exaltação3Os bons monges do Monastério de Santo Antônio em Isenheim, Franca, encomendaram ao pintor Matthias Grunewald a pintura que vocês veem ao lado com uma finalidade explicita: a cura e libertação do Fogo de Santo Antônio. Esta pintura, parte central do tríptico que constitui o altar da igreja, apresenta aos nossos olhos um Jesus coberto de feridas, muito ksemelhantes as que afligiam as vítimas da doença que os monges pacientemente e corajosamente tratavam. Aquele Jesus afligido e exposto ao olhar dos penitentes e peregrinos servia assim a dupla função de inspirar a piedade e instigar a regeneração dos necessitados em carne e espirito. “Observação e observância”, Cristo triunfa sobre a dor e a degradação trazendo para si os males da humanidade em efígie e em realidade. Hoje em dia carregamos literalmente em nossas mãos as imagens de assaltos e assassinatos, guerras e insurreições, doenças e patologias que constituem o calvário diário da humanidade. Cansados de contemplar tantas cenas de horror e degradação, desligamos nossos aparelhos e nos declaramos contra mundum. O que realmente precisamos e aprender a nos aproximarmos desta cruz cotidiana sem medo e sem temor, para que possamos compreender mais a nós mesmos e melhor servir ao nosso irmão. Que Nicodemos e Bernardo sejam nossos guias e que a Cruz de Jesus, para sempre exaltada, seja a nossa Luz! O Dia da Festa da Exaltação da Cruz, encontramos Jesus a conversar com Nicodemos, um fariseu. Esta conversa acontece na calada da noite e a luz do luar, longe das multidões e a da azafama do dia. Trata-se de um encontro pessoal e intimo entre Aquele Que Sabe e aquele que quer saber. Este homem, Nicodemos, era um sábio, um erudito, um membro do conselho supremo, o Sinédrio. Um homem de autoridade, certamente um homem de posses. No entanto, ele não se aproxima de Jesus como aquele que e sabido: ele se permite duvidar. Ele sabe dos signos, ele reconhece a evidencia da divindade do Cristo: “Ninguém pode fazer esses milagres que fazes, se Deus não estiver com ele.” (Jo 3,2). Nicodemos não compreende bem o que significa nascer de novo (“Como pode um homem renascer, sendo velho?”) porque ainda ele precisa ele mesmo ser regenerado pela fé. Em sua infinita paciência, o Mestre responde. Vejam bem, tenham isto em mente: Jesus conhece aquele homem, Nicodemos por inteiro. Ele sabe cada palavra que vai ser dita e cada gesto seu, do início até o fim. Ele perscruta seu coração e sabe de sua intenção e volição, não importa quão convoluta seja. A Verdade vem de Cristo e só a Ele pertence, a Verdade e revelada a nós em sua mais completa evidencia, mas e só através da Fe que a compreendemos. Isto e nascer de novo, diz Jesus, nascemos de novo no Espirito e nos rendemos a Sua autoridade. Jesus e o remédio universal. Assim como a serpente de metal reluzente foi levantada por Moises para a cura dos afligidos pelo veneno da verdadeira praga do deserto, assim Jesus será suspenso entre o Céu e a Terra para a salvação dos nossos pecados (e assim Ele o revela a Nicodemos e a todos nos). Divino e humano, o Filho do Homem nos religara. Aquele que desceu dos céus (“Ninguém subiu ao céu senão aquele que desceu do céu”, Jo 3,13) será elevado através do abjeto sofrimento da Cruz para que nós, filhos seus, possamos também ser elevados da condição de pecado deste nosso vale de lagrimas para a vida eterna. Portanto, irmãos, e com o coração na mão, com o máximo respeito e devoção e com profundo agradecimento que devemos nos aproximar da Cruz. O madeiro nos ensina que é possível sempre nos regenerarmos, que nascemos de novo a cada queda, que toda hesitação e dúvida e verdade que cala o coração nos alimenta e nos faz crescer. Não e a toa que o Fariseu não compreendeu o que Jesus queria dizer, ele mesmo não certo da fé, progredindo aos sobressaltos como vai acontecer com todos nós. E Nele, por Ele e para Ele que tudo é gerado. Dele tudo vem e a Ele tudo volta. Nossa verdadeira natureza e revelada na conformidade com a Verdade Encarnada. A despeito da prevalência do pecado, apesar da constante, intermitente e aguda ação do Mal neste mundo, nosso destino nos carrega cada vez mais na direção da Luz, a Salvação e a Vida, arrebatados que somos, da condição de pecado pela contemplação amorosa da Cruz. Elevemos portanto nossos olhos para o Madeiro e não tenhamos medo das feridas, dos estertores e do sopro final. Junto com Maria, estejamos preparados para desce-lo e banha-lo. Que o bom Bernardo seja nosso guia para quando, junto a nossa Mae, nos prostremos para beijar os seus pés, suas mãos e finalmente trazê-lo para junto de nós em um derradeiro abraço. Ele agora desperto, vitorioso e predominante em nossa vidas!

Autor: Diácono Paulo Torrens

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