Terceira Semana da Quaresma: Produzir frutos hoje!

Pe. Scaravelli, c.s.

Jesus não concorda com a ideia de que, uma tragédia ou uma desgraça seja, sinal de castigo de Deus por causa do pecado, porque Deus não castiga. As desgraças e as catástrofes não podem ser vistas como castigo divino e nem de malefícios de algum bruxo. Que feio seria se assim fosse! Que injusto seria se assim pensássemos, porque então os pobres que sempre são os mais atingidos pelas catástrofes naturais e pelas tragédias humanas seriam os preferidos da ira divina. Certamente eles não são mais pecadores que os outros. Os que morreram na queda da torre de Siloé, ou na matança comandada por Pilatos no Templo de Jerusalém ou os assassinados nessa semana em Nova Zelândia ou em Suzano em São Paulo, ou os que morrem todos os dias de fome ou como consequência das guerras ou do tráfico de drogas, não eram e não são mais pecadores que outros, nem do que nós. “ Vocês pensam que eles eram mais pecadores do que vocês?  Pergunta Jesus: Mas se vocês não se converterem morrerão todos do mesmo modo “. 

Tragédia segundo Jesus é nós rejeitarmos a ação salvadora de Jesus. Jesus nos faz uma advertência: o verdadeiro risco de arruinar a vida não está numa tragédia, mas em viver com olhar e coração distraídos, sem produzir frutos. Porque a vida não terá sentido.

Jesus não foge do problema das tragédias, mas convida todos a nos preocupar com as raízes do mal. Os judeus cultivavam sentimentos de violência e vingança contra Pilatos e contra os opressores romanos; eles tinham razões para isso, mas esses não são sentimentos de Deus. Deus criou o mundo e tudo o que nele contém, e nos deu o livre arbítrio de fazer o bem ou o mal. É pura ilusão pensar que algo pode mudar simplesmente substituindo os detentores do poder, substituir Pilatos por outro. Se as pessoas não tiverem um coração novo nada vai mudar. Ele convida para a conversão, para a mudança de mentalidade e do coração.

 A função da figueira é produzir frutos. O ser humano também tem a tarefa de produzir bons frutos de amor, paz, oração. A figueira do evangelho não dava frutos há três anos. Diferentemente dos outros evangelistas que nos falam que a figueira secou, Lucas, o evangelista da misericórdia apresenta a Deus paciente e compreensivo que espera e aguarda um tempo mais. Deus espera.  Diante da resistência à conversão de Israel, Deus mostra a sua paciência e bondade, mas acontece que a vida não espera, a morte não espera.

Nós somos a figueira, Deus é o agricultor e as nossas obras são os frutos. Podemos ver-nos espelhados nessa história que Jesus conta da figueira que não dava o fruto esperado? Há quanto tempo estamos nos sentindo inúteis, figueiras estéreis? Estamos produzindo frutos?

 A vida é maravilhosa, mas é breve, muito breve. Não deixe para amanhã o que deves fazer hoje. “ Amanhã quando vou me aposentar então vou trabalhar para ajudar os outros, amanhã vou ligar para o meu pai e vou me reconciliar, no futuro vou acertar as contas com Deus, no futuro quando tiver dinheiro vou colaborar mais com a Comunidade. No futuro vou deixar de tomar e vou cuidar da minha saúde”… E se o futuro nunca chegar?

Deus nos chama à conversão precisamente porque nos ama. Quaresma é esse tempo de conversão, um momento precioso para produzir frutos, não porque temos medo que Deus nos castigue, mas para estar preparados se por acaso a Torre de Siloé cair, ou aparecer um fanático armado aqui na igreja atirando balas por todos os lados.

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