mulher pecadoraO Pecado, o Pecador e Deus – 11 Domingo Comum

A sociedade, assim como a   Igreja são compostos por homens e mulheres santos e pecadores. O bem e o mal convivem e moram entre nós e dentro de nós. A  não consciência do pecado pode diminuir o peso da culpa mas não a extingue; pode amainar o peso do castigo mas não elimina a existência do mal. Muitas vezes desequilibrios emocionais e psicológicos são confundidos com pecados; e outras vezes, pecados são confundidos com sintomas psicológicos. Há uma corrente em psicologia que aconselha o paciente a não sentir-se culpado por nada, e sepulta o pecado pessoal como se não houvesse responsabilidade dele  frente a vida.  “O pecado produz uma carga na psique humana, deixa a pessoa frustrada  com complexo de culpa; deve-se eliminar a  consciência de pecado”. É o que chamamos de secularismo.

O contrário tampouco está correto. Ver pecado em tudo, insistir que tudo é pecado, é no mínimo subjugação espiritual e manipulação de consciencia. Ao invés de ajudar às pessoas a serem melhores e mais felizes, estaríamos  promovendo mais desequilibrios e transtornos.

A religião deve ser um caminho de equilibrio espiritual e emocional. Não somos somente emoções, também temos consciencia. Não somos somente psique, somos também espírito. E o limite entre uma coisa e outra é o lugar da presença de Deus. O limite é o lugar aonde a psicologia ainda não chegou porque ali começa o espiritual. Muita gente mais que um terapeuta ou um psicólogo precisa de uma boa confissão e uma mudança de vida.

O rei David, que não era flor que se cheire, na primeira leitura deste 11o. domingo comum, cometeu adultério com a bela mulher de Urias e quando soube que Betsabé estava grávida, mandou colocar Urias no lugar mais perigoso da batalha, como bucha de canhão onde acabou morrendo. Davi foi adúltero e assassino. E o que ele sentia depois, não era um simples complexo de culpa que necessitasse um tratamento psicológico. “Apesar de ser rei, lhe disse o profeta Natán, não poderás escapar do juizo de Deus”. Davi depois de arrepender-se necessitava do perdão de Deus. “O Senhor perdoou o teu pecado, não morrerás”, lhe disse o profeta.  E Davi então canta o salmo: “Feliz aquele a quem seus pecados foram perdoados”.

E a mulher pecadora do evangelho buscou a Jesus para receber o perdão e recomeçar a viver. Dizer a ela que tudo estava bem, que não era para sentir remorso, que afinal os homens que exploravam o seu corpo eram piores que ela, que o pecado era um conceito cultural imposto pela religião, não serviria de nada. Ela precisava desse encontro pessoal com Jesus que pode sarar todas as feridas, inclusive as psicológicas. Precisava escutar da boca de Jesus: “Os teus pecados estão perdoados. Vá em Paz”.

As leituras desse 11º. domingo do tempo comum mostram que o pecado desequilibra a pessoa e a leva a cometer qualquer barbaridade, como Davi.

A pessoa que não reconhece a presença de Deus na sua vida e que não tem temor pelo sagrado, é levado a ter como única referência a si mesmo. E Deus disse: “Eu te ungi como Rei de Israel. Eu te salvei das mãos de Saul; Eu te dei as casas e as mulheres do teu senhor, e se te parece pouco vou acrescentar outros favores. Por que desprezas a Palavra do Senhor” ?!

Quando Deus deixa de ser referencia na nossa vida podemos chegar ao extremo da maldade de Davi e muito mais: tráfico de drogas e de seres humanos, gangs, violência e assasinatos, roubos e corrupção, engano, traição, mentiras, abandono da família; e depois de tudo isso, tudo está bem porque a referencia somos nós mesmos e nosso egoismo. O holocausto promovido por Hitler, as massacres da revolução russa, assim como todas as ditaduras e guerras não tem Deus como referência, Deus está fora da jogada. Governos, políticos, empresários e pessoas corruptas tampouco tem Deus como referência por mais que digam em cada momento: God bless you. Mais que um terapeuta elas precisam de uma boa confissão e do perdão de Deus.

 A falta de espiritualidade e a falta  de Deus  podem desequilibrar nossa vida pessoal, familiar e social. A mulher pecadora confronta-se com Jesus e entre lágrimas reconhece o seu pecado. Não eram sintomas psicológicos. Era angustia e tristeza e precisava ser perdoada e reconciliada consigo mesma e com Deus. E Deus que condena o pecado mas não abandona o pecador lhe dá a possibilidade de recomeçar. Então as lágrimas serão de alegria e não mais de remorso.

Ninguém é referência de si mesmo e ninguém pode justificar-se a si mesmo. A segunda leitura nos adverte: “Somos justificados pela fé em Jesus Cristo”. Somente Jesus nos pode reconciliar com Deus e devolver-nos a Paz interior.

Digamos com o salmista: “ Feliz aquele a quem seus pecados foram perdoados”.

Pe Scaravelli, c.s.

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