PE. ANTÔNIO DOS SANTOS – AUTOBIOGRAFIA

Eu sou o Pe. Antônio Luiz Medeiros dos Santos, sou membro da Congregação dos Sagrados Estigmas de Nosso Senhor Jesus Cristo, também conhecidos como Padres Estigmatinos. Nasci no Rio de Janeiro, em 08 de maio de 1964. Sou o segundo dos cinco filhos de João e Luizete, dois meninos e três meninas. Minha família é muito religiosa, mas depois da minha primeira comunhão eu só ia à missa por causa dos meus pais. Eu gostava de esportes, filmes, dança, praia, aventuras, música… (Ainda gosto!!).

Quando eu tinha 15 anos eu estava interessado em uma garota e ela se inscreveu para fazer a Crisma, então eu decidi fazer o mesmo… só para estar por perto dela. Bem!! Após a Crisma me envolvi nas atividades da paróquia: Grupo jovem, esportes, RCC, visita ao asilo de idosos, participação em muitas campanhas para ajudar os necessitados… me tornei catequista… Fui coordenador do Grupo jovem… Uma vez uma das Irmãs da minha paróquia me perguntou se eu não gostaria de ser padre. Eu disse que não. Eu tinha minha namorada…. Estava estudando… Mas aquela pergunta ficou ressoando no meu coração e depois de um bom tempo comecei a pensar em ser sacerdote.

A garota ??? Bem!! Nós estivemos namorando por um tempo, mas depois decidimos ser apenas amigos. Olhando para trás agora eu posso dizer que: a garota foi a isca que Deus usou para me pescar de volta para a Igreja e depois de estar integrado nas atividades da paróquia Ele me apresentou a proposta de consagrar a minha vida. Do mesmo jeito que o profeta disse, eu também posso dizer: “ Seduzistes-me, Senhor; e eu me deixei seduzir! Dominastes-me e obtivestes o triunfo. ” Jeremias 20, 7-13. Mas… Nesse meio tempo…

Depois de terminar o secundário (agora ensino médio), entrei para as forças armadas, servi o meu país na Aeronáutica, ali estive por 3 anos e aprendi sobre liderança, administração, artes marciais, trabalho em equipe, responsabilidades, etc. Missão ali tinha uma conotação diferente… É aquilo que você é designado a fazer, e você tem que fazer bem ou vai para a cadeia.” Jargões como: “A força do militar é o pelotão, e a força do pelotão é o militar” e também “Não existe ‘eu’ nas forças armadas, existe NÓS”, sempre nos acompanhavam. Coisas deste tipo estavam escritas nas paredes e sempre me pareceram muito aplicáveis à vida de comunidade.
Quando concluí meu tempo no serviço militar, entrei para o Seminário da Ordem dos Mínimos de São Francisco de Paula. Como seminarista, fiz pastoral nas favelas de São Paulo. Aprendi a tocar violão, estudei filosofia, canto, teologia. Durante o meu noviciado em Guarapuava – PR, (1988) fazíamos visitas pastorais em um acampamento de sem Terras. Ouvi as suas dores e histórias. Lembro que fizemos uma campanha de Natal e arrecadamos alimentos, roupas e brinquedos para eles, ficaram muito felizes. Foi lindo ver Deus sorrindo por meio dos seus olhares, particularmente das crianças. Estive 6 anos naquela Ordem, mas eu queria ser missionário, eles não eram então saí.

Estive um ano (1992) como externo na Diocese do Rio de janeiro, assim pude dar continuidade à minha Teologia. Naquele ano aprendi a pintar camisas e trabalhar com madeira com o meu irmão, que liderava este tipo de trabalho com a juventude da nossa paróquia.

Em 1993 estive com os Missionários do Verbo Divino (Verbitas), ali tive a oportunidade de trabalhar com o povo das ruas por um ano. Foi chocante ver a degradação e o sofrimento de tanta gente, mas ao mesmo tempo foi estimulante estar ali para eles, os ouvir, ver a sua confiança em Deus. Grandes gestos de fé e solidariedade vi entre eles. Mas ainda não era ali que Deus me queria.
Em 1995 finalmente entrei para os Estigmatinos e de cara fui enviado para o sertão nordestino (Ituaçu e Livramento), região da seca. Ali aprendi muito com o povo, além de religião trabalhei também com alimentação e medicina alternativas e participei de seus momentos de vida e fé.
Foram 6 anos de preparação com os estigmatinos, nos últimos 4 anos me sugeriram estudar Inglês em preparação para ir para a África do Sul, mas durante esse tempo dois dos nossos padres foram assassinados lá no local para onde eu estava designado, então os superiores decidiram mudar minha destinação.

Em 23 de setembro de 2000, fui ordenado sacerdote e minha primeira designação foi no Paraguay… É isso aí!!! Depois de 4 anos estudando inglês fui enviado para um país que fala espanhol e Guarany… Fala sério!!! Mas quer saber??? Era exatamente ali que Deus me queria!!! Era exatamente ali que Ele precisava de mim. Embora tenha sido difícil no começo, foi uma ótima e desafiadora experiência. Vivi ali por 4 anos, aprendi espanhol e um pouco de Guarany trabalhando com gente muito boa, simples e de muita fé, numa paróquia com muitas comunidades rurais a serem atendidas.

Nós éramos 3 padres atendendo aquela paróquia. Por 3 anos participei do programa de rádio diário da paróquia, os 2 últimos anos como coordenador. Foi uma experiência fantástica ver a forma como aquelas pessoas expressavam a sua fé, se relacionavam com Deus e também ver como Deus se revela tão belo naquela cultura. Eram muitas comunidades rurais a serem atendidas, algumas bem distantes, a maior parte dos caminhos eram estradas de terra. Para duas comunidades era mais rápido ir de barco até certo ponto e depois a cavalo. Se houvesse chuva, não deveríamos sair ou ficaríamos atolados no caminho… Eu fiquei!!! Kkkkk Isso foi aventura!!!

Depois disso, em 2005, eu fui convidado para vir para os Estados Unidos me integrar a uma nova equipe missionária em Sacramento, CA. Lá nós éramos responsáveis por duas paróquias bilingues, em uma atendíamos em Inglês e Espanhol (mexicanos em sua maioria) e na outra em Inglês e Português. Três idiomas. (Entendeu porque Deus me queria no Paraguay??) Essa foi uma missão muito desafiadora e ao mesmo tempo muito interessante, pois cada cultura tem suas formas específicas de se relacionar uns com os outros e com Deus. Três línguas diferentes; 3 culturas diferentes; 3 maneiras diferentes de expressar a fé, Wow!! No começo foi difícil, e para facilitar, para que eu me sentisse seguro e em controle, tentei padronizar: “Todo mundo tem que fazer as mesmas coisas da mesma maneira.”

Bom!! Não foi uma boa ideia. Eu não estava feliz, eles não estavam felizes. Então eu decidi sair da minha zona de conforto e me abrir ao diferente … e gradualmente, eu pude ver a beleza da expressão da fé desses três grupos culturais e também o belo rosto de Deus revelado através deles. Eu posso lhes dizer que eu pude ver Deus sorrindo através da expressão de fé de cada grupo das nossas duas paróquias. Depois disso, já não me foi mais possível padronizar a expressão de fé. Eu não posso colocar limites à ação de Deus. Eu não posso não aproveitar todas as formas que Deus, a Igreja e a vida oferecem para celebrar a fé com alegria e para chegar cada vez mais próximo do Pai, e eu queria compartilhar isso… compartilhar os sorrisos de Deus. Então, na missa com um grupo eu trazia alguns “sorrisos de Deus” de outro grupo, e eles gostavam disso. Durante o tempo em Sacramento experimentei um pequeno terremoto.

Vivi ali por 8 anos e em outubro de 2013, fui designado para uma missão no Brasil, onde estive por 8 meses, de volta à cidade de Ituaçu, no sertão da Bahia. Em setembro 2014 eu tive que voltar para os EUA, desta vez na Flórida, na Diocese de Saint Augustine onde servi em 3 paróquias: • Na Paróquia Nuestra Señora del mar, em Flagler Beach, onde eu morava, trabalhei com a comunidade norte-americana. • Na Paróquia St. Elizabeth Ann Seton, em Palm Coast e no Mosteiro dos Carmelitas em Bunnell estive atendendo à comunidade Portuguesa. • Na Paróquia Saint Joseph, em Jacksonville atendi à comunidade brasileira e ajudei em um programa de rádio em espanhol. Meus domingos eram novamente trilíngues. Sempre tentando partilhar com as pessoas os sorrisos de Deus.
Eu e o cavalo. PS.: O cavalo é o de baixo. Kkkkkk
Durante o tempo na Flórida eu experimentei 2 tornados e 1 furacão. (17/11/14) – 1a. EXPERIENCIA DE TORNADO… ESCABROSA!! Era meu dia livre – segunda feira, + ou – 12:30 – Estávamos passeando, eu e 3 amigos brasileiros. De repente, apesar de que o dia estava azul e ensolarado, todos os celulares começaram a emitir o som de alarme, dando o alerta de tornado e avisando para buscar abrigo imediatamente. Corremos para o carro e saímos voando à procura de abrigo, como o sinal estava verde para nós, entramos à esquerda na Av. principal e demos de cara com aquela onda cinzenta e violenta de chuva que, apesar de ser dia claro, vinha trazendo escuridão e ventos fortíssimos, arrastando galhos, lixo, lixeiras, pedaços de madeira e tudo mais pelo caminho. Era como uma parede vindo em nossa direção, já perto demais para desviar. Entramos de frente na coisa, era como estar num filme de terror, não podíamos parar. Barulho horrível. Chuva tão forte que não dava para ver 1 metro adiante, coisas voando à nossa volta, foram quase 10 minutos de pesadelo. Fizemos o sinal da cruz e comecei a cantar repetitivamente 1 canto que diz: “Guarda-nos Senhor, com teu amor, por onde andarmos guarda-nos Senhor.” Apesar de assustados logo os quatro estávamos cantando juntos, no meio do tornado. Atravessamos aquela parte da tempestade e chegamos ao lugar seguro para onde estávamos indo. Graças a Deus tudo terminou bem. Pelo que pude entender entramos no tornado mas passamos pela região periférica do mesmo, a sua parte central causou estragos muito grandes na região que atingiu.

Em 30 de junho, meu tempo naquela Diocese terminou e consegui uma nova designação. Em 18 de agosto, eu estava chegando à Arquidiocese de Massachusetts na Igreja St. Charles Borromeo, na cidade de Woburn. Onde eu estou servindo atualmente. Desta vez trabalho em apenas uma paróquia, mas ela é trilíngue, ou seja, vale por 3. Atendo as comunidades inglesa, hispânica e brasileira. Aqui tive o meu primeiro inverno e Natal brancos (até hoje a neve que caiu na minha barba não derreteu. Kkk). Dois meses depois de minha chegada o outro padre (Pe. Shea) adoeceu e esteve internado por quase 3 meses, fiquei sozinho numa paróquia trilíngue, mas com a clara sensação de que eu estava exatamente onde eu tinha que estar, era ali que Deus precisava de mim. O Pe. Shea retornou e tudo voltou ao normal. O dia-a-dia tem me desafiado a apresentar respostas às necessidades desta parcela do Povo de Deus, esta parcela representa 3 grupos étnicos distintos e não quero deixar ninguém desatendido.

Como eu disse antes. Sou membro da Congregação dos Sagrados Estigmas de Nosso Senhor Jesus Cristo, uma Congregação católica de padres e irmãos, fundada por São Gaspar Bertoni em Verona, Itália, em 1816. Tudo começou durante a Revolução Francesa e as invasões Napoleônicas, quando um jovem sacerdote, Pe. Gaspar Bertoni, vendo as consequências da guerra em seu povo, decidiu fazer algo por seus concidadãos. Juntamente com alguns outros companheiros, ele formou uma comunidade que buscava a perfeição através do estudo, oração e do serviço aos necessitados, fazendo um trabalho que visava: apoiar, orientar, ajudar e trazer esperança para a vida de seu povo. Levando em conta todas as realidades do sofrimento humano, mas, dedicando-se especialmente à infância e juventude, através dos oratórios marianos que proporcionavam: lazer, educação religiosa, humana e profissional. Eles viviam na Igreja dos Sagrados Estigmas e sua residência, embora simples, durante o dia funcionava como escola e à noite os acolhia para o merecido descanso. Devido ao seu modo de vida e trabalho, logo outros jovens se juntaram a eles, querendo se integrar e vivenciar a experiência daquele grupo. O grupo cresceu e se tornou nossa família religiosa, os estigmatinos. Estamos presentes em muitas partes do mundo onde buscamos traduzir nossa missão e carisma em motivação e encorajamento para o povo de Deus, concretizando os projetos divinos de acordo com as propostas de São Gaspar Bertoni.

Para saber mais sobre os Estigmatinos, acesse http://www.estigmatinos.com/
Foto

Saint Charles

Padre Antonio dos Santos, CSS

781-933-0300 ; fax 781-932-7581

frantony@sccwoburn.com

280 Main St, Woburn, MA, 01801

Atividades

Missas

Domingos 10:00 am

Grupos e Pastorais

  • Catequese: Domingo após a Missa das 10:00
  • Preparação para Batismo: Conforme solicitação
  • Batismo: Segundo Domingo de Cada Mês

Secretaria

Confissões e Atendimento do Padre

Saint Charles Parish

Fundada em 1862

04 de Novembro – São Carlos Borromeu

A obra de são Borromeu, um dos santos mais importantes e mais queridos da Igreja, poderia ser resumida em duas palavras: dedicação e trabalho. Mas para fazer justiça, como ele sempre pregou, temos de acrescentar mais uma, sem dúvida a mais importante: humildade. Oriundo da nobreza, Carlos Borromeu utilizou a inteligência notável, a cultura e o acesso às altas elites de Roma para posicionar-se na frente, ao lado e até abaixo dos pobres, doentes e, principalmente, das crianças.

Nasceu no castelo da família em Arona, próximo de Milão, em 2 de outubro de 1538. O pai era o conde Gilberto Borromeu e a mãe era Margarida de Médicis, da mesma casa da nobreza de grande influência na sociedade e na Igreja. Carlos era o segundo filho do casal, e aos doze anos a família o entregou para servir a Deus, como era hábito na época. Com vocação religiosa acentuada,penitente, piedoso e caridoso como os pobres.

Levou a sério os estudos diplomando-se em direito canônico, aos vinte e um anos de idade. Um ano depois, fundou uma Academia para estudos religiosos, com total aprovação de Roma. Sobrinho de Pio IV, aos vinte e quatro anos já era sacerdote e bispo de Milão. Na sua breve trajetória, deixou-se guiar apenas pela fé, atuando tanto na burocracia interna da Igreja quanto na evangelização, sem fazer distinção para uma ou para a outra. Talvez tenha sido o primeiro secretário de Estado no sentido moderno da expressão. Formado pela Universidade de Pávia, liderou uma reforma radical na organização administrativa da Igreja, que naquele período era alicerçada no nepotismo, abusos de influências e sintomas graves de corrupção e decadência moral.

Para isso conquistou a colaboração de instituições, das escolas, dos jesuítas, dos capuchinhos e de muitos outros. Foi um dos maiores fundadores que a Igreja já teve. Criou seminários e vários institutos de utilidade pública para dar atendimento e abrigo aos pobres e doentes, o que lhe proporcionou o título de “pai dos pobres”. Orientou muitas Ordens e algumas que surgiram depois de sua morte o escolheram para padroeiro, dando continuidade à grandiosa obra de amparo aos mais pobres que nos deixou. Contudo tudo foi muito difícil, porque encontrou muita resistência de Ordens conservadoras. Aliás, foi até vítima de um covarde atentado enquanto rezava na capela. Mas saiu ileso e humildemente perdoou seu agressor.

Chegou 1576 e com ele a peste. Milão foi duramente assolada e mais de cem padres pagaram com a própria vida as lágrimas que enxugaram de casa em casa. Um dos mais ativos era Carlos Borromeu. Visitava os contaminados, levando-lhes o sacramento e consolo sem limites nem precauções, num trabalho incansável que lhe consumiu as energias. Chegou a flagelar-se em procissões públicas, pedindo perdão a Deus em nome de seu povo.

Até que um dia foi apanhado, finalmente, pela febre, que minou seu organismo lentamente. Morreu anos depois, dizendo-se feliz por ter seguido os ensinamentos de Cristo e poder encontrar-se com ele de coração puro. Tinha apenas quarenta e seis anos de idade, quando isso aconteceu no dia 4 de novembro de 1584, na sua sede episcopal, na Itália. O papa Paulo V canonizou-o em 1610 e designou a festa em homenagem à memória de são Carlos Borromeu para o dia de sua morte.

(www.paulinas.com.br)

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