Sexto Domingo Páscoa

Por amor qualquer coisa…

Pe. Scaravelli, c.s.

Não somente o ciúme, mas também o amor pode deixar uma pessoa cega. A canção fala: “ cego de ciúme e louco de amor”. Quando uma pessoa está apaixonada, o coração pode mais que a razão; pareceria que a razão fica cega. Por mais que os amigos ou familiares aconselhem diferentemente, as razões podem menos que a paixão, a paixão é um estágio, uma expressão do amor. Possivelmente você teve uma experiência assim. Uma vez apaixonado, tudo aquilo que a pessoa amada mandava ou desejava, você fazia. Uma vez apaixonada, o centro do mundo é a pessoa amada.

Algo assim espera Jesus dos seus seguidores no evangelho de hoje; discípulos que estão angustiados   ante a eminente partida de Jesus e temem ficar sozinhos e desamparados. “Se me amais, guardareis os meus mandamentos, então eu rogarei ao Pai e Ele vos enviará   o Espírito da Verdade”. Esse é o desejo do Mestre. É algo automático. O amor produz essa disposição de fazer a vontade do bem-amado. Se me amais, automaticamente guardareis os meus mandamentos. E quem acolhe os meus mandamentos e os observa, esse me ama. O amor necessita de provas. Observar os mandamentos é a prova do nosso amor para com Jesus.  As palavras contam pouco. Aquilo que você fizer será a prova do seu amor.

E quais são os mandamentos de Jesus? Em uma oportunidade Ele resumiu toda a lei e os profetas em apenas dois mandamentos que caminham unidos: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como Ele nos amou… Nisto saberão que sois meus discípulos” .

Tarefa muito difícil que sozinhos não o poderíamos fazer, porque somos como o jovem apaixonado e abobado: no princípio faz tudo o que o ser amado deseja, mas com o tempo perde o entusiasmo, a vida fica monótona, o egoísmo prevalece, a indiferença aparece e o amor pouco a pouco se esvai.

“Se me amais guardareis os meus mandamentos, então eu rogarei ao Pai e ele vos enviará o Espírito da Verdade que permanecerá em vós.”. Os ramos somente produzem frutos se estiverem unidos ao tronco, eles precisam da seiva, dizia Jesus no domingo passado. Se permanecermos unidos a Cristo, receberemos a força do seu Espírito que nos torna capazes de amar não só quando tudo está bem, mas sempre.

Certamente há momentos em que parece que nos sentimos sozinhos, abandonados por Jesus, então nos perguntamos, aonde está Deus? Não sinto a sua presença, não tenho vontade de rezar.

Sabemos que os frutos da oração são a paz interior, a alegria de viver e a caridade. `As vezes rezamos muito e não sentimos a paz interior, nem alegria de viver e nos tornamos impacientes e intolerantes.

Mas Deus não nos abandona. “Quem me ama, será amado por meu Pai e nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada”. Deus enviou o seu Espírito que mora em nós. Se permanecermos unidos a Ele também seremos capazes de amar, de assumir nossos compromissos com a comunidade e com Deus porque dele recebemos a força. Ele nos fortalece para que rezemos mesmo quando não sentimos vontade e nem emoções, porque é ali que nossa fé amadurece.  O Espírito de Jesus nos ensina que a fé não é apenas um sentimento, uma paixão, mas um compromisso, uma decisão, uma entrega sem reserva a Deus. Nos ensina que a motivação para a nossa participação e compromisso com a comunidade, com a família não deve nascer das satisfações pessoais, mas do nosso amor por Jesus.

O amor pode tudo. “Só por Jesus” só por amor a Jesus muitas vezes dizemos.  Por amor somos capazes de fazer qualquer coisa, e como consequência superaremos todos os medos e dificuldades porque temos o Espírito Santo, que veio fazer morada em nós.

Vem Espírito Santo. Vem!

 

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