tentaçãoTextos: Gen 9, 8-15; 1 Pe 3, 18-22; Mc 1, 12-15

Ideia principal: A Aliança que Deus fez conosco é eterna e definitiva.

Síntese da mensagem: A Aliança que Deus contraiu no Antigo Testamento com a humanidade é universal, estável, cósmica (primeira leitura). Com Cristo, essa Aliança será eterna, definitiva, nova e totalmente purificadora e santificadora, e nos chama para levar uma vida digna (segunda leitura). Por isso, essa Aliança requer de nós uma vigilância constante para sermos fieis, pois Satanás estará detrás de nós, como fez com Cristo, para que falhemos com Deus (evangelho).

Pontos da ideia principal:

Em primeiro lugar, a Aliança no Antigo Testamento. O mundo da Bíblia, como todo mundo humano, conhece a experiência doberit, principal termo hebraico para dizer aliança, relação de solidariedade entre dois crentes: indivíduos (Gen 21,32), cônjuges (Ez 16,8), povos (Jos 9), soberanos e súditos (2Sam 5,3); para resolver disputas de propriedades, de vizinhança, de projetos que contrastam em si (Gen 21, 32; 31,44; 2 Sam 3, 12-19). Antes que categoria religiosa, a aliança é uma profunda experiência humana de relação construtiva em muitíssimos níveis privados e públicos, individuais e coletivos, não por brincadeira, mas para reger o peso da vida. Por este motivo tão existencialmente significativo e universal, a aliança não podia deixar de ser assumida por Deus, de acordo com o principio da pedagogia divina, como símbolo e paradigma da sua relação com o homem, obviamente segundo as características especificas de tal proporção, única em si mesma. Quais? Trata-se de uma relação entre partes infinitamente desiguais (Deus e o homem); trata-se de uma relação totalmente não preestabelecida, uma relação querida com livre eleição da parte de Deus, segundo a sua lógica de amor (Dt 4,37), onde mais que contato bilateral, é um juramento de Deus de eleger-se o povo como aliado, com o qual é fácil a passagem da aliança ao testemunho ou testamento de Deus. Última característica: a aliança de Deus se vale dos seus servidores ou ministros, os quais, por sua parte, apresentam-se como aliados por excelência com Deus e, ao mesmo tempo, solidários com o povo, testemunhas exemplares e confiáveis na primeira pessoa de quanto anunciam aos outros.

Em segundo lugar, a Aliança no Novo Testamento realizada em Cristo e por Cristo. Por meio está a morte sacrifical e vitoriosa de Jesus, em cujo contexto, durante a Última Ceia, Jesus pronunciou por primeira e última vez o termo aliança: “Tomai e bebei…Este cálice é a Nova Aliança selada com o meu sangue, que é derramada por vou” (Lc 22,20). A referência está claramente relacionada com o sangue da aliança no monte Sinai (cf.Ex 24,8). Porém com o matiz fundamental de que se trata de uma aliança verdadeiramente nova, isto é, correspondente com o desígnio de Deus. De tal novidade, em estreita e iluminadora confrontação com a antiga aliança, move-se, sobretudo, a Carta aos hebreus, que usa o termo 17 vezes. Jesus é a aliança personificada: Nele se exprime a fidelidade de Deus e ao mesmo tempo a fidelidade do homem, para sempre. Graças a Ele o homem recebe o coração de uma nova criatura e o dom do Espírito (cf. Heb 8,10). Também na Última Ceia Jesus afirma: “Eu vos asseguro que não beberei mais deste fruto da videira até o dia em que beba o vinho novo no reino de Deus” (Mc 14,25). Com estas palavras revela que a novaaliança não é um acontecimento estático, mas que vem a ser uma incessante oferta que interpela toda pessoa, inclusive aquelas que não sabem, até o Reino chegar à sua plenitude. Então tocará o porto esta singular relação de Deus com o  homem, semeada na criação, feita visível no povo de Israel, debilitada e quebrada pela pecado e finalmente, em Cristo, convertida no grande projeto realizado (cf. Ef 1,4-6).

Finalmente, nós entramos para formar parte dessa Aliança de Cristo no dia do nosso batismo. E toda a liturgia, todos os sacramentos, especialmente a eucaristia e o matrimônio, os demais sinais sacramentais (o canto, os lugares de culto, o pão e o vinho, o altar, outros símbolos…) são relacionados e contemplados dentro do mistério da aliança selada com o sangue do Cristo. Esta aliança exige de nós uma vida santa e uma luta contra o pecado.

Para refletir: Vivo a minha vida cristã em clave de Aliança com Deus? O meu matrimonio, a minha consagração a Deus na vida religiosa ou sacerdotal… Vivo isto em clave de Aliança com Deus? O que faço para defender essa Aliança com Deus?

Para rezar: Senhor, fazei-me fiel a vossa Aliança. Perdoai as minhas negligencias. Dai-me forças para corresponder a esta vossa Aliança de amor.

PARA COMPREENDER  MELHOR  A QUARESMA DO CICLO B

Quaresma significa quarenta dias. Repetidamente a Bíblia apresenta a quarentena-de dias e de anos- como período de preparação para um acontecimento importante: os quarenta dias do dilúvio universal, os quarenta dias de Moisés no monte antes de contrair a Aliança, os quarenta anos de Israel no deserto até chegar à terra prometida, os quarenta de Elias na sua fuga, o prazo de quarenta dias que Jonas deu a Nínive para a sua conversão, os quarenta dias de Cristo no deserto, os quarenta dias entre a Ressurreição e a Ascensão de Jesus.

As leituras dominicais do ciclo B estão bem organizadas:

As primeiras leituras do Antigo Testamento apresentam a História da Salvação nos seus grandes momentos, neste ano sob a categoria da Aliança: a Aliança com Noé (primeiro domingo), com Abraão (segundo domingo), com Moisés e o povo no Sinai (terceiro domingo), o castigo pela infidelidade de Israel (quarto domingo), o anuncio da nova Aliança por Jeremias (quinto domingo) e a entrega do Servo para a reconciliação universal (Ramos).

Os evangelhos têm uma coerência independente: os dois primeiros domingos nos apresentam os temas clássicos da tentação e da transfiguração, mas em Marcos; no domingo 3,4 e 5 nos apresenta uma catequese da morte vitoriosa de Cristo, desde o evangelho de João; no domingo de Ramos leremos a Paixão de Cristo segundo São Marcos. O tema é o mistério da Páscoa de Cristo.

As segundas leituras não têm continuidade entre si. São as consequências morais para nós desse mistério pascal de Cristo.

Portanto, dois temas fundamentais durante esta quaresma segundo São Marcos: a Aliança e o mistério da cruz de Cristo.

Qualquer sugestão ou dúvida podem se comunicar com o padre Antonio neste e-mail:  arivero@legionaries.org

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