Mesmo nesta vitória ficou muito claro que as argumentações dos defensores da inconstitucionalidade da lei de biossegurança conseguiram o que era possível naquele contexto: mostrar que não se brinca com a vida humana, em qualquer etapa e em qualquer circunstância. E diga-se também que enquanto a argumentação de alguns juízes foram simplesmente brilhantes, outras o foram muito menos. E chegaram até a ser apelativas.
Mas, afinal, a vitória foi mesmo de quem?
Certamente não foi de nenhuma ciência, mas daquilo que um dos defensores do uso de embriões classificou muito bem no dia seguinte: "Foi a vitória de uma aposta, pois não há nenhuma certeza de que as células embrionárias renderão terapias". E o mesmo pesquisador acrescenta: "Pode ser que todo mundo dê com os burros n'água daqui a alguns anos". Observação animadora.
Certamente foi também, e sobretudo, a vitória de grupos de pressão, que souberam, através dos mais diversos expedientes, nem sempre muito éticos, formar a opinião pública. Uma coisa é certa: cabe agora aos "vitoriosos" mostrar do que são capazes.