Ciclo B

4 domingo comum1Textos: Deut 18, 15-20; 1 Cor 7, 32-35; Mc 1, 21-28

Pe. Antonio Rivero, L.C. Doutor em Teologia Espiritual, professor e diretor espiritual no seminário diocesano Maria Mater Ecclesiae de são Paulo (Brasil).

Ideia principal: O profeta só tem que dizer as palavras de quem o manda, embora sejam duras de ouvir e difíceis de colocar em prática.

Síntese da mensagem: Desde o batismo, todo cristão é profeta. Da parte de Deus, o profeta anuncia a Boa Nova e denuncia o mal, em ordem à salvação dos homens. Quem escutar e prestar atenção se salvará. E, ai do profeta que não anunciar o que Deus lhe mandou! (primeira leitura).

Pontos da ideia principal:

Em primeiro lugar, ser profeta não significa preanunciar fatos futuros. Profeta não é só o que prediz de antemão o que vai acontecer, mas antes de tudo o que fala em lugar de outro. Não o que fala “antes”, mas “no lugar de”. O profeta judeu era propriamente o que falava em nome de Javé ou na sua honra, o que proclamava os seus louvores, o que pregava a sua doutrina e anunciava os seus decretos. Era o arauto, o interprete do Senhor. É certo que normalmente o Senhor governava o povo de Israel através dos seus legisladores. Mas às vezes queria manifestar vontades expressas, e para isso recorria ao profeta, não pedindo para ele um serviço, mas intimidando-o a cumprir uma ordem. Com frequência, como hoje com Moises (primeira leitura), enviava-o para falar diante de uma assembleia, sem que tivesse sido previamente convidado, e o profeta se via obrigado a ir das praças ao templo, e do templo aos palácios dos grandes, como um inoportuno, às vezes, como um estraga prazeres. Também o Senhor se valeu deles para anunciar o futuro. Assim predisseram muitos detalhes sobre o Messias que tinha que vir, e anunciaram que os grandes fatos do Antigo Testamento eram uma imagem do que aconteceria depois em Cristo e na Igreja. Fatos e palavras. Os profetas, com as suas palavras explicavam o sentido dos fatos, e anunciavam que no futuro esses fatos se repetiriam, mas num nível infinitamente superior. E chegou Cristo, o Grande Profeta definitivo.

Em segundo lugar, sim, Jesus é o Profeta definitivo que fala e age com autoridade. Não somente falaria em nome de Deus, mas que Ele mesmo seria a Fala de Deus, a Palavra de Deus, o Verbo de Deus. O Verbo feito carne. E veio para falar com todo o poder da majestade divina. Não só o que ensina a verdade, mas o que é a Verdade mesma. Não só o que marca o caminho da vida, mas que Ele mesmo é o Caminho e a Vida. Jesus falava com autoridade. Falar com autoridade é convencer e impulsionar. Para isso, se necessita uma coisa que todos têm; outra que poucos têm e outra que quase ninguém têm, e são: palavras prometedoras, que já saem sobrando; vida consequente com as palavras, que escasseia, e fatos que falem a vida e as palavras, que já faltam. Jesus com a sua palavra, a sua vida e os seus milagres assustava até os demônios e terminou com as suas interferências nas vidas dos homens; eis aqui o caso do possuído do evangelho de hoje. Só o poder de Jesus é capaz de exorcizar os homens, isto é, de tirar do corpo deles os demônios pós-modernos; o conforto materialista da vida, o hedonismo do prazer pelo prazer, o culto ao dinheiro, o culto ao êxito pessoal, o laicismo sem espírito, sem alma e sem Deus, a filosofia do descarto e da indiferença diante da pobreza humana. Estes são os únicos demônios que até agora eu conheço, a única autoridade em que creio e o único exorcismo que pratico, em nome de Jesus.

Finalmente, todo batizado também participa do profetismo de Jesus. Não só os sacerdotes são profetas. Também todo leigo batizado. Devemos oferecer a Deus os nossos lábios de modo que o Senhor possa continuar pregando através de nós durante todo o transcurso da história, expulsando esses demônios que continuam estragando os corpos e as almas de tantos que se deixam levar pelos feitiços prometendo a eterna juventude, como narra o escritor irlandês Oscar Wilde na sua obra “O retrato de Dorian Gray”, em troca de vender a sua alma ao Mefistófeles de bate a porta de nossa casa, parafraseando o Fausto do escritor e poeta alemão Goethe. E temos que pregar a boa nova em cima dos telhados: casa, fábrica, local de trabalho, escola, hospital, casa de anciãos… Até chegar a todas as periferias existenciais, físicas, morais e espirituais. Profetas que também saibamos denunciar com respeito todos os desvarios e injustiças de tantos -o pecado-, como fazia Cristo. E isto desde todos os meios lícitos e bons: meios de comunicação, púlpito, cátedras, mesa familiar. E não só com a palavra, mas, sobretudo com o exemplo de vida. Tomemos cuidado com os falsos profetas! Rapidamente se manifestam prometendo a teologia da prosperidade ou uma vida sem normas morais. Cristo já nos alertou.

Para refletir: Sou consciente de ser profeta desde o batismo? Anuncio com alegria e convencimento a Boa Nova do Evangelho, sem medo e sem temor? Denuncio o mal, sem colocar tempero no que diz Deus sobre os critérios mundanos? A quem não quis anunciar a mensagem de Cristo e denunciar com caridade o mal?

Para rezar: Medite estas palavras da primeira leitura: “Colocarei as minhas palavras na sua boca, e ele dirá tudo o que lhe ordenar”.

Qualquer sugestão ou dúvida podem se comunicar com o padre Antonio neste e-mail:  arivero@legionaries.org

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