trindadeCiclo B

Textos: Deut 4, 32-34.39-40; Rm 8, 14-17; Mt 28, 16-20

Ideia principal: Deus é um Deus próximo. Os Padres da Igreja chamavam esta verdade de condescendência divina, um “abaixar-se de Deus”, acomodar-se às capacidades do homem. E tudo por amor.

Síntese da mensagem: neste ciclo B se apresenta para nós um Deus próximo a nossa vida: que por amor gratuito fez de Israel o seu povo eleito, que por amor paterno lhe dirigiu a sua Palavra, que com amor firme o libertou “com mão forte e braço poderoso” da escravidão (1 leitura), e que aos que estamos batizados no seu Nome nos concedeu ser filhos adotivos seus (2 leitura) e nos lançou pelo mundo para ensinar esta verdade ensinada por Cristo (evangelho). 

Pontos da ideia principal:

Em primeiro lugar, esse abaixar-se de Deus até nós foi progressivo. São Gregório Nazianzeno diz: “No Antigo Testamento se revelou claramente o Pai e começou a se revelar, de forma ainda velada e escura, o Filho. No Novo Testamento, se revelou claramente o Filho e começou a fazer-se luz o Espírito Santo. Agora (na Igreja), o Espírito habita entre nós e se revela abertamente. Desse modo, por sucessivas conquistas e ascensões, passando de claridade em claridade, era necessário que a luz da Trindade brilhasse diante dos olhos já iniciados na luz” (Oratio, 31,26). Santo Agostinho viu com mais clareza este mistério: esse Deus que se aproxima e condescende com o homem é Amor, é uma Trindade de Amor na qual o Pai é o amante, o Filho, o amado, e o Espírito Santo, a amor (cf. De Trinitate, VIII, 10,14; IX, 2,2). A primeira leitura nos dá gestos de amor desse Deus: nos fala através dos patriarcas, profetas; salva-nos da escravidão. Ele será a alegria para nós, com tal de guardarmos a sua Palavra e os seus mandamentos.

Em segundo lugar, na segunda leitura de hoje este Deus tão próximo dá um passo mais: é Pai amoroso e nós somos filhos no Filho. A analogia nos permite distinguir claramente entre a nossa filiação e a do Senhor Jesus: Ele é Filho por natureza, nós somos por incorporação. A mesma analogia, embora imperfeita, não é uma filiação fictícia, mas “uma participação real na vida do Filho único” (Catecismo da Igreja Católica, 460), “por quem podemos invocar Deus Pai com o mesmo nome familiar que usava Jesus: Abba” (Juan Pablo II, Catequese do dia 16 de dezembro, 1998). Por que é uma filiação autêntica? Porque se realizou em nós uma profunda mudança na nossa natureza, uma transformação ontológica que nos configura com o Senhor Jesus e nos incorpora no seu Corpo místico, que é a Igreja (Catecismo da Igreja Católica, 1121; 1272-1273). Por um Dom do Pai os que cremos no Filho único chegamos a ser verdadeiramente filhos no Filho único (Jo 1,12), segundo a comovida expressão do apóstolo João: “Vede com que amor o Pai nos amou para nos chamar filhos de Deus, e de fato, o somos!” (1 Jo 3,1).    

Finalmente, no evangelho se dá o terceiro passo desta bela revelação de Deus. Deus é Trindade. O Deus uno e simples, vive em três Pessoas: o Pai, o Filho, que assumiu carne em Cristo, e o Espírito Santo. A Trindade significa que Deus não é um Deus solitário, mas é uma comunidade de amor. Deus é um amor feito vida: amor como pessoa. O resto do que sabemos ou podemos saber de Deus vem como consequência. E neste evangelho, Cristo nos anuncia a missão que encomendou à Igreja. É uma triple missão: evangelizadora (“Ide e fazei discípulos”), celebrativa (“batizando-os no nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”) e vivencial (“ensinando-os a guardar tudo que eu vos mandei”).  

Para refletir: Como experimento na minha vida o amor da Santíssima Trindade? Como trato cada dia a Trindade Santa? Com qual Pessoa divina tenho mais intimidade: com o Pai, com o Filho, com o Espírito Santo? Com quem mais me assemelho: com o Pai na sua ternura, com o Filho na sua sabedoria, como Espírito Santo no seu bálsamo consolador? 

Para rezar: Rezemos com a beata Isabel da Trindade: “Ó meu Deus, trindade adorável, ajudai-me a esquecer-me de mim por inteiro para me estabelecer em Vós!  Ó meu Cristo amado, crucificado por amor! Sinto a minha impotência e vos peço que me revistais de Vós mesmo, que identifiqueis a minha alma com todos os movimentos da vossa alma; que me substituais, para que a minha vida não seja mais que uma irradiação da vossa própria vida. Vinde a mim como adorador, como reparador e como salvador…  Ó fogo consumidor, Espírito de amor! Vinde a mim, para se faça em minha alma uma como encarnação do Verbo: que eu seja para ele uma humanidade sobre acrescentada na que ele renove todo o seu mistério. E Vós, Ó Pai, inclinai-vos sobre a vossa criatura; não vejais nela mais que o vossa amado no qual pusestes todas as vossas complacências. Ó meus três, meu tudo, minha felicidade, solidão infinita, imensidão na qual me perco! Entrego-me a Vós como uma presa; sepultai-vos em mim para que me sepultar em Vós, na espera de ir para contemplar na vossa luz o abismo das vossas grandezas”.

Qualquer sugestão ou dúvida podem se comunicar com o padre Antonio neste e-mail: arivero@legionaries.org

São Paulo, Região Sudeste, Brasil, (ZENIT.org)

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