A Cruz, sinal do Amor de Deus

Pe Scaravelli, c.s.

Alguns povos na antiguidade rendiam culto à serpente; inclusive, em algum momento, os hebreus também. A serpente era adorada como divindade protetora e curadora. O texto do livro dos Números fala a respeito e mostra como Israel assimilou esse culto que era símbolo de proteção de Javé conduzindo o povo na caminhada através do deserto para a terra de Canaã.

Para o evangelista João no evangelho que acabamos de proclamar, a imagem da serpente antecipa a figura de Jesus Crucificado, sinal de salvação: “Do mesmo modo que Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado para que todos aqueles que creem nele, tenham vida eterna”.

Muitas pessoas são indiferentes à cruz; outros tratam a cruz com superstição atribuindo-lhe poderes extraordinários, já vimos filmes de terror onde com a cruz se enfrenta o mal e se vence; há quem lhes dá um sentido mais cristão: símbolo da vitória de Jesus sobre o pecado e a morte eterna. A cruz também representa as nossas lutas e sofrimentos.

No evangelho de hoje, João diz: “Pois Deus amou tanto o mundo que deu o seu próprio Filho, para que não morra todo o que nele crê”. São Paulo completa dizendo que a morte ignominiosa de Jesus foi para mostrar o grande amor que Deus tem para conosco. Jesus entregou a sua vida e nos amou até à morte, e morte de cruz.

A cruz era sinal abominável: “Loucura para os pagãos e vergonha para os judeus, diz S. Paulo, mas eu me vanglorio na Cruz de Cristo. Jesus morreu por mim, por ti, por nós todos. “Porque Deus amou tanto o mundo que enviou o seu próprio Filho para que todos os que creem nele tenham a Vida Eterna”.

Não é idolatria venerar a Cruz de Cristo porque nela nós adoramos o que ela representa: o Mistério da Salvação. “Nós vos adoramos ó Cristo e vos bendizemos, porque pela vossa Santa Cruz redimistes o mundo” cantamos no Via-sacra.

Nós acreditamos que Deus vive, que Jesus ressuscitou, e acreditamos que o Cristo Ressuscitado é mesmo Cristo da Cruz. Tudo por amor.

 – Porque é fácil aceitar o Cristo da Vitória da Ressurreição, mas é difícil aceitar o Cristo da crucificação.

– É fácil aceitar o Cristo milagroso que cura os doentes, difícil é aceitar as doenças, difícil é aceitar o Cristo que nos manda cuidar dos doentes, dos idosos, do sogro, da sogra.

– É fácil aceitar o Cristo da multiplicação dos pães, difícil é aceitar o Cristo que manda repartir o pão com os mais necessitados.

– É entusiasmante o Cristo dos discursos bonitos, das pregações que emocionam, mas é difícil aceitar sua Palavra que denuncia a nossa mentira, nossas traições, nossos defeitos.

– Na sociedade pós-moderna em que vivemos há um medo exagerado das cruzes, de tudo o que é sofrimento. Muitos pais erram ao educar os filhos justamente por esse sentimento de medo, superproteção, os filhos sempre estão certos, a professora está errada e sabemos que há filhos na prisão por excesso de amor de mãe. Há filhos separando-se por excesso de amor de mãe.

A maior prova do amor de Deus foi entregar seu próprio Filho à morte de Cruz. O amor exige sacrifício. Quem ama se sacrifica pelo outro.  Muitas vezes as cruzes na nossa vida também são provas do amor de Deus e não castigos. Mas elas só, tomam sentido   quando nós as unimos à Cruz de Cristo e as carregamos com amor.

Quaresma é tempo propício para analisar se nós carregamos as cruzes da nossa vida com valor, com confiança e com amor e se temos consciência do grande amor com que Deus nos amou.

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