Ser Leitor na Igreja é um serviço, serviço à Palavra e serviço à Comunidade Eclesial.
A Palavra de Deus faz parte essencial da vida da Igreja. Pela sua proclamação Cristo torna-se presente. A Palavra de Deus desperta para a fé e alimenta a fé. Por ela, Deus faz-se ouvir aos homens em ordem à salvação. Mas, normalmente, Deus serve-se da proclamação para a fazer ouvir. E quem proclama é o Leitor. O Leitor serve a Palavra. Para isso, terá de alimentar-se da Palavra
Mas o Leitor serve também a Comunidade, da qual faz parte, na qual se integra e à qual proclama a Palavra. Pela Palavra é que a Comunidade se reúne em assembleia. O Leitor faz a mediação entre a Palavra e a Assembleia. Ao proclamar a Palavra, o Leitor torna-a viva, comunicativa e interpelante.
O Leitor não é tudo na Igreja, mas é um servidor seu. E é no seu interior que ele exerce o seu próprio Ministério, conferido de forma simples ou solene.
Onze conselhos para o bom leitor
1. Ler a leitura antes. Se puder ser, em voz alta e várias vezes. Lê-la para entender o seu sentido, e para ver que entoação se deve dar a cada frase, quais são as frases que se devem ressaltar, onde estão os pontos e as vírgulas, em que palavras se poderá tropeçar, etc.
2. Estar preparado e aproximar-se do ambão no momento oportuno, isto é, não quando se está a dizer ou a cantar outra coisa. E procurar não vir de um lugar distante da igreja; se for necessário, deve aproximar-se discretamente, antes do momento de subir.
3. Quando estiver diante do ambão, deve ter em conta a posição do corpo. Não se trata de adotar posturas rígidas, nem, pelo contrário, ler com as mãos nos bolsos, ou atrás das costas, ou com as pernas cruzadas...!
4. Colocar-se à distância adequada do microfone para que se ouça bem. Por causa da distância, frequentemente, ouve-se mal. Não começar, portanto, enquanto o microfone não estiver ajustado à sua medida. E lembrar-se que os estampidos que acontecem ou os ruídos que se fazem diante do microfone são ampliados...
5. Não começar nunca sem que haja silêncio absoluto e as pessoas estejam realmente atentas.
6. Ler devagar. O principal defeito dos leitores, costuma ser precisamente esse: ler depressa. Se lermos depressa, as pessoas, com algum esforço, poderão conseguir entender-nos, mas aquilo que lemos não entrará no seu interior. Recordemos: este continua a ser o principal defeito.
7. Além de ler devagar, há que manter um tom geral de calma. Há que afastar o estilo do leitor que sobe às pressas, começa a leitura sem olhar as pessoas e, ao acabar, foge ainda mais depressa. Não deve ser assim: deve-se chegar ao ambão, respirar antes de começar a ler, ler fazendo pausas nas vírgulas e fazendo uma respiração completa em cada ponto, fazendo uma pausa no final, antes de dizer "Palavra do Senhor", escutar no ambão a resposta da assembleia e voltar ao lugar. Aprender a ler sem pressa, com tranquilidade e segurança; por isso, é importante fazer os ensaios e provas que forem necessários: é a única maneira!
8. Vocalizar. Ou seja, remarcar cada sílaba, mover os lábios e a boca, não atropelar a leitura. Sem afetação nem teatro, mas recordando que se está “atuando” em público, e que o público tem que captar tudo bem. E uma atuação em público é distinta de uma conversa na rua.
9. Não baixar o tom nos finais de frase. As últimas sílabas de cada frase têm que se ouvir tão bem como todas as restantes. Infelizmente, a tendência é para nestas sílabas se baixar o tom tornando-as ininteligíveis.
10. Procurar ler com a cabeça levantada. O tom de voz será mais alto e, portanto, mais fácil de captar. Se for necessário, deve-se pegar no livro, levantando-o, para não ter que baixar a cabeça.
11. Antes de começar a leitura, olhar a assembleia. No final, dizer "Palavra do Senhor", olhando a assembleia. E, ao longo da leitura, com naturalidade, olhar também de vez em quando. Estas olhadelas, no meio da leitura, não se têm que impor como um propósito, o que seria artificial. Mas se sair naturalmente, poderá ser útil, especialmente nas frases mais relevantes: ajuda a acentuá-las, a criar um clima comunitário, e a ler mais devagar. |