Marta e Maria: Hospitalidade e escuta
marta e maria1
Neste 16º. domingo do tempo comum escutamos como são apreciadas e abençoadas as pessoas que acolhem e que dão as boas vindas aos que chegam. Abraão acolhe os tres anjos peregrinos, mensageiros de Deus. Alguns padres da Igreja interpretaram que os tres anjos eram a representação do Deus Uno e Trino, porque Abraão se dirige a eles dizendo: “Meu Senhor, se ganhei a tua amizade, peço-te que não prossigas viagem sem parar junto a mim, teu servo. Mandarei buscar um pouco de água para vos lavar os pés…”. Abraão viu tres, mas adorou um. Depois de um ato de reverência, ele e sua esposa preparam uma comida. Ao acolher os estrangeiros, acolheram a Deus. E foram abençoados com um filho apesar da sua idade avançada. Mais tarde, Jesus dirá: Vinde benditos do meu Pai, a ocupar o lugar que vos foi reservado desde a eternidade, porque era peregrino, era migrante e vós me acolhestes”.
No episódio de Marta e Maria, ainda que muitas vezes interpretado como a contraposição entre ação e contemplação, nos mostra, igual que na primeira leitura, as duas virtudes necessárias para acolher a Deus: a hospitalidade e a escuta. Maria acolhe a Jesus e senta aos seus pés para escutá-lo. Marta também acolhe a Jesus limpando a casa, arrumando a mesa e preparando uma comida gostosa, ainda que lamentando-se pela falta de colaboração da irmã. São duas maneira de aproximar-se de Jesus. Maria escuta a Jesus e Marta pede a Jesus para que a escute.
Hospitalidade e acolhida são valores sagrados na Bíblia. Duas virtudes que em épocas passadas eram muito apreciadas como podemos ver na bíblia ou mesmo na literatura grega. Infelizmente,  na nossa sociedade moderna, estamos perdendo essas virtudes.
A virtude que complementa a acolhida é a escuta: abrir o coração para acolher o outro e para compreendê-lo nos faz comunhão. Jesus veo para fazer comunhão conosco e com o Pai e por isso diz a Marta: “Uma só coisa é necessária e Maria escolheu a melhor parte que nunca lhe será tirada”.
Vivemos numa cultura urbana. Uma forma de pensar e de ser muito individualista, muito diferente da cultura rural aonde todos nos conhecíamos, tínhamos um nome e um sobrenome e sabíamos do presente e do futuro de cada pessoa.  Hoje, pouco conhecemos do nosso vizinho de apartamento ou casa. Pouco nos ajudamos e nada nos visitamos. O Sr. americano não entendeu e fez até o impossível para retribuir com dinheiro ao vizinho brasileiro que depois do furacão foi ajudá-lo a cortar os galhos da árvore que havia caido sobre a sua casa. Para o americano era estranho que o vizinho se importasse com a sua desgraça.
 
É evidente que ainda há pobreza imposta e indigna no mundo; sem dúvida falta o necessário para muita gente, mas a maior pobreza que o nosso mundo padece é a falta de acolhida, de escuta, de amizade e de amor ao ponto de criarem-se clubes de escutas aonde pessoas solitárias pagam com dinheiro a qualquer pessoa que os possa escutar sem precisar  dizer uma única palavra sequer. A solidão e o tédio tomaram conta da nossa cultura, inclusive, a solidão a dois que é ainda pior. Sabemos que a maioria das  enfermidades  são psicossomáticas, e por ende, consequencia das más relações humanas, do abandono, da falta de escuta e falta de contenção emocional e espiritual.
Acolher o outro e escutá-lo, seja o seu marido, a sua esposa , a sua mãe, os seus filhos, o seu amigo ou o seu vizinho, dar um “help” ao que precisa, é acolher a Deus. É bom nos perguntar: – Você, costuma acolher o marido que chega cansado com atenção e um sorriso! – Você, mesmo cansado, escuta com interesse a sua esposa que deseja lhe contar como foi o dia! – Vocês filhos, dão a devida atenção aos pais que trabalham o dia todo! É você um filho que prefere ficar grudado no Iphone enquanto seus pais estão lhe falando?! É você parte daqueles que acham que não há mais lugar para imigrantes nesse país e que os imigrantes  deveriam voltar para o seu país de origem! Mas para acolher o outro precisamos aprender a escutar a Jesus como fez  Maria. Por isso Jesus falou que Maria escolheu a melhor parte. Antes escutar a Palavra para não ficarmos ansiosos e atarefados com tantas coisas, deixando de lado o mais importante.
O problema não é de Jesus. Ele tem todo o tempo do mundo para escutar a mim e a ti. O problema é nosso que andamos muito ocupados, com problemas para resolver, tarefas para terminar antes de dormir, quando tratamos de rezar nossa mente voa e lembramos o telefonema que esquecemos de fazer ou de algo que precisamos comprar. E Deus nos perdoa porque somos como Marta, ocupados e preocupados, mas queremos acolher a Jesus.
Deixemos que o sentimento de Marta, Maria e do Bom Samaritano que temos em nosso coração cresça sempre mais para sermos cada dia mais acolhedores e possamos um dia escutar a Jesus que nos dirá:  “Vinde benditos do meu Pai ao Reino que vos foi preparado porque eu era peregrino e vós me acolhestes”. “Eu estava sozinho e precisava conversar e tu me escutaste”.
Pe. Scaravelli, c.s.  
Share Button
Write a comment:

*

Your email address will not be published.

© 2014 Apostolado Brasileiro | Unindo Católicos Brasileiros na Grande Boston.
Siga-nos:                   

Facebook