Décimo sexto domingo do tempo Comum 

Ovelhas sem Pastor

Pe. Scaravelli,c.s.

Jesus falava com autoridade. Com autoridade escolheu 12 e os enviou de dois a dois. Os apóstolos voltam da missão alegres e entusiasmados, mas cansados. Jesus escuta os feitos realizados e os convida a retirar-se para um lugar mais tranquilo para descansar e fazer uma revisão. Logo Jesus se preocupa com o povo que parecia como ovelhas sem pastor.

 Na primeira Leitura deste domingo, Jeremias denuncia a infidelidade dos governantes de turno. Aqueles maus pastores provocaram o exílio de grande parte do povo. O Povo no exílio está cansado e desanimado como um rebanho sem pastor. Mas a voz do profeta faz nascer a esperança de novos pastores que lutarão pela justiça e o direito. Jesus será o bom Pastor que devolverá ao povo a paz, a justiça e a Vida segura.

 Segundo o evangelista Marcos, o Pastor anunciado é Jesus de Nazaré. E o que impulsiona Jesus em sua missão é a misericórdia; como Bom Pastor acolhe os Discípulos e acolhe o Povo. Quando Jesus viu o povo abandonado como ovelhas sem pastor, comoveu-se e sentiu misericórdia.  O Povo cansado e oprimido busca em Jesus acolhida e proteção. Jesus, o Pastor o nutre com o evangelho da esperança, o alimenta com palavras de conforto, com o pão do amor, da ternura, da atenção. Ele cuida de suas feridas, alivia suas dores e devolve-lhe a dignidade perdida ou roubada.

 Eis o desafio da Igreja e seus ministros, pastores de hoje. A nossa tendência é tornar-nos burocratas do sagrado. Distribuir sacramentos ou pregações e fazer observar as leis sem muito nos importar com as necessidades do povo de Deus. O desafio é ser irradiadores da compaixão do Pai diante das multidões, que ainda hoje continuam como “ovelhas sem pastor”.

 Ainda hoje o povo tem necessidade de bons pastores e busca neles orientação, descanso, soluções e até milagres. Muitos buscam espiritualidade, buscam encontrar-se com Deus. Pessoas de todas as classes sociais buscam em líderes espirituais, bênçãos, paz, segurança. Buscam vida na Palavra de Deus.  Há os que buscam nas igrejas soluções imediatas, outros ainda fazem retiros de yoga, de meditação, fazem retiro de desintoxicação (Detox) e passam dias tomando somente líquidos para uma profunda dieta. Todos buscamos algo mais. Até os que já perderam a esperança de dias melhores, revoltados e desesperançados buscam alguma solução nas gangs, nos grupos organizados de traficantes, no terrorismo, nas quadrilhas. São como ovelhas sem pastor.

 Jesus enviou os apóstolos e discípulos para continuar a missão de bons pastores. Pastores são todas as pessoas que têm responsabilidades, na família, na escola, na catequese, nas igrejas, nas pastorais, na sociedade…Todos nós, discípulos-missionários de Cristo, fomos ungidos como pastores no dia do batismo. Movidos por sentimentos de misericórdia e compaixão, somos chamados a reproduzir em nós os traços de Jesus, o bom Pastor…

 Para sermos discípulos de Jesus precisamos cuidar mais das ovelhas que ele nos confiou: cuidar da família, dos filhos, da esposa, do marido.

Padres, bispos, pais, professores, autoridades todas, não podemos ser indiferentes. Nada deve nos separar da nossa responsabilidade de pastores; nem o afã de ganhar muito dinheiro, nem o egoísmo, nem o ativismo, nem o desânimo, nem nossas limitações e fragilidades, nada pode nos obviar da nossa responsabilidade de ser bons pastores para guiar e orientar as pessoas que Deus nos confiou.

 Para isso de vez em quando precisamos de deserto, de um pouco de silêncio como os apóstolos no evangelho de hoje, a fim de estar com Jesus, meditar, rezar e descansar o nosso coração em Jesus. Por isso participamos da missa dominical. Caso contrário, nos tornaremos funcionários do sagrado, sem sensibilidade e sem compaixão, incapazes de mostrar ao mundo o rosto compassivo do Pai.

 Como estou exercendo a missão que recebi de Deus? Como estou cuidando das pessoas que Deus me confiou?

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