Depois de 40 dias de quaresma nos quais contemplamos o “via crucis” de Jesus e nos esforçamos em segui-lo carregando as nossas cruzes com esperança e começamos um caminho de conversão, poderíamos imaginar que a celebração da Páscoa é o ponto de chegada, assim como quem treinou o ano todo para ganhar uma medalha de ouro nas Olimpíadas. Na realidade a Ressurreição não é uma conclusão mas sim um começo.
Quem viu o filme “A Paixão de Cristo” de Mel Gibson, percebeu como na última cena o produtor coloca Jesus depois de ter sido crucificado abrindo os olhos como sinal de que Ele é o Senhor da Nova Humanidade; Jesus mostra a chaga em suas mãos e parte com passos firmes como quem está preparado para o combate.
A Páscoa começa, não terminou no Domingo passado.
Páscoa é ressurgir para uma vida nova e isso deve acontecer todos os dias da nossa vida. Porque todos os dias pecamos e todos os dias necessitamos da misericórdia de Deus.
O 2o. Domingo de páscoa foi proclamado pelo Papa JPII o Domingo da Misericórdia. E é justamente no perdão que se nota a misericórdia de Deus. Aquele perdão que Jesus nos ofereceu quando pregado na cruz: “Pai perdoai-lhes porque..”. Aquele perdão oferecido a Pedro, a Maria Madalena, ao bom ladrão: o perdão do Pai misericordioso.
Um católico abandonou a Fe quando leu a história da Igreja porque ficou escandalizado com as atitudes de alguns papas e bispos. Um dia numa conversa a parte, alguém lhe explicou que dos 265 papas da história da igreja nenhum foi pior que o primeiro, o escolhido diretamente por Jesus. Ninguém traiu Jesus pior que Pedro. O cardeal Sheen dizia que Jesus escolheu a Pedro como Papa a causa da sua fraqueza.
É assim que Deus mostra a sua misericórdia. O perdão transformou Pedro em Pedra. Alguém se atreveu dizer que Pedro talvez passasse toda a eternidade diante de Jesus relembrando o seu fracasso e o perdão que dele recebeu. Somente quem foi perdoado alguma vez pode entender isso.
Todos nós precisamos de misericórdia. O Mundo em que vivemos que não tem piedade, também precisa de misericórdia.
+ Não é precisamente misericordioso um mundo no qual dois bilhões de seres humanos não possuem o necessário para viver com dignidade;
+ Não ‘e misericordioso um mundo no qual uma grande parte da nossa juventude vive escravizada pela droga e caminha sem rumo e sem sentido.
+ Não é misericordioso um mundo aonde milhões de crianças são obrigadas a trabalhar impedido-lhes o direito de ir à escola e viver a sua infância;
+ Não é misericordioso um mundo aonde o ganancioso lucro dos traficantes de carne humana, de imigrantes e tratas de brancas superam os 9 bilhões de dólares anuais;
+ Não é por certo misericordioso um mundo aonde milhões de pessoas devem viver na ilegalidade sem gozar dos direitos de cidadãos por falta de um documento enquanto aumentam todos os dias as clínicas para animais e muitos deles têm “nome, lenço e documento”.
+ Não é misericordioso um mundo no qual muitas pessoas amam as mascotes e desprezam as empregadas domésticas, gastam milhares de dólares no cuidado do cachorrinho e não se comovem com as necessidades dos necessitados.
+ Não é misericordioso um mundo no qual muitos animais são tratados melhores que milhões de crianças e milhões de crianças são matadas antes de nascer.
Hoje vemos a misericórdia divina colocando-se ao lado de Tomé que também reconheceu o seu fracasso, a sua falta de fé e por isso cai aos pés de Jesus e diz: “Meu Senhor e meu Deus”.
Colocamo-nos ao lado de Pedro que correu ao sepulcro e não permitiu que o remorso o paralisasse ou o conduzisse à desesperação como a Judas.
Colocamo-nos ao lado de Maria Madalena que não se desesperou diante do sarcasmo e desprezo da sociedade senão que se deixou transformar pela misericórdia de Jesus: “Vai em paz e não peques mais”.
Mas colocamo-nos também ao lado das primeiras comunidades cristãs que souberam unir a Fé e o amor, souberam traduzir essa misericórdia de Deus em ação, promovendo a partilha e a justiça na sociedade: “Cheios do Espírito Santo tinham um só coração e uma só alma, ninguém considerava seu o que possuía. Ninguém passava necessidade porque tudo se distribuía conforme a necessidade de cada um”.
Não foi Karl Max e nem a Revolução Francesa que inventou isso de “distribuir conforme a necessidade de cada um, mas todos copiaram da praxe cristã, resultado da união entre a Fé em Cristo Ressuscitado e a misericórdia de Deus.
- Por isso, hoje colocamo-nos ao lado da Pastoral do dízimo, de todos os dizimistas, daqueles que participaram e colaboraram com a Festa da Partilha nessa tarde porque quando a Fe e o Amor se juntam o resultado é uma vida dedicada ao bem dos mais necessitados. O resultado não será apenas o que for enviado às instituições mais necessitadas no Brasil, mas é a partilha do amor e da fé que nos torna verdadeiros cristãos.
- Os grandes santos foram pessoas que revolucionaram o mundo porque somaram a fé e a misericórdia em suas vidas.
É justamente neste mundo que estamos celebrando a “Divine Mercy” – Divina Misericórdia.
Tomé foi tocado pela fé quando viu as chagas de Jesus, testemunhas concretas de sua oferenda a Deus; nós só seremos tocados pela fé e pela misericórdia se soubermos contemplar a misericórdia de Deus através de Jesus ouvindo o mandato do Senhor que nos diz:
- Sede misericordiosos como vosso Pai do céu é misericordioso”.
Pe. Scaravelli |