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Dons e Carismas
A Salvação PDF Imprimir E-mail
Por Roberto Tannus   
13 de abril de 2006
No mês de dezembro de 2005, após o encontro na Cidade de Londrina, na parte posterior do ginásio de esportes uma mulher nos procurou pedindo oração. Junto com a coordenação da Renovação Carismática Católica da cidade nos colocamos em oração. A mulher estava há quatro anos numa cadeira de rodas e havia chegado ao local do retiro com muitas dificuldades.

            Ao rezarmos, sentimos no coração que Jesus queria curá-la. Para nossa felicidade a mulher ficou de pé, depois da nossa oração. Mas caiu no chão, contorcendo-se de raiva, com a voz e o semblante alterados. Seus olhos estavam virados, fora de órbita, onde as pupilas não eram vistas, mas apenas o branco dos olhos. Dominada por uma força maligna a mulher falava palavras carregadas de ódio e se debatia no chão. Após um profundo momento de oração de libertação, que todos fizemos em conjunto, com equilíbrio, discernimento e fé, a mulher ficou liberta e pôs-se a chorar.

            Discerni que a porta por onde a força maligna havia entrado naquele Templo do Espírito Santo era o ódio. Abaixei-me e perguntei à mulher: “Você tem ódio de alguém?” Ainda chorando respondeu-me: “Meu pai me expulsou de casa, depois que fiquei grávida como mãe solteira. Como não sabia fazer nada, me tornei prostituta e vendi meu corpo para cuidar de mim e da criança. Por isso mesmo, odeio meus pais! Há quatro anos fui perdendo os movimentos das pernas até ficar assim”. Enquanto a mulher ainda permanecia inerte, deitada no chão, disse-lhe com carinho: “Esse ódio que você nutre no coração está lhe deixando paralisada. Jesus quer dar vida a seus membros que não mexem mais. Porém, para fazer isso, Ele precisa primeiro devolver a vida a seu coração que não sabe amar, que está paralítico pelo ódio”.

Um dos irmãos da coordenação a abraçou como se fosse o seu pai. Ali, nos braços do amigo, pedimos para ela perdoar, para se lembrar da cruz de Jesus, das Suas primeiras palavras ditas no alto da cruz: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem!” Nos braços do amigo ela chorava e dizia: “Sim pai, você não sabia o que estava fazendo. Eu lhe perdôo. Também lhe peço perdão pelo desgosto que lhe dei!”.

            Depois que ela parou de chorar, falei ao seu coração: “A Salvação quer entrar em seu coração. Jesus é a Salvação. É em
Seu Nome que temos acesso a todas as bênçãos celestiais. E Jesus não veio para condenar, mas para salvar. Ele quer restaurar a sua vida”.
Para consumar a restauração daquela vida, ordenamos: “Em Nome de Jesus, levanta-te e anda!” Com muita dificuldade ela se levantou, trocou alguns passos. Andou. Todos choramos. Não nos emocionávamos somente pelas pernas que se mexeram depois de quatro anos inertes, mas por aquele coração que voltava a ter vida. A salvação entrou na vida daquela mulher.   

            Depois do nascimento de Jesus, Maria e José foram ao templo cumprir o que determinava a Lei de Moisés, que mandava que todo primogênito do sexo masculino fosse consagrado ao Senhor. Durante a apresentação do Menino Jesus no templo, Simeão tomou o Menino Jesus nos braços e exultou de alegria. O velho profeta havia recebido de Deus, muito tempo antes, a revelação de que não morreria sem primeiro ver a Salvação: “Agora podes levar o teu servo em paz, porque meus olhos viram a salvação”.

            A Salvação é uma Pessoa. A Salvação é Jesus! Na criancinha frágil nos braços de Simeão está a Salvação. A Salvação divina veio a nós revestida da fragilidade humana, envolta em panos numa pobre manjedoura, em Belém de Judá. A Salvação se consumou na contradição da cruz, no gesto do perdão supremo de um Deus, que mesmo flagelado, crucificado e humilhado, não deixou de nos amar. Venceu pelo amor. Apresentou-se a nós o próprio Deus que se fez homem e morreu a nossa morte, para que tivéssemos a Sua Vida Eterna. A Salvação veio repleta de perdão.   

Para isso Jesus veio ao mundo: para dar vida e vida em abundância. A Salvação quer entrar na vida de todo aquele que está sofrendo de algum tipo de paralisia. Pare e pense um pouco meu irmão, minha irmã: o que pode estar paralisado em sua vida também?

ROBERTO TANNUS

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Última Atualização ( 13 de abril de 2006 )
 
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