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Os israelitas tinham uma lei básica chamada de Lei
do Talião. “Olho por olho e dente por dente”…
Devolver com a mesma moeda qualquer ofensa recebida.
Como todos sabemos e de alguma forma já experimentamos: violência gera violência. Tu não podes combater uma pessoa agressiva com agressividade. Se o teu marido ou a tua esposa te grita e tu gritas ainda mais forte, a violência psicológica aumenta.
Diz-se que o volume da voz é inversamente proporcional ao argumento. Se tu tens razão e tens argumento, não precisas gritar. Fala baixinho, a outra pessoa entende mais facilmente. O mesmo sucede com a violência física. A cada ação corresponde uma reação inversamente proporcional. A um ataque, a um golpe todos queremos devolver o mesmo golpe mas com um pouco mais de intensidade. Por isso, a lei do talião não funciona. Conta-se que na terra do olho por olho todos ficaram cegos.
A violência na sociedade existiu desde que Cain matou o seu irmão Abel, porém a impressão que temos é que na atualidade, tomou uma desproporção exagerada. Haja vista os conflitos bélicos no mundo inteiro, Iraque, Afeganistão, Oriente Médio, vários países da África, ou olhemos mais pertinho de nós: as 150 pessoas assassinadas todos os dias no Brasil – número maior que na Guerra do Iraque -, olhemos o que acontece com a guerrilha na Colômbia, com a Salvatrucha de adolescentes e jovens no El Salvador, Porto Rico, ou os traficantes de droga no México, ou com a violência em muitas famílias, enfim.. violência que parece incontrolável ao ponto de sentir-nos desprotegidos totalmente.
A sociedade é violenta porque a maior parte das pessoas é violenta e agressiva. Somos agressivos primeiro porque não somos educados para a convivência, para o perdão, para o amor, mas para a competição. E muitas crianças hoje são educadas para a agressividade através de videogames e filmes violentos, e o pior, com o consentimento e orgulho dos pais;
e segundo, somos agressivos porque não estamos contentes nem conosco mesmos e nem com a situação em que vivemos.
Gandhi ensinou combater a violência com a não violência e ensinou buscar a paz no próprio interior através da meditação e do yoga.
Jesus nos ensinou ser misericordiosos como Deus é misericordioso, a amar os nossos inimigos, a fazer o bem a quem nos perseguem, a não julgar para não ser julgados, a abençoar aqueles que nos amaldiçoam, e buscar a Paz em Deus.
Na primeira leitura deste domingo tirada da profecia de Oséias, Deus fala: “Quero amor e não sacrifícios, conhecimento de Deus mais que holocaustos”.
Misericórdia é um dom gratuito que transforma a vida das pessoas. Mateus no evangelho de hoje é o maior exemplo. Não é de estranhar que os judeus no tempo de Jesus não gostassem de pessoas como Mateus. Ele colaborava com o império romano na coleta dos impostos e ademais se benieficiava do cargo para interesses particulares. Era considerado traidor e corrupto. E Jesus chama alguém com essa fama para ser discípulo e para partilhar com ele a refeição.
Mateus tem consciência que Jesus não o chamou a causa do seu curriculum vitae, da sua profissão ou do seus empregos anteriores. No nosso entender, seria a última pessoa a ser chamada.
Jesus aproximou-se como um médico notando um caso de doença; precisva ser curado. “Eu não vim para chamar os justos mas os pecadores”.
É isso mesmo que faz a misericórdia: cura a alma enferma de Mateus, cura o espírito bélico da sociedade, cura a alma de quem dá e de quem recebe misericórdia.
Nós, os cristãos, deveríamos orgulhar-nos de pertencer à única religião que tem o preceito de amar os inimigos, mas esquecemos a fórmula dos ensinamentos de Jesus.
“Aprendei pois, o que significa: “Quero misericórdia e não sacrifício”.
No entender de Jesus, a resposta ao mundo violento e às nossas angústias está ao nosso alcance:
- Se fôssemos mais tolerantes com os que pensam e agem diferentemente de nós, teríamos mais liberdade de espírito e paz interior;
- Se abençoássemos aqueles que nos amaldiçoam não sentiríamos o gosto amargo que nos deixam o ódio e a mágoa.
- Se rezássemos por aqueles que nos caluniam, teríamos menos tempo para escutar o que dizem de nós.
Jesus conhece profundamente o ser humano e bem sabia que adoecemos de dentro para fora: que o ódio, o rancor, a competição desmedida, a mágoa, o ressentimento são pecados que destróem a nossa paz interior, alteram o nosso sistema nervoso e circulatório e nos fazem adoecer.
E então não apenas necessitamos que Jesus entre em nossas vidas mas também de outros cuidados médicos.
Façamos a experiência da misericórdia. Aproximemo-nos com sinceridade, sem engano, daquela pessoa de quem não gostamos ou temos mágoa, ou nos ofendeu. Pode ser o começo de uma vida nova. Pode ser o caminho da verdadeira felicidade.
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