São Paulo, 20 de Outubro de 2015 (ZENIT.org) Pe. Antonio Rivero | 375 visitas

cego2Ciclo B

Textos: Jer 31, 7-9; Heb 5, 1-6; Mc 10, 46-52

Ideia principal: Processo de fé e iluminação deste cego até chegar a Jesus, encontrar-se com Ele, receber a cura e segui-lo.

Síntese da mensagem: a dinâmica da fé é a essência do discipulado, porque só a adesão total- a comunhão estreita com o Mestre- faz possível o seguimento Dele em todos os aspectos da vida. Este homem cego e pobre é o modelo do que sabe responder o chamado de Jesus: “Anda, levanta, Ele te chama!” (10,49), passando do estar “sentado na beira do caminho” (10,46) para “segui-lo pelo caminho” (10,52).

Pontos da ideia principal:

Em primeiro lugar, vejamos a situação deste cego. Na beira do caminho, aparece Bartimeu, humilde cego e mendigo, quem foi para se acomodar no justo lugar por onde deviam passar os peregrinos. Excluído da vida religiosa por causa da sua doença, e estava sozinho. Nesta época do ano, época em que as pessoas eram mais generosas, o cego espera captar mais esmolas. Ele já sabe a estratégia para consegui-las, por isso está ali no seu “lugar de trabalho”. Certas doenças- neste caso a cegueira- eram consideradas castigo de Deus. Assim, a situação de cegueira de Bartimeu, aparecia no preconceito social. Os cegos, da mesma forma que outros doentes e mulheres, estavam eximidos de participar nas festas religiosas. Dado que “A fé não é própria dos soberbos, mas sim dos humildes” (santo Agostinho, Catena Aurea, VI, p. 297), este humilde cego recebeu o prêmio: a luz da fé em Cristo Jesus. E com a fé o milagre da mudança de vida: tirou o manto sujo da sua vida passada e seguiu Jesus, único caminho de salvação.

Em segundo lugar, vejamos o caminho do cego até Jesus. A rotina do mendigo é quebrada, e quebrada para sempre, quando recebe a informação e se dá conta de que bem perto dele passa Jesus. Processo: Primeiro, escuta o passo de Jesus; a fé vem através do ouvido; e da cegueira passa à visão e da marginalidade no caminho passa a ser o seu ativo peregrino. Segundo, o grito da fé: Bartimeu, reconhecendo-o como Messias, clama misericórdia. A sua oração tem como transfundo a oração penitencial do salmo 51 (“miserere”, tende piedade), mas também a promessa messiânica de Isaias 35, 2-5: “abrir-se-ão os olhos dos cegos”. Terceiro, superação dos obstáculos: ademais das suas duas primeiras limitações, a sua cegueira e a sua pobreza, repreendem-no para calar-se; ele é a imagem do que entra no Reino despojado, abandonado com absoluta confiança na presença de Jesus. O despojo é ainda mais radical quando faz dois gestos: joga o manto e, pulando, vai até Jesus. O mando é o maior bem de um pobre, a única coisa que lhe pertence (cf. Êxodo 22, 25-26), é a sua coberta para a noite, o seu abrigo para o frio, o seu recipiente para a esmola. O seu pulo (inaudito para um cego!) é um gesto de confiança total, expressão de apoio na palavra de Jesus. Resultado? O cego consegue o seu objetivo: Jesus para diante dele e o chama. O encontro pessoal começa com um pergunta de Jesus: “o que queres que eu faça por ti?”. E termina com a cura. Bartimeu mudou completamente de situação: era cego e agora vê, estava sentado na beira do caminho e agora está no caminho, estava sozinho e agora está com Jesus e com o seu grupo. Também podemos supor que ao recobrar a vista e incorporar-se à comunidade terá deixado de mendigar. E tudo termina com o seguimento a Jesus. Agora Jesus tem um novo discípulo, que recebeu o dom da vista e se caracteriza pela sua fé.

Finalmente, e vocês que? Regozija-me saber que Jesus se deixa mudar de rumo diante do meu pedido, que vai, detém-se para me escutar, como fez com este cego Bartimeu. Mas também penso que às vezes as reclamações dos necessitados que me perturbam e procuro calá-los ou prefiro não escutar. Quero ter Bartimeu como mestre de oração, que sabia o que pedir, como pedir, onde pedir e não se deixava tapar a boca nem sequer pelos que estavam perto de Jesus. Bartimeu pedia esmola, mas quando Jesus passou, pediu o que realmente queria, que era ver. Quero ter essa franqueza e essa liberdade diante de Deus, e lhe pedir o que realmente necessito para a minha vida. Sem muitas palavras nem orações floridas nem fórmulas de outros, com a minha necessidade.

Para refletir: Meditemos este texto de São Gregório Magno: “Quem ignora o esplendor da luz eterna, é cego. Contudo, se há crê no Redentor, então já esta sentado à beira do caminho. Isto, porém, não é suficiente. Se deixar de orar para receber a fé e abandona as implorações, é um cego sentado à beira do caminho mas sem pedir esmola. Somente se crê e, convencido das trevas que escurecem o coração, pede ser iluminado, então será como o cego que estava sentado à beira do caminho pedindo esmola. Seja que for que reconhecer as trevas da sua cegueira, seja que for que compreender o que é esta luz da eternidade que lhe faz falta, invoque desde o mais íntimo do seu coração, grite com todas as energias da sua alma, dizendo: “Jesus, Filho de Davi, tende compaixão de mim”” (Homil. In Ev. 2,2.8).

Para rezar: Meu Senhor, que eu veja com os vossos olhos, que eu veja o bem e a sua fecundidade no meio de tantas trevas. Que os meus olhos de fé provoquem o vosso agir misericordioso em beneficio dos pobres pecadores, das almas. Meu Pai, que a minha alma se enriqueça com a luz da fé que brota de uns olhos de fé…que eu veja…que eu vos veja em tudo e em todos…que a minha fé me leve com audácia a confiar cegamente esperando TUDO de Vós…

Qualquer sugestão ou dúvida podem se comunicar com o padre Antonio neste e-mail: arivero@legionaries.org

Acesse também: Curso completo para dar uma boa homilia

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