festa junina bandeirasCelebremos a vida!
 
 “Ver, julgar  e agir”, é um método de análise usado especialmente pela  Igreja no Brasil e na América Latina  desde a década dos sessenta. Seguindo a orientação dos bispos da América Latina através do documento de Medellín (1968) e influenciado pela Teologia da Libertação, esse método nos ajuda a: ver a realidade em que vivemos, julgar essa realidade a partir da leitura das Sagradas Escrituras e agir segundo a inspiração do Espírito Santo. Deus o encontramos e escutamos sua voz também a partir da nossa realidade, muitas vezes de pobreza, de exploração e de injustiça, mas também da luta do povo de Deus na busca de um mundo melhor. A diferença com a Teologia Tomista ou tradicional reside justamente em que esta ( a Tomista),  parte de um conceito de Deus. De cima para baixo: Deus, o Papa, os bispos, o clero e por último a realidade do  povo. A teologia da Libertação parte da realidade e desde a realidade e da Palavra procuramos interpretar a vontade de Deus.
Mas logo descobriu-se que o  método “Ver, julgar e agir” era incompleto. Faltava-lhe  um elemento essencial para poder realmente fazer-se teologia. O documento de Puebla onze anos mais tarde (1979) sem lugar a dúvidas, ajudou a fazer uma reeleitura da caminhada da igreja na América Latina. Começou-se então a valorizar mais a religiosidade popular com todos os seus elementos, entre eles, as festas. O elemento que faltava era “celebrar”.
 
Na verdade a  vida é uma celebração, é uma festa. Não houve religião, raça, cultura, povo, tribo, família ou pessoa na história da humanidade que não dedicasse tempo e espaço para a celebração. A celebração sempre foi e sempre será parte essencial da vida de um povo. Celebramos o nascimento, a morte, o aniversário, as bodas de ouro, de prata, de diamante e até de esmeralda; festejamos a colheita, o fim e o começo de ano, em fim, tantos são os momentos que necessitamos celebrar.
Muitas das nossas festas cristãs nasceram a partir da celebração de festas pagãs e muitas delas até conservaram a mesma data como é o caso do Natal que quando  oficializou-se o cristianismo e os pagãos foram cristianizados, aproveitou-se a já tradicional festa do Solstício, – festa em homengem ao deus sol – para celebrar o nascimento de Jesus, Luz do mundo.
 
Junho é o mês das festas juninas. Milhares de brasileiros e brasileiras, católicos e não católicos participarão tornando a festa em verdadeiros encontros de amigos reviviendo assim um pedaço do nosso Brasil.
Nossa sociedade tecnológica multiplicou as ocasiões de prazer mas sente dificuldade em proporcionar alegria. É porque a origem da alegria é espiritual.
 
Aqui em Boston quase não falta conforto, dinheiro, segurança, no entanto o tédio, a angústia, e a tristeza lamentavelmente fazem parte da vida de muitos. Parecerá o futuro por demais incerto? Ou se trata talvez de solidão, de falta amor, de um vazio mal definido ou, de falta de tempo e espaço para celebrar as coisas mais simples da nossa vida? Neste corre-corre para ganhar dinheiro é imperioso não perdermos  a alegria que nos carateriza como brasileiros, dedicar tempo para partilhar nossa amizade, participar das festas comunitárias e celebrar as múltiples alegrias humanas que o Criador nos proporciona.
 
Feliz Festa Junina e que a bênção de Deus e a proteção dos santos Juninos estejam com você.
 
Pe. Scaravelli
Framingham – MA
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