I have a dream – (Terceiro Domingo da Páscoa)

Pe. Scaravelli 

Na primeira leitura deste domingo temos o testemunho de Pedro que mostra como  nosso Deus é um Deus pessoal: O Deus de Abraão, o Deus de Isaac, o Deus de Jacó…”. Não é um Deus virtual, distante, não é uma ideia.  Deus tem uma relação pessoal com o ser humano. Ele é o Criador do Universo, é a fonte da vida, mas se relaciona pessoalmente conosco.

Esse testemunho foi essencial na vida do grande cientista francês do século XVII, Blaise Pascal.  Todos o reconhecem como um grande matemático, filósofo, cientista, mas ele era também um homem de grande fé.

Aos 31 anos teve uma profunda experiência de Deus e partir dali, escreveu num pano as palavras de Pedro: O Deus de Abraão…”. E costurou o pano com a frase por dentro do casaco. E quando o pano desbotava escrevia outra vez e outra vez e assim até a sua morte aos quarenta   e quatro anos.

Pascal entendeu que Deus não é apenas o Criador do Universo, mas é um Deus pessoal. Refiro-me a ele, não só porque mostrou que a Ciência e a Fé não se contradizem e podem caminhar juntas, mas menciono a ele porque nos mostrou o primeiro passo para ser verdadeiros discípulos e testemunhas de Cristo:  Profunda relação com Deus através de Jesus e com Jesus.

No evangelho, Lucas conta que Jesus se aparece aos discípulos pela última vez antes da Ascenção e novamente deseja a Paz e reparte o pão e os peixes com eles. Os dois discípulos de Emaús haviam apenas terminado de contar o acontecido no caminho de Emaús no qual  também haviam reconhecido a Jesus ao partir o pão.

Quando nós nos reunimos para celebrar a Eucaristia – para partir o pão –  nós rezamos pelo Papa, pelos bispos, pelas necessidades do povo. Não é só porque eles necessitem das nossas orações, mas essa oração é especialmente para nos unir a toda a Igreja de Jesus, não somente nossa comunidade de Framingham mas à Igreja universal.  No partir o pão, nós reconhecemos a Jesus, Ele se faz presente e nós nos unimos através dele ao Pai e a toda a Igreja. Por isso, rezamos uns pelos outros, rezamos pelos nossos irmãos falecidos, rezamos pedindo intercessão dos santos e santas, amigos e amigas de Jesus que com certeza estão junto a Deus.

E antes de repartir o Pão – antes de comungar, nos desejamos a Paz. É um gesto fraterno, de reconciliação com todos, um gesto para desejar tudo de bom aos nossos irmãos.  Shalon, palavra hebraica, significa saúde, prosperidade, paz no coração, bênçãos de Deus. Jesus desejou tudo isso aos discípulos reunidos no Cenáculo. Paz que nasce da presença e da união com Deus.

Logo, Jesus pede que sejam suas testemunhas.

Na Comunidade e no repartir o pão, testemunhamos a presença de Jesus Ressuscitado. Lucas que escreveu o evangelho e também Atos dos Apóstolos, descreveu assim o testemunho das primeiras comunidades:  “A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Todos os que abraçavam a fé eram unidos e colocavam em comum todas as coisas. Louvavam a Deus e eram estimados por todos. E a cada dia o Senhor acrescentava à Comunidade outras pessoas. E os pagãos ao ver as comunidades diziam: Vede como eles se amam”.

Como quiséramos que a nossa Comunidade fosse assim!

Eu tenho um sonho, I have a dream!  Quisera que fôssemos uma Comunidade de fé madura, uma Comunidade tolerante, que aceita as diferenças. Quisera que entendêssemos que a unidade está por cima de tudo, das ideologias, das opiniões políticas e até religiosas e acima de qualquer preconceito. Quiséramos que não houvesse mais ninguém negativo e “criticão” que sente prazer em destruir os outros.  Quiséramos poder dizer que já não há fofocas, nem fofoqueiros na nossa Comunidade. Que ninguém fala mal de ninguém. Que todos cuidam da sua própria vida.

E quiséramos que todos os que vão conhecendo a nossa Comunidade digam: Vede como eles se amam.

I have a dream!

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