O profeta Isaías na primeira leitura deste domingo profetiza que nascerá uma flor do ramo de Jessé. Flor que representa a esperança do povo. “Surgirá um rebento de uma flor, sobre ele repousará o espírito do Senhor: espírito de sabedoria e discernimento, espírito de conselho e fortaleza, espírito de ciência, de piedade e de temor de Deus…O lobo e o cordeiro viverão juntos, o bezerro e o leão comerão juntos, a criança de peito vai brincar em cima do buraco da cobra venenosa…não haverá dano e nem mortes”. Em síntese, haverá paz e um mundo novo. Essa é a esperança anunciada pelos profetas.
E São Paulo na 2a. leitura recomenda permanecer firmes nessa esperança.
O povo de Israel precisava ser animado pela esperança de um Salvador que viesse trazer a libertação, a paz, a justiça, o amor. O povo da Nova Humanidade igualmente precisa permanecer firme na esperança. É a esperança que nos torna capazes de sobreviver. É a esperança que nos faz capazes de começar uma nova vida.
Nossas vidas precisam viver de esperança e precisamos explicar a nossa esperança para que outras acreditem.
O Papa Bento XVI nos deu antecipadamente um presente de Natal com a carta encíclica “Spe Salvi” “Salvados pela esperança”.
Vivemos num mundo aonde falta esperança, isto é, um mundo de desespero, de sem sentido, que busca a felicidade no ter, na droga, na violência, no poder. Vivemos num mundo depressivo.
É importante perguntar-nos qual é o fundamento da nossa esperança cristã? O que esperamos na vida? Como explicamos ao mundo a nossa esperança?
Podemos esperar muitas coisas e de muitas maneiras. Posso esperar um presente de natal, por exemplo. Ou espero que a Hillary Clinton ganhe as eleições. Espero que a medicina descubra um remédio para a cura da Aids. Isso todos podemos esperar. Mas a esperança cristã, o que significa?
O Papa exemplifica o sentido da esperança cristã contando a história de Josefina Backita. Backita era uma jovem que quando tinha 9 anos, foi seqüestraram por traficantes de escravos que a venderam no Mercado negro de Sudão. A esposa de um general a comprou e a tratou cruelmente. Foi castigada com açoites dos quais 144 cicatrizes em seu corpo permaneceram pelo resto da vida. Depois um mercador italiano a comprou e a família a tratou com respeito e a introduziu à fé cristã. Ali ela descobriu o que significava ser “Filha de Deus”. Ela dizia: “Sou profundamente amada por Deus. Aconteça o que acontecer o Amor de Deus me espera, por isso minha vida tem sentido”. O Papa conclui que essa é a esperança cristã: a certeza de que Deus nos ama e nos espera.
Estamos tão acostumados escutar que Deus nos ama que essa expressão até perde o sentido. Deus me ama, e quê? O que é que muda na minha vida?
O dia 8 de Dezembro de 1896 Backita fez os votos religiosos e tornou-se freira. Serviu a Deus nos irmãos necessitados por 50 anos sempre com a voz suave, sorriso sincero e muita ternura. Ao perceber a sua santidade, a Madre superiora pediu que ela escrevesse a sua própria biografia. Ficou famosa em toda a Itália com o seu testemunho. Pertinho da morte, em seu delírio final gritava: “Por favor, soltem as correntes, pesam demais…”
De fato, Deus a havia libertado das correntes não somente da escravidão física mas também da ignorância e da falta do conhecimento de Deus. E ela encontrou o amor que esperava. João Paulo II a beatificou em 1992 e a declarou santa no ano 2000. Backita é uma santa africana moderna que testemunha a esperança cristã em toda a sua profundidade; uma esperança que transforma a vida.
São Paulo nos diz que tudo o que foi escrito na Bíblia, foi escrito para que mantenhamos a esperança. É pela esperança que somos homens novos e mulheres novas. É pela esperança que somos salvos.
Advento é tempo de esperança. Mas uma espera ativa, trabalhando, agindo, mudando as nossas atitudes…
Celebramos o nascimento de Jesus que já veio e a Jesus que virá novamente. Celebramos Jesus que nasce em cada coração e nos enche de esperança.
O mundo desesperançado oferece múltiplas maneiras e milhões de presentes para celebrar o natal.
Mas nós sabemos que Natal sem Jesus não é o natal de Jesus. João Batista nos exorta no evangelho de hoje à conversão que não é somente questão de olhar para trás e arrepender-nos mas que nos leva a mudar de caminho.
Nesse processo de conversão vivamos com alegria a nossa esperança que é certeza de que Deus nos ama e por isso veio habitar entre nós.
Pe. Scaravelli |