Que importância tem Deus na nossa vida! Poderia o ser humano viver sem Deus e sem uma referência de Deus que oriente a sua convivência! Alguém dizia que quando Deus e a religião desaparecem na vida das pessoas, essas se tornam presas fáceis das paixões e do individualismo. A história nos ensina que cada vez que a pessoa ou a sociedade abandona Deus, escolhe um ídolo. Na Bíblia vemos o que aconteceu com o povo de Israel, quando obedece a Deus e segue o seu caminho, alcança o objetivo proposto, mas quando se afasta cai escravo dos seus erros e dominado por outros povos, como no Egito quando Deus intervêm e o liberta conduzindo-o à Terra Prometida. E nessa caminhada através do deserto o povo cansa, espera por sinais visíveis e desiste, exige provas e desanima e acaba fazendo um bezerro de ouro para prestar-lhe culto.

Muitos ídolos desempenham o papel de substituto de Deus. No deserto foi o bezerro, em nossos tempos são outras centenas de ídolos. O que não muda são os seus efeitos: a indiferença de uns para com os outros, o individualismo, as brigas, as separações, a droga, as bebedeiras, as insatisfações, a corrupção, a violência, as injustiças. (7 de Setembro)

filho-prodigoO filho pródigo do evangelho de hoje, no desejo de buscar mais liberdade renunciou à sua posição de filho e foi para longe para ser cuidador de porcos e longe do Pai vai debilitando-se espiritualmente. Sonhou a sua felicidade com uma vida independente e voltou espoliado, esfarrapado, faminto e sem dignidade.

Não ter Deus em nossa vida nos leva a perder-nos. E qualquer um de nós pode perder Deus. Há muitos ídolos que nos querem atrapalhar. A atração idólatra é grande. Mas se isso vier acontecer, De
us não nos perde jamais. Ele nos busca, nos convida e nos acolhe como o Pai misericordioso que espera a volta do seu filho. O capítulo 15 do evangelho de S. Lucas é o coração do evangelho. O amor do Pai é o fundamento das atitudes de Jesus que acolhe a todos, inclusive e especialmente aos pecadores que mais necessitam da graça de Deus. E respondendo às críticas daqueles que se escandalizavam com a solidariedade de Jesus para com os pecadores – Os fariseus e os mestres da Lei criticavam a Jesus dizendo: “Esse Homem acolhe os pecadores e faz refeições com eles”- Jesus conta três parábolas. Elas mostram a atitude de Deus que vai à procura da ovelha e, da moeda que se perdem e espera pela volta do filho pródigo que abandona a casa paterna.

Deus jamais desiste. Churchill, talvez o maior orador do século XX, famoso por combater os Nazis, numa cerimônia de graduação subiu ao palco para um discurso e com voz suave disse: “Jamais, jamais, jamais, jamais desistam”. Desceu do estrado e fez-se um prolongado silencio e logo todos de pé o aplaudiram.

Moisés tinha motivo para desistir diante da testa rudez dos israelitas. Deus realizava prodígios e o povo no meio das dificuldades se esquecia e novamente desistia.

Assim como nós, sentimos muitas vezes a tentação de desistir; esperamos por uma solução que nunca chega; rezamos, imploramos a intervenção de Deus e Ele nos responde com o silencio. Temos motivos para desistir.

Deus não, muito pelo contrário, jamais desiste, tem paciência e é misericordioso; espera pela volta do Filho e o acolhe. Essa parábola tem dois aspectos: o processo de conversão do Filho pecador – a conversão sempre é um processo, nunca se dá por arte de mágica, num de repente – e o problema do justo representado pelo irmão mais velho, sobrio, obediente e trabalhador mas que não é um irmão e que se resiste  a partilhar a alegria do perdão.

O Pai sai ao encontro dos dois filhos. Não desiste de esperar todos os dias e se alegra ao acolher o filho pecador que retorna à casa; e não somente o acolhe, mas lhe devolve a dignidade de filho colocando-lhe o anel no dedo mas vai também ao encontro do filho mais velho e o convida para entrar e partilhar a alegria.

Nós podemos abandonar a nossa dignidade de filhos, Deus não abandona a sua missão de Pai. Quantos filhos pródigos e perdidos continuam ainda hoje longe da casa do Pai porque não há quem vá ao seu encontro. Quanta gente não participa da Igreja, da comunidade porque são mais os que condenam do que aqueles que acolhem.

A Palavra de Deus deste domingo é um convite para imitar o gesto do Pai que respeita a liberdade e decisões dos filhos; que continua a amar e esperar; que está sempre preparado para abraçar os filhos que retornam; que acolhe com amor e que festeja a alegria do reencontro.

Portanto, jamais, jamais, jamais desista de fazer o bem e jamais desista de Deus porque com Ele serás mais acolhedor, mais compreensivo e mais misericordioso. Parafraseando a Irmã Tereza de Calcutá: Se tu és gentil alguém pode acusar-te de interesseiro, seja gentil assim mesmo; se tu procuras alguém para pedir-lhe perdão, podes receber uma resposta mal-educada, perdoe assim mesmo; se tu és honesto, alguém vai te enganar, seja honesto assim mesmo; se tu vives em paz alguém vai sentir inveja, seja feliz assim mesmo”.

Não desistas portanto dos teus bons propósitos, ainda que tudo diga o contrário, ainda que teu irmão abandone a casa e seja um ingrato, ainda que tu cometas os mesmos erros, ainda que não enxergues sinais visíveis de solução, espere e não desista. Não desista jamais porque Deus jamais desistirá de ti!

Pe Volmar Scaravelli, c.s.

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