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Nunca foi vista em qualquer nação uma campanha tão bem organizada e fundamentada contra a cultura da morte como a que está ocorrendo no Brasil.
No mês passado a nação brasileira experimentou o que parece ter sido uma transformação miraculosa.
A hierarquia católica no Brasil tornou-se famosa há bastante tempo por sua indiferença no que diz respeito aos temas da defesa da vida, e sua desproporcional ênfase nos temas econômicos que parece igualar o catolicismo com a política socialista.
Os bispos brasileiros tem inclusive mantido um distante mas bastante real relacionamento com as "Católicas pelo Direito de Decidir", que é a versão sul americana das "Catholics for a Free Choice", um eufemístico grupo "católico" favor do aborto planejado para confudir os fiéis sobre os ensuinamentos da Igreja sobre a santidade da vida humana.
Até recentemente as lideranças católicas pareciam "esconder-se no sótão" no que diz respeito ao e outros temas relativos à defesa da vida humana, vergonhosamente evitando o assunto e inclusive conspirando com a "cultura da morte".
Entretanto, no mês passado ele repentinamente apareceram para as massas, abertamente proclamando o Evangelho da Vida da Igreja. Sua timidez anterior foi substituída por uma agressiva e quase provocativa posição contra as ideologias que estão por detrás da cultura da morte do aborto. Embora possa ser muito cedo para dizê-lo, parece que um "Pentecostes Pro Vida" está acontecendo entre os bispos do Brasil, e as estratégias que eles estão empregando são uma lição para todo o mundo Católico.
A conversão dos bispos parece ter-se iniciado depois do infeliz início este ano da "Campanha da Fraternidade" , um projeto promovido pela Igreja Católica no Brasil todos os anos para promover um ensinamento ou tema diverso.
Embora o tema deste ano tenha sido "Fraternidade e Defesa da Vida", a campanha começou com problemas quando um grupo de sacerdotes divulgou um documentário relacionado com a campanha que dava uma cobertura simpática às "Católicas pelo Direito de Decidir".
Os católicos protestaram, e o eminente professor de filosofia Olavo de Carvalho escreveu um artigo de opinião para os jornais brasileiros denunciando a longa associação da Hierarquia Católica com as causas a favor do aborto. O CD do documentário foi retirado de circulação e o videoclip ofensivo foi removido da nova versão publicada, mas nenhuma explicação ou pedido de desculpas foi dado.
Parecia que nada, na verdade, havia mudado.
Mas com o lançamento oficial da Campanha no início de fevereiro, parecia óbvio que alguma coisa havia acontecido com os bispos neste interim. Eles não se fizeram, como seria de se esperar, um anúncio meramente protocolar do tema da Campanha. Em vez disso eles chamaram uma conferência nacional de imprensa onde claramente denunciaram o aborto, a eutanásia, e a pesquisa com células tronco embrionárias em algo que somente poderia ser qualificado de "linguagem de guerra".
O Secretário Geral da Conferência Nacional dos Bispo do Brasil, Dimas Lara Barbosa, conduziu as cerimônias de abertura, e passou a declarar que o propósito náo era somente deter a nova legislação contra a vida, mas eliminar todas as exceções do Códifo Penal Brasileiro em relação ao aborto.
Ele afirmou que os bispos nos meses seguintes iriam "denunciar" os políticos e as organizações a favor do aborto por "manipularem informações" para promover suas causas, e iriam trabalhar para educar o público sobre os danos da legislação que pretende legalizar o aborto, a eutanásia e a pesquisa com células tronco embrionárias.
Logo após o anúncio, os bispos conduziram uma conferência a favor da vida em Aparecida, o mais importante santuário do Brasil, e lançaram uma trovejante declaração em defesa da vida humana, denunciando os grupos pro aborto como um instrumento de um novo tipo de imperialismo que busca impor uma agenda racista de controle populacional no "terceiro mundo".
"Nós denunciamos a implantação de uma cultura da morte que destrói
o sentido da vida, dos valores éticos, e dos direitos naturais de que derivam todas as leis humanas", declarou a conferência.
"Nós denunciamos a tentativa de descriminalizar e legalizar o aborto
na América Latina. Nós denunciamos a fraude no campo científico, a manipulação da linguagem e as autorizações do governo que permitem a produção e a distribuição em nossos países de drogas, venenos para matar seres humanos, desde as primeiras horas de vida, como ocorre com a pílula do dia seguinte".
"Nós denunciamos os programas do governo para legalizar o aborto de
uma maneira indireta, como as normas técnicas do Ministério da Saúde que autorizam o aborto com base na simples declaração da parte interessada" .
Além de falar clara e contundentemente sobre os horrores do aborto e outras ofensas contra a vida humana, os bispos estão fazendo aquilo que os pro vidas estiveram esperando há tanto tempo que os bispos fizessem algum dia em todo o mundo: eles estão usando sua autoridade para divulgar material informativo sobre o aborto em cada paróquia do país para distribuição entre os leigos.
O Arcebispo do Rio de Janeiro foi mais longe. Ele ordenou que uma grande quantidade de modelos de um feto fossem distribuídos em cada paróquia, e os padres estão exibindo-os nos centros de suas igrejas, explicando aos leigos que a vida começa na concepção e que o aborto põe um fim a esta vida.
Pelo menos uma paróquia na cidade está no momento mostrando vídeos dos abortos em encontros a portas fechadas, com comentários detalhados sobre as técnicas do aborto. Os leigos católicos do Brasil, muitos dos quais tem pouco conhecimento sobre o aborto, estão impressionadíssimos com o que estão vendo, e inspiram-se para agir contra o aborto. Há pouca dúvida que os políticos a favor do aborto nos ramos executivo, legislativo e judiciário no Brasil também estão aterrorizados, por razões muito diversas.
Que efeito teria esta abordagem se todos os bispos católicos do mundo tentassem imitar os bispos brasileiros e declarassem guerra ao aborto, à eutanásia e a outros ataques contra a vida humana? Infelizmente a resposta deverá ficar na especulação, porque talvez nunca até hoje foi vista uma campanha tão organizada e fundamentada contra a "cultura da morte", em qualquer país, por parte do clero católico.
Entretanto, pode haver pouca dúvida de que mesmo em um país como os
Estados Unidos, cuja população é somente 25% católica, tal campanha teria um grande impacto. Se este "gigante adormecido" acordasse, galvanizado por uma pregação clara e campanhas educacionais que claramente revelem o crime do aborto, como poderia qualquer partido político opor-se contra ele?
É claro para este autor que antes que tal transformação possa ocorrer, deverá ocorrer primeiro nos corações e nas mentes do clero. Eles tem que experimentar primeiro seu próprio Pentecostes Pro Vida. E para isto, temos que continuar rezando.
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