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Dons e Carismas
Quem Reza o Rosário nunca é desamparado PDF Imprimir E-mail
Por Roberto Tannus   
10 de maio de 2006
Era bonito ver a união de meus pais. Nenhum de nós, seus sete filhos, jamais assistiu a uma briga entre eles. Pode ser que lá no quarto tinham seus ajustes, mas nem assim ficávamos sabendo. Por isso mesmo, aquele 21 de outubro de 1985 era muito duro para minha mãe, que estava sepultando meu querido pai. Os dias se passaram e minha mãe não tinha mais a alegria dantes, mormente os esforços nossos, seus filhos. É que amor de filho não substitui o amor de esposo.

Mamãe foi ficando triste com o passar dos meses e acabou adoecendo. Até que um dia ela foi parar num hospital. Toda a família se reuniu em torno de sua cama. Estava consciente, medicada, mas muito doente. Subitamente, senti que o Espírito Santo me falava claramente: “Sua Mãe pediu que eu lhe avisasse que está na hora de sua mãe partir!” Fiquei gelado! Pedi que aquela voz interior se repetisse dentro de mim e, novamente, o Espírito Santo falou bem claro. Não restava dúvida alguma de que o Senhor, por causa da intercessão de Maria, queria que eu me despedisse de minha mãe.

 Apertei o terço contra a palma da mão, como se estivesse segurando nas Mãos de Maria. Levantei-me, dirigi até a cama de minha mãe, e falei um tanto quanto engasgado pela emoção: “Mamãe, está na hora da senhora ir para o céu!” Ela me olhou com surpresa, enquanto que o irmão mais velho, sem entender nada do que estava se passando comigo, argumentou com voz áspera: “Que é isso, Roberto, o que você está fazendo?” Disse-lhe que era a hora da despedida. Falei, ainda, que ele podia se retirar (ele não estava acreditando que minha mãe estava partindo para a vida eterna, ainda se agarrava aos últimos fios de esperança de que ela iria melhorar).  Não é fácil dar adeus a quem amamos. Porém, assim como Maria ao pé da cruz de Jesus, precisamos saber que, por causa dos méritos da Paixão, Morte e Ressurreição do nosso Senhor, não mais damos adeus a quem amamos, mas um até breve. Essa é a fé que nos consola!

Continuei dizendo á mamãe: “Está na hora da senhora ir para o céu! Pela intercessão de Maria o Espírito Santo me avisou que a sua hora de partir chegou.” Ela ainda respondeu, completamente consciente: “É mesmo, filho?” Continuei, fazendo o possível para arrancar aquelas palavras tão difíceis de serem faladas. “Mãe, não dá nem tempo para eu ir até o carro e ler um trecho da Bíblia para a senhora. Sei um trecho de cor que senhora gostava muito, que é João 9,1-6: ‘Não se perturbe o vosso coração, crede em Deus, crede também em mim. Pois, na casa de meu Pai há muitas moradas. Se não fosse assim eu vo-lo teria dito. Mas, depois de ir, preparar-vos-ei um lugar, para que onde eu estou, também vós estejais’”. Escondendo uma lágrima, continuei: Jesus já preparou para a senhora uma casa no céu. Vai em paz, mamãe, pois a senhora foi uma mãe maravilhosa. E, agora, mamãe, a senhora vai rezar a sua última Ave-Maria neste mundo. A próxima Ave-Maria a senhora rezará segurando nas mãos de Maria.”

Totalmente consciente minha mãe rezou aquela que foi a última Ave- Maria de sua vida na terra. Mal terminou a oração, fez o sinal da cruz e seu coração parou. A convicção que tenho é que, no momento seguinte, minha mãe estava segurando nas mãos de Nossa Senhora. Fechei seus olhos, com a certeza no coração de que ela já estava contemplando a Mãe de todas as mães.

No velório Deus nos reservava outra surpresa consoladora. Era o dia 21 de outubro de 1986, exatamente o primeiro aniversário da morte de meu pai. Também devo essa “deusidência” a Maria.

Existem por aí algumas pessoas que insistem em querer um cristianismo sem Mãe. Não é esse o tipo de fé que eu quero para mim. Quero seguir os passos de Jesus, que contou com o “sim” de Maria, que a atendeu nas Bodas de Caná e que, finalmente, no momento mais eloqüente de sua vida na terra, sua cruz, a entregou como Mãe de um de nós.

Quem reza o rosário nunca é desamparado. O seguinte testemunho ilustra bem isso, e quem me contou foi uma pessoa muito especial para mim.

Uma mãe, que morava na zona rural do Estado de Minas Gerais, estava grávida de seu quarto filho. Seus três filhos eram bem pequeninos. Aconteceu que seu marido veio a perder tudo e tiveram que mudar-se para outro Estado, completamente arruinados, financeiramente falando. O marido conseguiu um serviço de “caixeiro-viajante”. O pouco que podia deixar ele colocava nas mãos da querida esposa, viajando sem levar muita coisa. Quando os dias iam se passando as economias também minguavam. Por isso mesmo, a mulher com seus três filhos pequenos passou falta de muita coisa. Ela alimentava seus filhos, mas se esquecia de si. Então, ao se lembrar do filho no ventre, colocava as mãos sobre a barriga e rezava para Nossa Senhora: “Maria, a Senhora também é Mãe. Peça a Jesus para alimentar meu filho”.

Toda mulher, ao engravidar, acaba ganhando peso. Aquela mulher, ao invés de engordar, ao final dos nove meses, acabou emagrecendo. Sua irmã veio de Minas Gerais trazendo uma peça de pano para fazer o enxoval do bebê que estava para nascer. Como hábil costureira, trouxe tudo e foi fazendo cueiros, blusinhas, etc., tudo com muito carinho. Sobrou apenas um pedacinho de pano. Com essa sobra, ainda deu para fazer uma blusa pagã para a bonequinha da sobrinha, então com três anos de idade.

Quando a criança nasceu era tão pequena que passava direto pela gola das blusas do enxoval. No batizado adivinhem qual blusa serviu no bebê? Adivinharam! Foi exatamente a blusa pagã da bonequinha. Como era muito pequena e precisava ser aquecida, coube dentro de uma caixa de papelão daquelas de guardar botinas e teve como estufa um fogão à lenha. Se essa criança cresceu e se tornou alguém na vida ela nunca terá nada com que se orgulhar como sendo mérito pessoal.

Essa criança sou eu!

Sim, fui alimentado no ventre materno por Maria. Minha mãe consagrou-me antes de nascer a Nossa Senhora. E eu tive a honra de devolver a minha Mãe para Maria Santíssima, na fé que um dia a reencontrarei, na esperança do abraço materno que me espera na vida que há de vir.

Jamais deixarei de rezar para Maria. Eu jamais serei órfão de Mãe!

ROBERTO TANNUS

Última Atualização ( 19 de abril de 2006 )
 
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