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2° Domingo do Tempo Comum – A

15 de janeiro de 2017

LEITURAS

1ª leitura: Is 49,3.5-6 = Farei de ti luz das nações, para que sejas minha salvação

Salmo Responsorial: Sl 39 = “Eis que venho, Senhor, para fazer tua vontade”

2ª leitura: 1Cor 1,1-3 = A vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e de Jesus

Evangelho: Jo 1,29-34 = Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo

Primeiro olhar

A escolha divina sempre acontece em função de ser luz, de iluminar a terra com a luz divina e não como privilégio. Quem é escolhido de Deus, como Jesus Cristo, é convidado a se dispor totalmente ao serviço divino dizendo: “eis que venho para fazer a vossa vontade”.

ILUMINADOS PELA PALAVRA

Não uma pessoa, mas o povo é o servo escolhido por Deus para testemunhar a bondade divina a todas as nações. Talvez, nem todo o povo, mas aquela parte o povo que se manteve fiel ao Senhor, no difícil e conturbado tempo do exílio, aqueles que representam a glória divina na terra. A este povo (o resto de Israel) Deus demonstra uma predileção especial quando diz: “tu és o meu servo, Israel” (1ª leitura).

Mas, tem um particular. Nesta, como em todas as escolhas divinas, aqueles que foram escolhidos (eleitos) por Deus sempre o foram para serem ofertados aos outros. Deus nunca escolhe alguém para si e para privilegiar a pessoa, mas para ser servidor do povo e de toda a terra, como no caso da profecia de Isaias (1ª leitura). Deus sempre escolhe alguém para ser luz que anuncia um tempo novo. É a conclusão da profecia de Isaias, nesta Liturgia: “eu te farei luz das nações, para que minha Salvação chegue até os confins da terra” (1ª leitura).

A resposta, em total e irrestrita disponibilidade, está no salmo responsorial: “então eu disse: eis que venho, com prazer faço a vossa vontade”. Garante assim sua fidelidade a Deus porque guarda em seu coração a Lei divina. Neste sentido, vale a pena lembrar ainda o final do poema sálmico: “vós sabeis, não fechei os meus lábios”. Quer dizer, não apenas a disposição, mas também a garantia de que falará, que não ficará calado. É a assinatura (o selo) de um compromisso profético com Deus. O compromisso de não calar a Palavra divina na terra.

Jesus, como demonstrado no Evangelho desta celebração, assume plenamente o compromisso profético de testemunhar a presença de Deus em favor da humanidade, mas do jeito divino. João o apresenta de modo inusitado: “eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Evangelho). A compreensão do termo “servo de Deus” e sua relação com o serviço ao povo esclarece-se na sua origem, em língua aramaica. Nesta língua usa-se uma única e mesma palavra para “servo” e “cordeiro”. Nas antigas religiões, o cordeiro era o animal mais escolhido para ser sacrificado porque não oferecia resistência. Era manso e obediente; como um servo de Deus deve ser. Isaias, no canto do Servo de Javé, compara o servo a um cordeiro que sem reclamar é conduzido ao sacrifício, ao ofertório de sua vida (Is 53,7). Não cria resistência porque é manso. É na mansidão, isto é, na obediência de quem se coloca totalmente nas mãos de Deus, que o “Cordeiro de Deus” (o servo de Deus) vence o pecado do mundo. Não na gritaria e nem com a violência, mas na mansidão e na humildade e com a mansidão e com a humildade, ele vence o pecado, no singular; não fala de pecados (Evangelho). Coloca-se a serviço do projeto divino para vencer o pecado e fazer o bem a todo o povo.

A força da vitória não se encontra no servo, mas no Espírito Santo que vive no servo. João não diz somente que o Espírito pairou sobre o servo, mas que desceu e permaneceu no servo (Evangelho). Deus é aquele que permanece e por isso, graças ao poder do Espírito Santo em Jesus, ele se torna fonte de vida nova para todo aquele que com ele se encontrar. Quanto a isso, a título de ilustração, quando Jesus encontra-se com Nicodemos, diz que é preciso nascer do Espírito para se tornar homem novo (Jo 3,6). A conclusão do Evangelho é um convite para se confiar totalmente ao Senhor, tornando-se discípulo e discípula de Jesus porque “este é o Filho de Deus” (Evangelho).

ILUMINADOS PELA VIDA

Minha reflexão continua a partir da conclusão de “Iluminados pela Vida”, anunciando Jesus Cristo como Filho de Deus. Não vamos entrar no mérito de todo o suporte Bíblico, do qual João se serviu para descrever e apresentar Jesus como o Filho de Deus, mas do projeto de vida que o mesmo encerra.

A apresentação de Jesus como Filho de Deus pode também ser considerada um convite ao seguimento. Um convite presente no início do Evangelho e, no contexto Litúrgico do início do Tempo Comum, como dimensão epifânica e como convite para seguir Jesus através do discipulado. Convite não para seguir um mestre qualquer, mas seguir o próprio Filho de Deus, tornando-o Mestre de nossas vidas pessoais e da comunidade. Isto significa fazer-se discípulo e discípula do Filho de Deus.

O segundo elemento do convite é a finalidade. Para que seguir Jesus? Se é Filho de Deus, compreende-se que o seu seguimento diviniza quem o segue. Divinizar-se é entrar na estrada da santidade, é o convite para se tornar santo porque Deus nosso Pai é Santo (Mt 5,48). Sendo Deus, Jesus vence o pecado e liberta do mal e da maldade. Isto significa que o discípulo e discípula entram na lógica da bondade divina e quem o segue torna-se bondoso pela presença do Espírito Santo em sua vida. Em outras palavras, o seguimento de Jesus vai modelando discípulos e discípulas de acordo com o seu divino Coração. Estes dois elementos (embora tenham outros) ajudam-nos a compreender a proposta divina, na profecia de Isaias (1L): fazer da comunidade de discípulos e discípulas uma luz para testemunhar a Salvação em toda terra.

O espaço não nos permite muitas considerações, por isso, me limito a uma, indo para a conclusão. A formação do evangelizador (aquele que se coloca a serviço do Evangelho) não acontece unicamente pelo conhecimento intelectual do Evangelho e nem tampouco pela facilidade da comunicação oral. São elementos importantes e necessários. Mas a verdadeira formação acontece colocando-se no seguimento de Jesus e deixando que o coração seja modelado pelo Mestre, que é o Filho de Deus. Deixar-se modelar pela divindade através do contato permanente, como um discípulo e discípula com o Divino Mestre.

Eis, pois, o programa de vida para este novo Tempo Litúrgico: seguir o Filho de Deus no decorrer deste tempo, permitindo que ele modele o coração de cada um de nós para que tenhamos um Coração semelhante ao dele.

(Francisco Régis)

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