supertiçãoSuperstição, Religiosidade Popular e Fé.

Superstição não é Fé. – O tênis que ele usava estava endemoniado, o deixou na miséria, quando destruiu o tênis  sua vida mudou. –  Peça para abençoar tudo o que for usar porque o  demônio vai entrar em sua vida pelas pequenas brechas, seja pelo quadro na parede, seja pelas calças rasgadas que você usa, seja pela camiseta com o nome de outra pessoa…- O demônio pode estar entrando em sua vida através da cama de hotel  aonde você for dormir, leve água benta com você e aspergir na cama antes de deitar.- Uma mulher foi libertada de 70 demônios e esses saíram todos  da brecha de um anel que havia sido levado ao pai de santo..”.

Difícil acreditar mas isso e outros conceitos absurdos saíram da boca de alguns pregadores vindos do Brasil para encontros e retiros, com brasileiros, nos Estados Unidos; estou falando de pregadores  católicos.

Superstição é uma crendice popular que não possui explicação cintífica, não tem sentido racional, é falsa e atrapalha a vida das pessoas. Mais exemplos: dá azar passar por baixo de uma escada, quebrar um espelho, cruzar a rua com um gato preto; dá sorte  bater três vezes numa madeira, carregar pé de coelho, achar um trevo de quatro folhas.

Acreditar em horóspoco e colocar uma medalhinha num copo de água e esperar que no terceiro dia aconteça um milagre é superstição do mesmo jeito. E não é bom porque só atrapalha a vida. Ademais de ignorância, revela falta de formação e  pouca fé em Deus.

Podemos entender que haja pessoas  supersticiosas, aliás, – quero creer que algo de superstição todos temos –  mas não podemos aceitar que sejam padres e freiras quem incentivem  e confundam superstição com  fé. E vir de tão longe ou estudar tantos anos para atrapalhar a vida das pessoas?!

Superstição e Religiosidade Popular. A superstição deve ser evitada, a religiosidade popular deve ser respeitada. O Papa Bento XVI chamou a religiosidade popular de “precioso tesouro da Igreja Católica” fortemente presente na fé do povo. Trata-se de expressões, atitudes e gestos que expressam uma relação pessoal com Deus. Beija-se uma cruz, faz-se uma procissão, romarias, peregrinações, benze-se um objeto ou busca-se uma cura através de uma benzedeira, um pastor ou um padre.

A religiosidade popular está enraizada no coração do povo, de maneira especial no  povo latino que se caracteriza por ser mais emotivo diferenciando-se dos nórdicos que são mais racionais.  Puebla, o Documento dos bispos da América Latina (1979)  diz que a religiosidade popular é uma expressão de verdadeiro catolicismo com elementos que devem ser purificados.

Lembro, quando em Buenos Aires,  das Festas em honra de N. Sra. de Copacabana que os imigrantes bolivianos celebravam. No início, pelos anos de 1980 nenhum pároco aceitava que os bolivianos celebrassem em sua paróquia, justificando porque  “eles somente apareciam uma vez por ano, dançavam ao redor da imagem de Nossa Senhora, se ajoelhavam diante da imagem… havia  muito folclore e pouca oração e ademais,  deixavam lixo nas dependências da igreja”. Com a intervenção do missionário scalabrinianos pouco a pouco os párocos foram entendendo a importância dessas celebrações para a fé do povo boliviano e que alguns elementos poderiam ser corrigidos.

Quais eram os elementos que deveriam ser purificados? Primeiro,  a quantidade de bebida alcoólica que era ingerida durante a  festa a ponto de ser  causa de brigas e  confusão, segundo, a falta de catequese sobre a nossa fé. Precisavam- se organizar assembléias com os líderes e novenas com o povo para refletir sobre o fundamento e o  centro da nossa Fé: Jesus Cristo.  E que Nossa Senhora é Mãe, é exemplo, é intercessora e que nos conduz a Jesus. Que Nossa Senhora de Copacabana pode ser venerada, amada mas não adorada porque somente  a Deus adoramos, como nos ensinam a Bíblia e a Igreja.

Em síntese, os objetos inanimados não tem poder (ferradura de cavalo, pé de coelho, inclusive medalhas, imagens). Atribuir poderes sobrenaturais aos objetos é superstição e deve ser evitado.  Mas alguns  objetos podem servir para aumentar a nossa fé, seja em Deus, seja em Nossa Senhora, nos Santos. Fazemos novenas, procissões, usamos medalhas,  rezamos o terço, en fim,  pedimos  à Nossa Senhora ou aos Santos que intercedam juntos a Jesus por nós, que nos ensinem a rezar, que nos conduzam a Jesus, que sejam exemplos para nós. Isso é religiosidade popular que está enraizada no coração do povo”e que deve ser respeitada.

A primeira e maior preocupação e ocupação de um agente de pastoral cristão portanto, deve ser pregar a Jesus Cristo,  Filho de Deus feito homem , morto e ressuscitado para a nossa salvação, que vive e nos revela a face amorosa do Pai (Kerigma). A segunda é respeitar a religiosidade do povo que tem fé e reza mais que nós, padres e freiras. Amém.

Pe. Scaravelli, c.s.

Boston, MA – 2016.

 

Share Button
Write a comment:

*

Your email address will not be published.

© 2014 Apostolado Brasileiro | Unindo Católicos Brasileiros na Grande Boston.
Siga-nos:                   

Facebook