tomé1Textos: Atos 4, 32-35; 1 Jo 5, 1-6; Jo 20, 19-31

Ideia principal: Ver e tocar para crer.

Síntese da mensagem: Temos que agradecer a Tomé esse querer ver e tocar para crer. Encontrar-se com um ressuscitado não é coisa de todos os dias como para acreditar sem mais nem menos. E menos Tomé, o realista, que não acreditava nem sequer na sua sombra, para quem o ressuscitado seria um fantasma normal.

Pontos da ideia principal:

Em primeiro lugar, eu gosto de Tomé, é dos meus: independente, realista, desconfiado, seguro de si, cético… O que se diz um homem de hoje: cientifico (que provas são razões e não boas afirmações), materialista (vamos viver com os sentidos, que são quatro dias! Ou como dizia o meu pai, que em paz descanse, quando o médico quis receitar para ele uma dieta espartana: “Para três dias que vivemos, como o que me dá vontade e basta”), pessimista (que o mundo vai de crânio e o pior é sempre o mais seguro). Este Tomé é um sujeito tão típico do nosso mundo de hoje. Querer colocar os dedos nas feridas das mãos e do lado. Querer pisar firme na sua vida. Não quer ser ingênuo, nem tonto, nem bobinho, nem falar por boca de ganso, como se diz em espanhol. Quer seguranças… E quem não as quer? Tomé realmente era o porta-voz de todos nós e dos outros apóstolos, que pensavam e esperavam, creiam e duvidavam todos igualmente. Todos passaram e passamos todas as nossas gripes de fé, ninguém crê pondo a mão no fogo que Jesus era Deus. Quando o viram na cruz decidiram: “Isto foi um erro; vamos todos para casa, voltemos para o lago, para as redes e para os barcos”.

Em segundo lugar, esse Tomé sim que deu um pulo na fé. Tomé também creu. Creu, mas dolorosamente. Por causa do seu caráter seguro construiu uma fortaleza e vivia ali dentro, sem porta nem janelas que dessem para a esperança, para o sonho, para a surpresa, para o futuro…não fossem assim entrar a desilusão, o fracasso, o sofrimento. Tinha medo de crer. Sem cria, mas altaneiramente. Tomé cria e punha a fé difícil para os demais apóstolos e para nós. A nossa fé não pode ser de gente boba e ingênua, irracional e simples. Como Tomé nos propõe Cristo? Propõe-nos Cristo como um Senhor que vive…“com as feridas”. Sem se dar conta, o descreditado Tomé (símbolo perfeito para nós) nos mostrou um itinerário de fé que sai do que nos acostumamos imaginar. Nós não conhecemos Jesus através de argumentos impecáveis. Nem sequer através de milagres chamativos. Reconhecemos Jesus… Pelas suas feridas. Só quando colocamos a mão nelas reconhecemos que está vivo, que não é um conto.

Finalmente, a este Tomé e a todos os que somos como ele, Jesus nos diz: “Deixe-se a si mesmo, que é um homem somente, e escute-me, que sou Deus. Deixa de fazer experimentos e provas, que a fé, sendo racional, não é racionalista nem de laboratório. Deixa de meter tanta cabeça e coloca mais coração, que por ai vai a fé: nisto da fé, como naquilo do amor, “o coração tem as suas razoes, que a razão não conhece… É o coração o que sente Deus, e não a razão. E isso é precisamente a fé: Deus sensível ao coração, não à razão” (Pascal)”.Feliz quem assim confia no coração e assim acredita em Deus! Feliz quem, ao vê-lo, confia em Deus, que nunca deixou ninguém na mão. Você, que duvida, venha ao que não duvida: que duvida de Deus, venha a Deus, que não duvida do homem!

Para refletir: “Meu Senhor e meu Deus”. Depois desse profundo ato de fé, Tomé foi a propagar o evangelho, até morrer martirizado por proclamar a sua fé em Jesus Cristo ressuscitado. Dúvidas preciosas de Tomé que obtiveram de Jesus aquela bela notícia: “Felizes os que creem sem terem visto”. Caminhamos de mãos dadas com Tomé, coloquemos os nossos dedos nas muitas feridas que o Crucificado continua tendo hoje, nos nossos irmãos pobres e necessitados, como ama dizer o papa Francisco: “Tocar a carne de Cristo no pobre”. De quais feridas estamos fugindo? Por quais caminhos falsos estamos buscando o Ressuscitado? E, curados do ceticismo pela força do sofrimento, talvez possamos nos render ao mistério do Senhor que se nega a se revelar numa equação matemática, mas que se sente à vontade escondido nas células agressivas de um câncer terminal e nas dobras de uma depressão.

Para rezar: Senhor, creio, mas aumenta a minha fé. Senhor, quero colocar os meus dedos no vosso lado, nos sacramentos e nos meus irmãos mais necessitados.

Qualquer sugestão ou dúvida podem se comunicar com o padre Antonio neste e-mail:  arivero@legionaries.org

SãO PAULO, 08 de Abril de 2015 (Zenit.org) – Domingo 2 de Páscoa, Ciclo B

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