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O basement da Igreja Santo Antônio de Allston se transforma em sala de aula aos sábados e a regra é só falar português. Filhos de brasileiros, entre 5 e 14 anos, se reúnem das 14 horas às 16h30 para aprender a língua e a cultura do Brasil. A iniciativa partiu de Newton e Eliane Santos, pais de Viviane, 9 anos, que ouviam as crianças conversarem apenas em inglês durante as brincadeiras na Igreja e resolveram juntar os amigos e fundar a escola de português Santa Terezinha.
"Falamos sobre essa ideia com amigos que lecionavam no Brasil e eles toparam fazer parte do projeto", conta Newton que coordena o curso junto com a esposa. "Os nossos filhos precisam aprender a nossa cultura, os nossos costumes e a nossa língua", opina.
Além disso, eles acreditam que para ser fluente em um idioma "não basta apenas falar, também é preciso ler e escrever". "A fluência em mais de um idioma significa melhores oportunidades no mercado de trabalho", completa Newton.
Outros pais concordam que aprender a língua portuguesa aumenta a chance de um futuro melhor. "Falar duas línguas só vai trazer benefícios", observa Verônica Closs, mãe de Cecília, 8 anos, e Gabriela, 6. "Cecília está muito feliz com o progresso porque sabe ler e escrever em português e fala frases inteiras com fluência. Ela começou ano passado e nesse ano coloquei Gabriela".
Verônica diz que esperou para matricular a caçula porque estava insegura se ser alfabetizada em dois idiomas atrapalharia a filha. "Conversei com a pediatra e ela disse que não haveria problema. O máximo que aconteceria era que Gabriela poderia ter um pouco mais de dificuldade para aprender a segunda língua (português), mas que ela superaria com o tempo e que seria muito bom." Em tempo: os coordenadores da escola Santa Terezinha estudam a possibilidade de abrir turmas de pré-escola para crianças entre 2 a 5 anos em 2010.
Os brasileirinhos começaram as aulas em setembro e a cada mês vão conhecer um estado do Brasil através do projeto"Conhecendo o Brasil e Aprendendo Português". "Através de fotografias vamos mostrar as cidades, tradições, comidas típicas, danças, músicas, festas, datas comemorativas, personalidades históricas, pessoas famosas, dentre outros aspectos", enumera Newton ao salientar que o aprendizado deve ir além da língua. "É preciso conhecer a nossa cultura, a nossa história e os nossos costumes".
A escola, que se espelhou no programa de Everett, funciona com professores voluntários e os alunos pagam $25 por mês para as despesas com material e para ajudar na expansão da biblioteca de livros brasileiros. Como num curso de inglês, os alunos passam por um teste para ver em qual nível devem iniciar. "Temos os básicos I e II, o intermediário e o avançado", cita o coordenador, ao explicar que por isso é possível receber alunos durante todo o ano letivo. "Assim, é possível receber os alunos que chegam e não fazê-los esperar o próximo ano", completa. Hoje, o curso tem 25 alunos.
Em seu segundo ano letivo, a Escola Santa Terezinha incluiu o ensino para adultos e já tem uma turma de norte-americanos aprendendo português. "A maioria de nossos alunos é funcionário da clínica Joseph Smith que quer aprender português e atender melhor a comunidade brasileira", finaliza Newton.
Equipe de voluntários da Escola Santa Teresinha:
Newton Saraiva Santos, Eliane B. Santos, Vera Lúcia de Sá, Magali Zumac, Ana Lúcia Araújo, Regiane Miranda da Silva e Aleide Martinelli Silva.
Fonte: Jornal O IMIGRANTE - Apostolado Brasileiro
Outubro/2009.
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