A Fe e a Misericórdia de Deus – 2o. Dom. da Páscoa

Pe Scaravelli, c.s.

Neste segundo domingo de Páscoa o evangelho narra o episódio de Tomé que estava ausente quando Jesus apareceu aos apóstolos reunidos no cenáculo e soprou o Espírito Santo. Agora ele precisa ver e tocar para crer. “Se eu não vir as marcas…não acreditarei”.

Com portas trancadas por medo dos judeus, Jesus se lhes aparece trazendo a paz e confirmando a fé. “A Paz esteja convosco”.  “ Não sejas incrédulo, mas fiel”. A insegurança e o medo os dominavam, as portas e as janelas da casa e do coração estavam fechadas. Ao soprar sobre eles o Espírito Santo, Jesus traz paz, confiança e o perdão dos pecados. “A quem perdoardes os pecados eles lhes serão perdoados”.

A experiência de Tomé é a experiência da Comunidade dos apóstolos e também nossa experiência. Custa muito mais acreditar quando não temos o Espírito Santo e quando não participamos da Comunidade.

Há um tipo de fé que exige provas físicas ou intelectuais: ver e tocar para crer. A Ressurreição de Jesus não é um simples sentimento espiritual ou um desejo de quem derrotado, não quer morrer para sempre, mas ele aparece glorificado para provar que era  Jesus  em uma nova dimensão. Ressuscitado.  Às vezes precisamos ver para crer.

Há uma fé que crê na força e no poder de Deus que age no mundo de maneira extraordinária: aparições, curas de doenças, cura das maldades. É uma fé utilitarista mas nem por isso é negativa. A primeira leitura de hoje diz que o povo procurava os apóstolos por causa dos milagres, não fala que o povo era movido pela mensagem do evangelho. A maioria dos cristãos vivemos dessa fé.

E há uma fé alicerçada na experiência de Deus, através da comunidade, da oração, da reflexão da Palavra, ao ponto de alcançar o grau contemplativo. Esta fé não é para todos.

As dúvidas de Tomé expressam a experiencia da comunidade apostólica que passa por essas três dimensões da fé.

Jesus convida a todos, independentes da dimensão de fé que tenhamos: “Não sejam incrédulos, mas fiéis”. “Felizes os que crerão sem ter visto”.

Ninguém deve pensar:  “já tenho fé suficiente” porque a fé deve ser cultivada constantemente com a oração e a reflexão até o ponto de crer em Jesus ressuscitado sem a necessidade de ver, de compreender o de buscar eventos  extraordinários.

A verdadeira fé nos leva a amar a Deus e ao próximo. “Não é aquele que diz Senhor, Senhor…” “Quem ama permanece em Deus…””Vinde benditos do meu Pai porque tive fome…sede…estava preso…”.

O segundo domingo de Páscoa foi proclamado pelo Papa J.P.II o domingo da Divina Misericórdia. Misericórdia que se expressa no perdão que Jesus nos  ofereceu quando pregado na cruz: “Pai perdoai-lhes porque não sabem o que fazem”; no perdão oferecido a Pedro, a Maria Madalena, ao bom ladrão; no perdão do Pai misericordioso, no perdão oferecido por Jesus através da Igreja a todos nós ao soprar sobre os apóstolos o  Espírito Santo: “ Recebei  o Espírito Santo, a todos os que perdoardes os pecados lhes serão perdoados…”. É a Misericórdia que junto com o dom da paz nos traz alegria.

Todos nós, todos os dias precisamos  da misericórdia divina porque todos os dias pecamos. Mas também precisamos aprender a ser misericordiosos com os demais como Jesus é conosco. É justamente para esse fim que  essa festa foi instituída.

Num mundo sem piedade e sem misericórdia como o que nos toca viver, sem compaixão e sem perdão; nesse mundo de explorados e exploradores, de torturados e torturadores, de sofredores e  indiferentes, nesse mundo dilacerado pela discórdia e pela desunião, precisamos aprender novamente do coração de Jesus manso e humilde, a ser misericordiosos como nosso Pai do céu é misericordioso.

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