O Rico insensível e  sem nome
Pe. Volmar Scaravelli, c.s.
Resultado de imagem para evangelho do domingo Lc 16,19-31
Na bíblia o nome tem uma importância particular. Todos os nomes bíblicos ademais de  bonitos, têm um significado. Javé significa “aquele que é”;  Eva significa “mãe de todos os viventes”; Pedro  (Kefas) vem de “pedra”. Por outro lado, dar  nome é sinal de domínio. No Gênesis  Adão  dá nome às demais criaturas. Chamar pelo nome é sinal de amor, de carinho, de conhecimento e pode significar chamado.  Deus chama pelo nome: “Quando ainda estava no seio da minha mãe Deus me chamou” diz o profeta Isaías.
A parábola do evangelho deste domingo mostra como Deus pensa diferente de nós. Para nós o pobre tem menos importancia do que o rico. “Alguém está batendo na porta pedindo comida”, “os caras na esquina estavam se drogando” , o pobre não tem nome, é um Zé-ninguém. Enquanto que do rico nós sabemos o nome ou pelo menos o  chamamos de  senhor. No evangelho de Lucas o  homem rico que se vestia à  útlima moda, se bronzeava e se banqueteava todos os dias não tem nome. Pessoa sem nome pode ser qualquer e pode ser ninguém. Enquanto que o pobre que comia as migalhas que caíam da mesa do rico chama-se Lázaro, nome que significa “Deus ajuda”. . Os dois morrem. Um vai para  o seio de Abrahão (para o céu) e o outro para o inferno. O rico sem nome implora a ajuda de Lázaro mas o abismo que há entre os dois não permite que alguém atravesse de um lado para o outro. É tarde demais. Alguem cavou esse abismo.
A parábola não pretende tratar o tema da retribuição: quem é pobre fica rico e quem é rico fica pobre e tampouco pretende condenar as riquezas. O rico vai para o inferno e o pobre vai para o céu. Não é assim. O evangelho de Jesus quer questionar a situação injusta e a insensibilidade do rico sem nome. Ele foi condenado não porque tinha muito dinheiro, mas porque tinha pouca sensibilidade, não prestou atenção ao próximo que estava  tão pertinho, sentado à sua porta e ansiava comer das migalhas que sobravam. É  condenado porque fecha a porta do seu coração e dos seus olhos; fecha-se em seu egoísmo e cava um abismo entre ele e Lázaro. Abismo que permanecerá na outra vida e quem quiser passar de um lado para o outro já não o poderá fazer.
Nem vocês e nem eu somos ricos se nos comparamos com Bill Gates ou com o Donal Trump. No entanto se nos comparamos com a maioria das pessoas no mundo, somos privilegiados. Nós temos roupa, comida, ar condicionado, telefone, carro e mais que preocupados com o que comer, estamos preocupados com a dieta, com o que não devemos comer. A maioria dos Lázaros encontram-se ainda batendo à porta (e 50% da população mundial para se ter uma idéia, nunca conheceram um telefone) e passam fome.
Porém, isso não significa que temos que carregar nos ombros os problemas do mundo. Temos suficientes problemas no dia a dia para carregar e resolver. Mas o que não podemos é isolar-nos do mundo e dos outros como se existissem somente os nossos problemas. “Ai dos que vivem despreocupadamentre em Sião” diz o Senhor na primeira leitura do livro de Amós. Não podemos ser insensíveis como o rico do evangelho. Para Jesus, os bens foram dados a todos e quem tem mais é convidado a partilhar com os  que não tem. A generosidade e a partilha será sempre o sinal e o testemunho mais visível dos que seguem a Jesus Cristo.
Porque a insensibilidade nos leva a fechar-nos sobre nós mesmos como caramujos e ver o mundo desde a nossa mesquinhez e dos nossos problemas.  E não há fómulas mágicas que nos ajudem a superar a nossa insensibilidade e o distanciamento entre nós e os outros; não há fórmulas mágicas que transformem o nosso coração de pedra em coração de carne. “Se não escutarem a Moisés e  os profetas, eles não acreditarão ainda que alguém ressuscite dos mortos”. A única força capaz de transformar o coração é a Palavra de Deus  e não os milagres. Moisés e os profetas  era a fórmula com a qual, no tempo de Jesus, se indicava toda a Escritura.
Fomos criados para a relação e para a comunhão. E Deus, com a nossa vontade, pode transformar o nosso coração e fazê-lo sensível à presença dos Lázaros que estão  à nossa porta e à nossa mesa pedindo ajuda,  talvez pedindo carinho, talvez pedindo atenção, talvez pedindo tempo, talvez pedindo paciencia, talvez pedindo fidelidade, talvez pedindo compreensão ou talvez pedindo pão.
 
Não cave um abismo entre ti e os Lázaros porque esse abismo poderá permanecer para a eternidade e então serás um Zé-ninguém porque teu nome desaparecerá da lista da Vida.
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