Jesus. Posicionemo-nos sempre a favor da vida honesta, não percamos a capacidade de indignar-nos diante das injustiças e coloquemos Deus como princípio e fim da nossa existência. Amém.

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