Resultado de imagem para Bem aventurançasFelizes, bem-aventurados!

O início do Sermão da Montanha (cf Mt 5,1-12a) nos diz que Jesus subiu ao Monte, como Moisés, no Antigo Testamento, do Monte Sinai deu a Lei aos judeus. Jesus senta-se, como um Mestre, não na cátedra de Moisés, mas na Sua própria cátedra. Os discípulos se aproximam para escutar; e o Mestre lhes ensina, a eles, e a nós, que agora, sentados, buscamos compreender a Palavra do Senhor. “Bem-aventurado” significa feliz, ditoso, e em cada uma das Bem-aventuranças Jesus começa por prometer a felicidade e por indicar os meios para consegui-la. Por que Jesus começa falando da felicidade? Porque em todos os homens há uma tendência irresistível para serem felizes; esse é o fim que têm em vista em todos os seus atos; mas muitas vezes buscam a felicidade no lugar em que ela não se encontra, em que só acharão tristeza.

Mas, o que Jesus ensina? Feliz quem é pobre, feliz é quem chora, feliz quem tem fome e sede, quem é manso e puro, quem é misericordioso e perseguido! Caríssimos, que contraste com a nossa mentalidade! Bem-aventurado quem é pobre, quem chora, quem tem fome! Como compreender isso?

“Jesus começou a ensiná-los: Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mt 5, 2-3). Compreendamos o que Jesus quis dizer! Na Bíblia, pobre é todo aquele que se encontra numa situação de penúria, de impotência, de angústia e incapacidade. Pobre é quem se sente pequeno diante dos desafios da existência. Pobre é quem não tem o suficiente para viver, não tem casa, não tem comida, não tem trabalho; pobre é quem não tem saúde; pobre é o humilhado, pobre é o aidético, pobre é o canceroso, pobre é o discriminado; é o frágil psíquica ou fisicamente… Pobre é quem não tem voz, não tem vez, não tem sua dignidade respeitada! Pobre é o solitário, o não amado, o deprimido… Todos esses são os pobres da Bíblia.

Com as Bem-aventuranças, o pensamento fundamental que Jesus queria inculcar nos ouvintes era este: só o servir a Deus torna o homem feliz. O conjunto de todas as Bem-aventuranças traça, pois, um único ideal: o da santidade. O Sermão da Montanha nos mostrará a meta do novo homem, do cristão. Ao escutarmos essas palavras do Senhor, reavivamos em nós esse ideal como eixo de toda a nossa vida. Como nos diz o Apóstolo São Paulo: “Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação” (1Ts 4, 3). Chama cada um à santidade e a cada um pede amor: a jovens e idosos, a solteiros e casados, aos que têm saúde e aos enfermos, a cultos e ignorantes; trabalhem onde trabalharem, estejam onde estiverem.

Santo Ambrósio, Santo Hilário, São João Crisóstomo e Santo Agostinho entenderam que essa bem-aventurança se refere às lágrimas derramadas por causa dos nossos pecados; a consolação é o perdão dos pecados. “Todo pecador deve chorar”. “Chore por si mesmo e reviverá; chore fazendo penitência e será consolado com o perdão” (cfr. São Agostinho). Santo Agostinho deixou escrito que todo convertido é ferido por certa tristeza porque, além de não alegrar-se nas antigas “alegrias” da sua vida pecaminosa, tampouco possui ainda o amor das coisas eternas. É o Espírito Santo, o Consolador, quem o vai enriquecendo com a eterna alegria aqueles que perderam a alegria das coisas pecaminosas.

Estejamos atentos à advertência de Jesus! A verdade é que somente quem é pobre de verdade aceita que Deus é sua riqueza e seu tudo. Cada um de nós e a Igreja inteira somos todos chamados a pensar nas palavras do Senhor!

Terminemos com as palavras do Profeta Sofonias: “buscai o Senhor, humildes da terra, que pondes em prática seus preceitos. Deixarei entre vós um punhado de homens humildes e pobres”. Que o Senhor nos conceda a graça de estar entre esses pobres que vão colocando somente n’Ele a sua esperança!

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro

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