Décimo segundo Domingo do tempo comum.  

Resultado de imagem para não tenhais medo daqueles que matam o corpoEvangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 10,26-33

Não tenhais medo.

Pe Scaravelli, c.s.

No domingo passado os doze apóstolos foram enviados a continuar a missão  de Jesus.  Jesus viu as multidões e compadeceu-se delas “porque estavam cansadas e abatidas como ovelhas que não tem pastor”. E Jesus enviou os doze – número simbólico, representando as doze tribos de Israel e a Igreja toda – os enviou para nutrir o rebanho com o evangelho da esperança, com palavras de conforto, com o pão do amor. Para cuidar de suas feridas, aliviar suas dores e devolver-lhes a dignidade perdida ou roubada, como era a práxis de Jesus.

Eis o desafio da Igreja, dos seus ministros, dos pastores de hoje; eis o nosso desafio: Nutrir a esperança, irradiar compaixão e cuidar das ovelhas feridas no corpo e na alma.

O evangelho de hoje repete três vezes: “Não tenhais medo” , sinal de que nas primeiras comunidades quando o evangelho foi escrito também  havia muito medo: medo de serem perseguidos, presos e torturados pelas autoridades  judias e pelo Império Romano. Medo também de serem expulsos da Comunidade. Medo de tantas outras coisas. Diante disso, alguns abandonavam a missão.

Pelo batismo, todos nós somos enviados a anunciar o evangelho da esperança. Todos nós fazemos parte do sacerdócio real de Cristo. Mas todos nós, como os primeiros cristãos, temos medos. Todos nos sentimos inseguros e diante das dificuldades vacilamos na fé. Quais são os nossos medos?

Vivemos numa sociedade muito injusta. Talvez nunca foi tão injusta e desigual.  3% das pessoas detém 80% das riquezas. Enquanto alguns vivem na opulência como o rico Epulão do evangelho, indiferentes a tudo e a todos, milhões de pessoas passam fome, outras são perseguidas e se convertem em refugiados em países estranhos. Milhões são roubadas e despojadas da sua dignidade em seu próprio país. O Papa Francisco denuncia constantemente esse grave pecado e muitos o criticam porque não gostam que fale do pobre e se coloque ao lado dele.  Um bilionário em Nova Yorque ameaçou o Arcebispo não mais ajudar a reformar a Catedral de New York se o Papa não parar de falar dos pobres. Será que o Papa Francisco tem medo?

É difícil   ser cristãos verdadeiros.  É difícil agir com justiça e mais  ainda, manifestar nossas opções políticas, ideológicas, partidárias e até religiosas. Isso porque não há nenhum partido político que encarne todos os valores do evangelho. Tampouco há grupos religiosos que respondem totalmente ao que Jesus espera de seus seguidores. Há partidos políticos que se promovem dizendo-se ser contra o aborto, mas ao mesmo tempo promovem as guerras, vendas de armas, destroem países, restringem os direitos dos mais débeis, das minorias. Outros partidos se promovem sobre a defesa dos direitos humanos e das minorias, mas tem posições mais  liberais e duvidosas enquanto à moral cristã. Há grupos religiosos que vendem uma imagem de piedosos, pessoas de Deus,  falam muito de Deus mas não tem compaixão e são incapazes de fazer algo para a promoção dos mais necessitados. Há outros que se dedicam muito à promoção social e aos mais pobres, mas esquecem que o povo  também necessita da contenção espiritual.

A proclamação e a vivência do evangelho geram críticas e incompreensões. Por isso temos medo de ser autênticos. É difícil ser verdadeiros num mundo da mentira, é difícil  ser honestos numa sociedade corrupta.

Seja como for, Jesus encoraja seus seguidores a não ter medo, pois ele tem o controle da nossa vida e do nosso destino. Nosso Pai não se esquece  de nenhum dos seus filhos e filhas, porque nós valemos muito mais do que dois pardais ou algumas moedas.

Não tenhamos medo. Tentemos fazer o melhor. Tentemos acertar o máximo possível. Não tenhamos medo nem das críticas, nem da rejeição, nem de ser nós mesmos. Deus está conosco e nossa vida está em suas mão

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