Ciclo C

Textos: Jer 33, 14-16; 1 Tess 3, 12-4,2; Lc 21, 25-28.34-36

INTRODUCAO AO CICLO C

advento1EVANGELHO DE LUCAS

Darei algumas pinceladas para entender melhor São Lucas, evangelista que nos acompanhará durante todo este ciclo C.

Cada evangelista tem o seu próprio estilo e finalidade teleológica. Lucas, embora se serviu de fontes anteriores, sobretudo de Marcos, faz do seu jeito, com originalidade, e nos transmite bastantes páginas exclusivas, como os relatos da infância de Jesus, as parábolas do bom samaritano e do filho pródigo, os discípulos de Emaús.

Poderíamos resumir assim as características de Lucas:

  • Lucas vê a história da salvação em três tempos: primeiro, o Antigo Testamento, até a chegada de João Batista; segundo, o tempo de Jesus; e o terceiro, o tempo da Igreja, que continua a missão de Jesus até o final dos tempos (Atos dos Apóstolos).
  • Nesta história da salvação, o protagonista invisível é o Espírito Santo.
  • Lucas é o evangelista mais universalista: a salvação é para todos, também para os romanos e os samaritanos.
  • Lucas também é o evangelista da misericórdia: Deus perdoa e se alegra da volta do pecador.
  • A vida cristã para Lucas consiste em seguir Cristo.
  • Lucas, finalmente, é o evangelista que mais nos fala da Virgem Maria.

Agora façamos um resumo do primeiro domingo do advento.

Ideia principal: Avivar o desejo de sair com confiança ao encontro de Cristo, acompanhados das boas obras e de uma vida santa (oração coleta e 2 leitura).

Síntese da mensagem: Começamos o Advento, tempo de espero para rememorar o maior evento ocorrido na história: a vinda de Deus ao mundo mediante a Encarnação. A primeira vinda em Belém foi na simplicidade e na humildade. A segunda e última será precedida por sinais. Por isso nos urge que nos preparemos com boas obras e como convém (2 leitura) para receber ambas vindas: Cristo deitado num presépio e Cristo no final dos tempos. É verdade, vivemos em tensão entre a vinda do passado e a do futuro, não por fugir do hoje, mas porque é de sábios ter em consideração de onde viemos e aonde vamos.

Pontos da ideia principal:

Em primeiro lugar, temo muito que não nos competirá presenciar sentados no chão o grandioso espetáculo deste evangelho de Lucas que nos fala do futuro do mundo. Antes tem acontecer três coisas, que levam já muitos séculos sem serem cumpridas; primeira, a pregação do Evangelho em todo o mundo (cf. Mt 24, 14); segunda, a apostasia das nações evangelizadas (cf. 2 Tess 2,3) e a terceira, a conversão dos judeus ao Evangelho (Ecle 48, 1-11; Rm 11, 1-12; 9, 4-5). Em seguida, o fim do mundo. Cumpriram-se estas três coisas? Não. Tantas nações que não conhecem ainda o Evangelho. É verdade, existem apostasias aqui e acolá de indivíduos, mas não de todas as nações inteiras. Logicamente, alguns judeus, graças a Deus, converteram-se, mas não todos. Portanto, aqueles profetas de desgraças que pregam o fim imediato do mundo não tem fundamento. Falta, falta. Deus é rico em misericórdia e nos dá tempo para nos preparar em profundidade para esta última vinda gloriosa com boas obras e retas. A intenção de Jesus, portanto, não é catastrófica, pelo contrário, é de esperança: a sua vinda deve produzir alegria e confiança, pois se aproxima a nossa total libertação.  

Em segundo lugar, será Jeremias na segunda leitura quem, séculos antes de Cristo, e no meio de circunstâncias trágicas para o seu povo, também anunciou palavras de esperança:“Deus nos enviará um Salvador”. O profeta anuncia a salvação e a paz para todos, que se realizou em Cristo Jesus. Chega de tanto medo! Faz bem olhar para frente com valentia e continuar caminhando com esta esperança que é Cristo Jesus. Acordados e de pé (Evangelho), porque encontraremos ladrões no caminho que tratarão de nos assaltar. Acordados, para que não percamos a mente com o vício, a bebida e a preocupação do dinheiro. O Advento é um excelente despertador, porque tendemos a dormir, a cair na preguiça, bloqueados por mil preocupações desta vida, e não temos conectado o “wifi” aos valores do espírito para poder crescer neste Advento em virtudes e boas obras de caridade, justiça, solidariedade, procurando o nosso irmão necessitado, descartado, jogado no cantinho, discriminado, ferido… e transmitir-lhe a ternura de Deus trazida e infundida por Cristo aos nossos corações desde o dia do batismo.        

Finalmente, comecemos o Advento da mão de Maria Santíssima, mãe da esperança. Ela também teve o seu Advento. Ela esperou durante nove meses ver com os seus próprios olhos Aquele em quem cria e de quem esperava tudo. Quantas boas obras não fez Maria durante esse primeiro Advento, sintetizadas nos três meses em que serviu sua prima Isabel, que estava grávida e necessitava de umas mãos disponíveis, de uns olhos abertos e de uns lábios piedosos! Por isso, a Igreja e cada um de nós, devemos olhar para Maria e unir-nos a Ela para aprender a esperar. Maria é a Mae da esperança. Não só nos há de dispor convenientemente para aguardar o Menino Jesus, mas que também nos há de preparar adequadamente de tal modo que estejamos prevenidos para a sua segunda vinda, com o coração custodiado por esta Mãe. Aguardemos todos da mão desta Mãe a consumação dos séculos e a segunda vinda do Senhor. Assim Cristo nos reconhecerá que somos dos seus porque temos a marca da Mãe Maria, que é a sua Mãe e nossa Mãe.    

Para refletir: Quais coisas enfraquecem a minha esperança? O que faço para superá-las? O que é o que habitualmente afirma a minha esperança cristã? Recorro a ela nos momentos de dificuldade? Como posso me preparar melhor neste Advento? Quais obras boas, concretas eu estou disposto a fazer neste tempo de graça?

Para rezar: Maria, caminhai pertinho de mim neste Advento. Acompanhai-me, boa Mãe, fortalecei a minha esperança para que sejais o motor da minha entrega, o poço onde beber para continuar adiante, o refúgio onde descansar e recobrar forças. Recobrai a minha esperança ao projeto do Pai. Dai-me firmeza e até teimosia para continuar adiante. Enchei o meu coração da esperança que liberta para viver o amor solidário. O que se espera se consegue com o esforço, com o trabalho e com a vida. Confio-me em vossas mãos, Mãe do Advento, para que me façais forte na fé, comprometido na solidariedade e firme, muito firme, na esperança do Reino. Amém.  

Qualquer sugestão ou dúvida podem se comunicar com o padre Antonio neste e-mail:  arivero@legionaries.org

Acesse também: Curso completo para dar uma boa homilia

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